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Déficit Comercial dos EUA Cai, Mas Tarifas de Trump Têm Efeito Limitado

Apesar da queda de 5,6% do déficit comercial em junho, economistas afirmam que a demanda aquecida e os investimentos em inteligência artificial devem manter as importações elevadas

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O déficit comercial dos Estados Unidos diminuiu em junho, mas economistas avaliam que essa melhora tende a ser temporária diante da resiliência da demanda doméstica, que continua sendo suprida por produtos importados mesmo após o aumento das tarifas promovido pelo presidente Donald Trump. Embora as barreiras comerciais tenham alterado o fluxo de compras externas e incentivado empresas a buscar fornecedores em outros países, elas não reduziram de forma significativa a necessidade de importações em uma economia que segue sustentada pelo consumo das famílias e pelos investimentos corporativos.

Os Estados Unidos registraram déficit comercial de US$ 73,3 bilhões em junho, uma queda de 5,6% em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Bureau of Economic Analysis e pelo Census Bureau. O resultado ficou próximo da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam saldo negativo de US$ 73 bilhões.

Apesar da melhora mensal, o governo informou na semana passada que o déficit comercial aumentou no segundo trimestre como um todo, retirando um ponto percentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Parte desse movimento reflete os efeitos da política tarifária. Nos meses anteriores, empresas anteciparam importações para formar estoques antes da entrada em vigor das novas tarifas de Trump, inflando o déficit. Agora, com a normalização desse fluxo, o saldo comercial apresentou melhora pontual, mas especialistas avaliam que o efeito tende a perder força.

Isso porque a economia americana continua apresentando forte demanda interna. O PIB cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre, enquanto o consumo das famílias e os investimentos das empresas, especialmente em infraestrutura ligada à inteligência artificial, avançaram no ritmo mais intenso desde o início de 2023. Com a atividade aquecida, a necessidade de importar insumos, equipamentos e bens de consumo permanece elevada, limitando o impacto das tarifas sobre o déficit comercial.

Em junho, as importações recuaram 1,8%, para US$ 388 bilhões, enquanto as compras de bens caíram 2,5%, para US$ 309 bilhões. As exportações também diminuíram, com queda de 0,9%, para US$ 314,7 bilhões. As vendas externas de bens recuaram 1,9%, para US$ 206,9 bilhões.

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