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Disney Transforma Laboratórios em Ponto de Partida para Atrações do Futuro

Em Anaheim, na Califórnia, executivos da Walt Disney Imagineering revelam na D23 como inteligência artificial, robótica, engenharia e entretenimento estão sendo usados para decidir o que a Disney vai construir, e como será a experiência dos visitantes no futuro

5 min

ANAHEIM, Califórnia — Antes de uma nova atração da Disney chegar a um parque, ela pode passar por um laboratório. Muito antes de uma montanha-russa ser construída, de um personagem ganhar vida diante dos visitantes ou de uma nova área ser inaugurada, engenheiros, cientistas e designers testam protótipos, simulam experiências e experimentam tecnologias que ainda podem levar anos para chegar ao público. 

Essa é uma das engrenagens menos visíveis, e mais estratégicas, por trás dos parques da Disney. O tema foi apresentado nesta semana durante a D23, em Anaheim, na Califórnia, onde executivos da Walt Disney Imagineering detalharam como a companhia pensa o futuro de suas experiências. 

Entre eles está Kyle Laughlin, responsável global por pesquisa e desenvolvimento, tecnologia e engenharia da Imagineering. Ao lado de Zach Ridley, que lidera a estratégia criativa global, e David Lightbody, responsável pelo entretenimento ao vivo em escala mundial, Laughlin mostrou como a Disney tenta combinar tecnologia e criatividade para criar experiências que podem não existir ainda nem mesmo no papel. 

Laughlin lidera três grandes frentes dentro da Imagineering. A primeira é a Disney Research Imagineering, com equipes em Glendale, na Califórnia, e em Zurique, na Suíça. São pesquisadores que trabalham com tecnologias como inteligência artificial e robótica e tentam antecipar como essas ferramentas poderão transformar as experiências dos visitantes nos próximos dez anos. 

A segunda é a área de desenvolvimento avançado. É ali que ideias deixam o campo da especulação e começam a ser testadas fisicamente. Antes de comprometer grandes volumes de capital em uma nova atração, a Disney constrói protótipos e simula as experiências. Engenheiros mecânicos e elétricos, cientistas de materiais e outros especialistas trabalham juntos para descobrir rapidamente o que funciona  e, tão importante quanto, o que não funciona.

A lógica é simples: testar antes de construir em definitivo. “Antes de investirmos em muitas das atrações que vocês conhecem e adoram, precisamos simular essas experiências”, explicou Laughlin. 

A terceira frente é tecnologia. A Imagineering reúne mais de 100 disciplinas diferentes, e cada uma delas demanda ferramentas próprias. A equipe de Laughlin desenvolve os softwares necessários para que arquitetos, engenheiros, designers e outros profissionais consigam transformar conceitos em experiências concretas. O objetivo é encurtar a distância entre uma ideia e sua materialização.

A trajetória de Laughlin ajuda a explicar essa abordagem. Ele começou a carreira no setor de games e produtos digitais, passou pela Amazon, onde trabalhou em produtos como Alexa e Echo, e depois chegou a comandar uma empresa de surfe antes de retornar à Disney. Foi justamente essa experiência fora da companhia que reforçou sua visão sobre a Imagineering como um grande laboratório de experimentação. “É um trabalho incrível voltar para a companhia porque isso nos dá uma tela enorme para experimentar e fazer coisas”, afirmou. 

Mas a tecnologia é apenas uma parte da equação. A pergunta que a Imagineering tenta responder não é apenas o que a Disney consegue construir, mas o que vale a pena construir.

É nesse ponto que entra Ridley. Arquiteto de formação e há quase 24 anos na Disney, ele lidera as equipes responsáveis pelo planejamento estratégico dos projetos da Imagineering. Seu trabalho envolve decidir como parques, resorts e navios devem evoluir ao longo de décadas, e quais experiências devem ocupar esses espaços no futuro.

A companhia, afinal, não planeja apenas para a próxima temporada. Uma decisão tomada hoje pode determinar como um parque será percebido daqui a 20, 30 ou 40 anos. “Há uma responsabilidade incrível, e isso vai até 20, 30, 40 anos no futuro, de planejar e criar espaço para o potencial”, disse Ridley.

Enquanto Ridley olha para a arquitetura e o planejamento, Lightbody trabalha para dar vida às histórias. Responsável global pelo entretenimento ao vivo, ele supervisiona desde encontros com personagens até desfiles, shows, espetáculos noturnos, fogos de artifício e outras experiências nos parques, resorts e navios da Disney.

Sua carreira começou no teatro, passando por produções de Shakespeare e grandes musicais do West End, como Les MisérablesMiss SaigonCats e Mary Poppins. Foi o trabalho na versão em mandarim de Mamma Mia! que o levou à Disney e, posteriormente, aos cargos de liderança em Hong Kong, Xangai e na operação global. 

A combinação dessas três áreas revela como a Disney está pensando a próxima geração de seus parques: tecnologia para ampliar o que é possível, planejamento para decidir onde investir e entretenimento para transformar engenharia em emoção

Na Imagineering, portanto, uma atração pode começar como uma hipótese em um laboratório. Mas, para chegar ao público, ela precisa passar por uma pergunta muito mais difícil: se a tecnologia funciona, ela consegue fazer alguém sentir alguma coisa?

É essa combinação entre ciência e emoção que transforma um protótipo em uma experiência Disney.

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