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Raízen Vende Usina Caarapó por R$ 760 Milhões À Adecoagro em Meio À Recuperação Extrajudicial

Negócio transfere 3,5 milhões de toneladas de cana processada e reduz portfólio da Raízen para 23 usinas, enquanto companhia renegocia dívida de R$ 65,1 bilhões

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A Raízen formalizou nesta segunda-feira a venda da usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema. O contrato de compra e venda estabelece um valor de R$ 760 milhões, a serem pagos à vista no fechamento da operação.

A transação inclui a cessão da cana-de-açúcar de produção própria vinculada à usina e a transferência dos contratos com fornecedores terceiros. Juntos, esses volumes somaram aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de cana processada na safra 2025/26, um indicador do tamanho da operação transferida, ainda que modesto diante da escala total da Raízen.

O negócio depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e do cumprimento de outras condições precedentes previstas em contrato, etapas que costumam se estender por meses antes da conclusão efetiva de operações do setor sucroenergético.

Em comunicado, a companhia descreveu a venda como parte de uma “estratégia de otimização de seu portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial”. Com a saída de Caarapó, a Raízen passa a operar 23 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 69 milhões de toneladas por safra.

A venda ocorre enquanto a companhia atravessa a maior recuperação extrajudicial já registrada no Brasil, com dívidas de credores financeiros de aproximadamente R$ 65,1 bilhões. O processo, protocolado em março, envolve dívida negociada que rivaliza com as maiores recuperações judiciais do país. Em junho, o plano final apresentou adesão de credores acima de 75%, com previsão de que os credores fiquem com mais de 80% da companhia após a conversão de dívida em ações, enquanto a fatia da Cosan deve cair para entre 3% e 4%. O acordo também prevê injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell. O plano de recuperação ainda contempla uma cisão da empresa em duas até o final de 2027, separando as operações de etanol, açúcar e bioenergia da distribuição de combustíveis.

A venda de Caarapó se soma, portanto, a um movimento mais amplo de reorganização societária e operacional, no qual a companhia reduz sua base de ativos agroindustriais simultaneamente à renegociação de seu passivo financeiro.

Do lado comprador, a Adecoagro adiciona uma terceira unidade à sua presença em Mato Grosso do Sul, onde já opera o cluster formado pelas usinas Angélica e Ivinhema. Juntas, essas duas unidades têm capacidade de moagem de 14,2 milhões de toneladas de cana por safra. Com sede em Luxemburgo e ações negociadas na Bolsa de Nova York, a Adecoagro é um dos principais produtores de alimentos e energia renovável da América do Sul, com operações também na Argentina e no Uruguai. A aquisição de Caarapó amplia sua base de moagem na

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