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Ibovespa Fecha Estável Aos 167,9 Mil Pontos em Meio a Incertezas Fiscais e Eleitorais

Dólar avança 0,31% e fecha a R$ 5,19, enquanto investidores acompanham o fluxo de capital estrangeiro e a alta dos rendimentos dos Treasuries

6 min

O Ibovespa fechou quase estável nesta quinta-feira, após trocar de sinal algumas vezes no pregão, com a bolsa ainda vulnerável às incertezas envolvendo as eleições e o cenário fiscal e às preocupações com o nível de juros do país e seus reflexos na atividade econômica. O índice registrou variação positiva de 0,06%, a 167.927,15 pontos, após marcar 169.752,35 pontos na máxima e 166.965,79 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$ 28,4 bilhões.

Vale e Petrobras representaram um suporte positivo relevante, enquanto bancos continuaram enfraquecidos pelas preocupações com o cenário do crédito e da inadimplência no país.

Na véspera, o Ibovespa avançou 0,9%, a 167.830,27 pontos,encerrando uma série de 11 fechamentos negativos seguidos.A alta, contudo, foi atrelada por agentes financeiros ao forte alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, sem mudanças no cenário brasileiro.

“O alívio de ontem foi pontual. Não tem nenhum fato novo que justifique uma virada no mercado”, afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, ressaltando que papéis sensíveis à economia brasileira continuam pressionados.

“No curto prazo, vale acompanhar para onde vai o fluxo estrangeiro. O mercado local está muito barato, mas falta ‘trigger’ (gatilho). Em algum momento, deve cessar o movimento de saída”, afirmou.

De acordo com dados da B3, a bolsa registra uma saída líquida de capital externo de R$ 20,4 bilhões em agosto até o dia 18. 

Para Pedroso, esse cenário deve manter o mercado “mais lateralizado” no aguardo de novas notícias, principalmente acerca do fiscal local e eleições. “A liquidez também deve reduzir bastante; e a volatilidade aumentar consideravelmente quando vier essa ‘notícia’.”

O cenário externo pouco ajudou no apetite a risco nesta quinta-feira, com o avanço nos rendimentos dos Treasuries, enquanto o S&P 500 fechou em baixa de 0,87%, com dados do Walmart também sob o holofote.

Destaques

• PETROBRAS PN subiu 2,81% e PETROBRAS ON avançou 2,64%, favorecidas pela alta dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou com elevação de 2,36%, a US$93,78. Investidores também continuam repercutindo anúncio recente da estatal sobre descobertade hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas.

• VALE ON ganhou fôlego à tarde e fechou em alta de 2,62%, apesar da fraqueza do setor no exterior, em sessão de queda dos futuros do minério de ferro na China.

• ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 2,24%, com o setor fragilizado ainda pelas preocupações com o cenário de crédito e inadimplência no país. BRADESCO PN recuou 1,69% e BANCO DO BRASIL ON caiu 0,22%. SANTANDER BRASIL UNIT subiu 0,94%. Pesquisa do Banco Central mostrou que os bancos brasileiros esperam que a inadimplência siga em processo de deterioração no terceiro trimestre deste ano.

• HAPVIDA ON recuou 7,16%, ampliando a perda no mês, que já alcança 46%, determinada principalmente pela recepção negativa do resultado do grupo de saúde no segundo trimestre, que além de queda no lucro e no Ebitda, mostrou reaceleração dos novos depósitos judiciais. Nesta quinta-feira, o presidente da ANS anunciou a suspensão preventiva de reajustes e cancelamentos de contratos anunciados recentemente pela companhia. A empresa disse que apresentará todos os esclarecimentos e as informações pertinentes ao órgão regulador.

• MAGAZINE LUIZA ON caiu 4,2%, contaminada pela percepção de que casos como o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia não são eventos específicos e que o varejo brasileiro como um todo atravessa um período de forte estresse financeiro, impulsionado principalmente por juros elevados, crédito restrito e consumidores excessivamente endividados.

• MARCOPOLO PN valorizou-se 6,46%, um dia após anunciar que o conselho de administração aprovou dividendos à razão de R$0,13 por ação e recompra de até 49 milhões de papéis da companhia em circulação no mercado.

• SLC AGRÍCOLA ON fechou com elevação de 5,72%, endossada por relatório de analistas do UBS BB, que elevaram a recomendação da ação para neutra ante venda e o preço-alvo para R$16 ante R$13,80, avaliando que o mercado já precificou o risco negativo para a produtividade da companhia decorrente do El Niño.

Dólar sobe

O dólar fechou a quinta-feira em alta contra o real, refletindo o ambiente externo mais avesso ao risco, onde a divisa norte-americana reverteu as perdas da véspera e os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir. O dólar à vista fechou em alta de 0,31%, aos R$ 5,19 na venda.

Às 17h36, o contrato de dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,30% na B3, aos R$ 5,20. No mesmo horário, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,05%, a 98,880.

O principal vetor dos movimentos dos mercados globais nesta quinta-feira foi o mercado de títulos dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o anúncio do Tesouro dos EUA de que dobrará o volume das recompras de títulos de prazo mais longo no próximo trimestre para pelo menos US$ 4 bilhões fez os rendimentos caírem fortemente, principalmente nos títulos mais longos. Esse movimento fez o dólar enfraquecer perante a maioria das divisas globais, favorecendo o real.

Contudo, todo esse movimento perdeu força nesta quinta, com os rendimentos voltando a exibir tendência de alta, assim como o dólar, em meio a dúvidas dos investidores em relação à durabilidade do efeito das medidas anunciadas e preocupações em relação à dívida pública americana.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou no início da tarde que pode aumentar novamente o volume de títulos que o governo irá recomprar. O comentário arrefeceu parte da alta dos rendimentos dos Treasuries, mas sem grande impacto.

Em outra frente, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de 2,36%, para US$ 93,78 o barril, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre retaliações contra nações que apoiam o Irã, diminuindo ainda mais o apetite por ativos de risco no mercado global.

“A combinação entre petróleo em alta, rendimentos americanos elevados e maior aversão ao risco reduziu o espaço para valorização dos ativos emergentes”, disse Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil.

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