A Simpar (SIMH3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com sua menor alavancagem financeira desde a abertura de capital, em 2010. A companhia reduziu sua dívida em relação ao resultado gerado pelas operações. A dívida líquida passou de 3,6 para 2,8 vezes o Ebitda, indicador usado para medir o desempenho operacional da empresa.
A Simpar é a holding que controla empresas como JSL, Movida, Vamos e Automob. O grupo atua em logística, aluguel de veículos, gestão de frotas, concessionárias e infraestrutura. A holding concentra a estratégia financeira e a alocação de capital entre as controladas.
A redução da alavancagem veio acompanhada de receita recorde com serviços. O indicador chegou a R$ 9,39 bilhões, crescimento de 13,2% na comparação anual. Em relação ao primeiro trimestre, a alta foi de 5,8%.
Os dados fazem parte de uma prévia operacional divulgada pela companhia na noite desta segunda-feira (27). Os números ainda não foram auditados e podem ser revisados até a publicação do balanço completo.
A receita líquida consolidada alcançou R$ 11,25 bilhões no trimestre, avanço de 8,8% em um ano. A receita bruta cresceu 9,5%, para R$ 12,39 bilhões.
Segundo a companhia, o desempenho dos serviços reflete a maturação de contratos fechados nos últimos 12 meses, a seleção de novos projetos com preços mais adequados e a renegociação de contratos existentes.
A relação entre o Ebitda acumulado em 12 meses e os investimentos líquidos ficou em 1,9 vez, melhora de 0,5 vez em relação ao segundo trimestre de 2025.
Dívida líquida da holding cai 54%
A dívida líquida da holding caiu 54% em um ano, de R$ 3 bilhões para R$ 1,4 bilhão. No primeiro trimestre de 2026, o endividamento líquido estava em R$ 2,8 bilhões.
A redução foi impulsionada pela venda da Ciclus Rio, pelo aumento de capital da Simpar e pelo exercício de uma opção de compra de ações da JSL pela BNDESPar.
Os aumentos de capital realizados na Simpar, na Movida e na Vamos somaram R$ 3 bilhões. As operações foram ancoradas pela JSP Holding, veículo de investimentos da família controladora, e pela BNDESPar.
A companhia também anunciou a venda de 100% da CS Porto Aratu por um valor de empresa de R$ 1,8 bilhão. Segundo a Simpar, o negócio representou retorno de 5,8 vezes sobre o capital investido, considerando um prazo médio de 3,6 anos.
Se a operação já estivesse incorporada ao resultado do segundo trimestre, a dívida líquida da holding cairia para R$ 1 bilhão. A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de condições, como a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a autorização do poder concedente.
A Simpar recomprou ainda R$ 250 milhões em títulos de dívida no mercado secundário. O valor representa 25% da meta de reduzir o endividamento bruto em R$ 1 bilhão.
Venda de ativos recua e derivativos pesam no resultado
Apesar do avanço dos serviços, a receita líquida com a venda de ativos caiu 12,8% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 1,77 bilhão. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, o recuo foi de 11,4%.
A receita de construção da área de infraestrutura passou de R$ 15 milhões para R$ 89 milhões. Embora represente uma alta de 484,9%, a operação ainda responde por uma parcela pequena da receita consolidada do grupo.
A prévia também trouxe um efeito negativo de R$ 231,8 milhões decorrente da marcação a mercado de derivativos contratados pela Simpar. Descontado o Imposto de Renda, o impacto foi de R$ 153 milhões.
Os contratos aumentam de forma sintética a exposição da holding às ações da própria Simpar e de suas controladas JSL, Movida, Vamos e Automob. De acordo com a companhia, a marcação contábil não produz efeito imediato sobre o caixa.
Os instrumentos vencem em setembro de 2027, mas podem ser liquidados antecipadamente ou prorrogados.