A CSN Inova Ventures, subsidiária da CSN (CSNA3) no exterior, concluiu a troca de parte da dívida internacional do grupo por novos títulos com prazo mais longo e juros bem mais altos. Investidores que detinham US$ 1,007 bilhão em bonds — o equivalente a 77,49% do saldo em circulação — aderiram à operação, superando o mínimo de 70% exigido para que a oferta se concretizasse.
Na prática, a companhia trocou papéis que pagavam 6,750% ao ano e venciam em 2028 por novos títulos que pagam 11,00% ao ano e vencem em 2030, com uma parcela paga em dinheiro. Trata-se de uma operação de gestão de passivos, conhecida no mercado como liability management: a CSN empurra para 2030 um vencimento que chegaria em 2028, ganhando fôlego, mas aceitando pagar juros mais caros para convencer os credores a esperar.
A liquidação está prevista para 12 de agosto de 2026. Nela, a CSN Inova espera emitir cerca de US$ 698,3 milhões em novos títulos e desembolsar aproximadamente US$ 255,7 milhões em dinheiro aos investidores. A CSN garante o pagamento desses novos papéis. A empresa também obteve os consentimentos necessários para alterar determinadas cláusulas do contrato que regia os títulos antigos.
Um ponto central da operação é que ela não trouxe recursos novos para o caixa: foi apenas a substituição de uma dívida por outra, de prazo mais longo, porém mais onerosa. O salto de 6,750% para 11,00% ao ano — alta de 4,25 pontos percentuais — dá a dimensão do encarecimento. Sobre os cerca de US$ 698 milhões em novos títulos, o custo anual de juros passa a ser sensivelmente maior do que o da dívida que saiu de cena.
O movimento ocorre em um ambiente de crédito mais apertado para a companhia. A oferta havia sido lançada em 31 de julho de 2026, na mesma ocasião em que a CSN divulgou prévia de resultados apontando prejuízo líquido estimado entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre — acima da perda de R$ 861,9 milhões registrada no mesmo período de 2025.