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Ibovespa Fecha em Alta com Apoio de Bancos e Vale; Dólar Fecha Abaixo dos R$ 5,15

Na máxima do dia, chegou a 174.784,92 pontos. Na mínima, 171.178,87. O volume financeiro no pregão somou R$ 28,67 bilhões

7 min

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (25), ampliando a sequência positiva, em movimento sustentado principalmente por ações de bancos e da Vale.

A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano favoreceu o fluxo comprador na bolsa paulista, com dados recentes também mostrando algum retorno do fluxo estrangeiro para as ações brasileiras.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,55%, a 174.576,80 pontos, no quinto pregão seguido com sinal positivo. Na máxima do dia, chegou a 174.784,92 pontos. Na mínima, 171.178,87. O volume financeiro no pregão somou R$28,67 bilhões.

O rendimento dos Treasuries com prazos mais longos recuou nesta terça-feira, em meio ao declínio dos preços do petróleo e com investidores ainda repercutindo a decisão do Tesouro dos EUA de ampliar a recompra de títulos. O Treasury de 10 anos marcava 4,6209% no final do dia, de 4,704% na segunda-feira, o que também favoreceu o S&P 500, que encerrou com elevação de 0,32%.

A pauta norte-americana na semana também está no radar, notadamente o discurso do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, na conferência de Jackson Hole, na sexta-feira.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o mercado está na expectativa da fala de Warsh, principalmente sinais que possam apontar a direção dos juros da maior economia do mundo.

Antes de Warsh, o foco deve ficar no índice de preços para despesas com consumo pessoal de julho, o PCE, medida de inflação preferida do banco central dos EUA, que será divulgado na quarta-feira, assim como o balanço trimestral da Nvidia.

Números da B3 sobre a movimentação de estrangeiros recente também trouxeram algum alento a agentes financeiros no pregão brasileiro após fortes vendas em agosto. No último dia 21, houve uma entrada líquida de R$1,76 bilhão. O saldo do mês, porém, permanece negativo em R$21,44 bilhões.

“Se as entradas continuarem, a recuperação recente do Ibovespa começa a ganhar um fundamento mais consistente e deixa de parecer apenas um repique técnico”, afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso.

DESTAQUES

  • BANCO DO BRASIL ON avançou 5,22%, destaque entre os bancos do Ibovespa, em sessão robusta para o setor que vinha sendo penalizado por preocupações com o cenário de crédito no país. ITAÚ UNIBANCO PN fechou em alta de 1,83%, BRADESCO PN subiu 3,13% e BTG PACTUAL UNIT valorizou-se 3,04%. SANTANDER BRASIL UNIT encerrou com acréscimo de 0,13%.
  • VALE ON subiu 2,04%, em linha com o movimento de ações de mineradoras no exterior, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. Também no radar, o presidente-executivo da mineradora, Gustavo Pimenta, afirmou nesta terça-feira que a Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C, na região de Carajás, no Pará.
  • PETROBRAS PN caiu 1,8%, acompanhando o declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou em baixa de 3,89%, US$88,58. Investidores também continuam analisando potenciais reflexos para a estatal do pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, na qual a Petrobras divide o controle com a IG4 Capital.
  • BRASKEM PNA desabou 13,11%, ampliando as perdas da véspera, quando entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar US$10,9 bilhões em dívidas. Em razão do pedido, a B3 informou que as ações da companhia serão excluídas dos índices da bolsa ao seu preço de fechamento após o encerramento do pregão regular desta terça-feira.
  • HAPVIDA ON subiu 0,94%, endossada pela melhora na bolsa como um todo. No mês, porém, ainda acumula um declínio de cerca de 43%. A companhia disse que foi informada na véspera pela Squadra que fundos de investimento e investidores não-residentes sob sua gestão venderam ações da companhia, passando a deter 19.462.487 ações ordinárias, o que representa aproximadamente 3,87% desses papéis. Um dia antes, em carta a cotistas, a Squadra afirmou que a Hapvida foi o maior erro de investimentos da história da gestora.
  • YDUQS ON cedeu 1,58%, após disparar quase 13% na véspera. Na segunda-feira, o grupo de educação informou que mantém tratativas “em estágio inicial” com a Afya para uma possível combinação de negócios envolvendo as empresas.
  • USIMINAS PNA recuou 2,11%, também em pregão de ajustes após salto de quase 9% na véspera, depois de notícia sobre um plano do acionista controlador Ternium fechar o capital da companhia. A Ternium afirmou à Usiminas que não aprovou a realização de qualquer operação com o objetivo de cancelar o registro de companhia aberta da empresa. No setor, CSN ON cedeu 1,55%, mas GERDAU PN subiu 1,4%.
  • MAGAZINE LUIZA ON saltou 9,13%, endossada pelo alívio nas taxas dos contratos de DI, que favoreceu outros papéis sensíveis a juros, como ASSAÍ ON, que avançou 7,82%, CURY ON, que fechou em alta de 7,49%, e LOCALIZA ON, que subiu 5,79%.

Dólar

Em uma sessão de agenda relativamente esvaziada de indicadores econômicos, o dólar oscilou em margens estreitas e encerrou a terça-feira com leve baixa ante o real, com os investidores atentos ao noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.

O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,23%, aos R$5,1414. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,33%.

Às 17h09, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,33% na B3, aos R$5,1490.

Os investidores globais mantiveram nesta terça-feira o Oriente Médio no radar, após os EUA ampliarem as sanções econômicas ao Irã, ameaçando excluir do sistema financeiro baseado em dólar os países que continuarem a negociar com Teerã.

Em reação, o Irã classificou como “flagrante ilegalidade” a aplicação de sanções pelos EUA e afirmou ter discutido com Omã uma proposta para um “corredor de navegação temporário conjunto” pelo Estreito de Ormuz, além de um plano para remover as minas do local. Cerca de 20% do petróleo e do gás comercializado no mundo circulam pelo estreito.

Neste cenário, o dólar cedeu ante divisas como o rand sul-africano e a rupia indiana, mas se manteve próximo da estabilidade ante o real e o peso mexicano durante a maior parte do dia.

“O que está influenciando os preços é a tentativa de acerto diplomático para reabrir o Estreito de Ormuz. Isso deu um impulso leve para as moedas ligadas a commodities, em um ambiente um pouco mais para o risco”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

“Mas o mercado está curto, sem muitos negócios, aguardando as decisões sobre o conflito no Irã”, acrescentou.

Após atingir a cotação máxima intradia de R$5,1679 (+0,28%) às 9h24, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,1389 (-0,28%) às 16h58, já perto do fechamento. Da máxima para a mínima a oscilação foi de apenas -0,56%, em uma sessão de volatilidade menor.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de setembro.

À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que o governo brasileiro terá uma reunião na próxima segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

A reunião foi agendada após conversa na sexta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, o primeiro contato entre ambos desde que os EUA adotaram novas tarifas contra produtos brasileiros.

No exterior, às 17h08 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,09%, a 98,872.

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