Bom dia. Estamos na quarta-feira, 29 de julho.
Cenários
O Federal Reserve (Fed), o banco central americano decide nesta quarta-feira (29) se mantém os juros estáveis pela segunda reunião seguida sob o comando de Kevin Warsh, ou se surpreende o mercado com um aumento. A taxa referencial americana está na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano desde a reunião de junho. Naquela ocasião, o colegiado de 18 membros ficou dividido. Metade defendeu manter ou reduzir os juros, a outra metade pediu elevação ainda em 2026. O anúncio da decisão desta quarta-feira sai às 14h, horário de Brasília. Em seguida, Warsh concederá uma entrevista coletiva às 14h30.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de manutenção da taxa gira em torno de 68,5%, ante 31,5% de probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual para a faixa de 3,75% a 4%. Na Kalshi, plataforma de apostas sobre eventos, 76% dos participantes esperam juros estáveis.
A leitura mais recente de inflação reforça o cenário de cautela. O índice de preços ao consumidor (Consumer Price Index, CPI) desacelerou para 3,5% nos 12 meses até junho, abaixo dos 4,2% de maio e da previsão de 3,8% dos economistas consultados pela Dow Jones. Foi a maior queda mensal do índice desde abril de 2020, puxada pelo recuo de 5,7% nos preços de energia.
O núcleo da inflação, que exclui os preços mais voláteis dos alimentos e da energia, desacelerou para 2,6% ao ano, ante 2,9% em maio. Para os analistas, um aumento de juros logo após a desaceleração da inflação em junho seria precipitado.
A trégua nos preços de energia acompanha a pausa no conflito entre Estados Unidos e Irã. O preço do petróleo, que rompeu a barreira de US$ 100 por barril na semana passada, recuou após o cessar-fogo no fim de semana.
O mercado de trabalho, por sua vez, perdeu força como fonte de pressão inflacionária, o que retira parte do argumento para uma alta imediata. Ainda assim, preços de serviços como transporte, frete e alimentação fora de casa seguem em alta na comparação anual, um sinal que preocupa a ala mais hawkish do comitê.
Uma eventual alta de juros também esbarra em pressão política. O presidente Donald Trump, que indicou Warsh para o cargo em janeiro, defende publicamente juros mais baixos e repetiu na segunda-feira que as taxas “devem ser reduzidas”. Trump já atribuiu a outros integrantes do conselho do Fed a resistência de Warsh em cortar os juros, e uma alta agora tende a azedar ainda mais essa relação.
Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio, tem repetido que o banco central “não tolera” inflação acima da meta. Uma decisão de manter os juros parados o deixaria na defensiva, obrigado a reforçar em discurso o compromisso com o combate à alta de preços.
Diferente de seu antecessor Jerome Powell, Warsh rompeu com a prática de sinalizar previamente a direção da política monetária. Ele defende que os mercados devem reagir aos dados econômicos, não a declarações de dirigentes do Fed, e diz preferir que os preços de ativos financeiros embutam por conta própria a expectativa sobre os juros. A estratégia, porém, eleva o risco de reações desalinhadas caso o mercado interprete mal os sinais escassos do novo presidente.
A indefinição deve continuar mesmo após o anúncio desta quarta-feira. Warsh já sinalizou que pretende manter a comunicação enxuta, sem detalhar a leitura que faz do cenário econômico ou o peso que atribui a fatores como a oferta de energia e a inteligência artificial na dinâmica de preços.
Perspectivas
Para além da reunião do Fed, A quarta-feira começa sem uma tendência definida nos mercados. No pré-mercado, os contratos futuros dos principais índices acionários americanos apresentam um comportamento divergente, com leves quedas no índice Dow Jones de 30 ações industriais e leves altas em índices mais amplos, como o Standard & Poor’s e o Nasdaq. As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil estão com uma alta razoável.
O petróleo está em alta de 4,6%, com os contratos do Brent de agosto a quase US$ 88 devido à piora na situação no Oriente Médio. Forças militares da Arábia Saudita e dos Estados Unidos atuaram de forma conjunta contra aliados do Irã na região, aumentando o risco de uma escalada do conflito.
Indicadores
BRASIL
Sem indicadores relevantes
ESTADOS UNIDOS
Decisão de juros do Fed
Esperado: 3,50% a 3,75%
Anterior: 3,50% a 3,75%
Entrevista coletiva de Kevin Warsh