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Ibovespa Fecha na Mínima desde Janeiro Enquanto Dólar e Petróleo Sobem

As fortes perdas na bolsa nesta sessão refletiram a saída de investidores estrangeiros em meio a uma visão mais cautelosa

11 min

O Ibovespa fechou em forte queda nesta terça-feira (11), refletindo preocupações com o ritmo da atividade econômica do país em meio a perspectivas de manutenção das taxas de juros em níveis elevados, enquanto permanecem incertezas eleitorais e geopolíticas com potenciais reflexos inflacionários.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,5%, a 167.874,64 pontos, mínima de fechamento desde 20 de janeiro. No pior momento, chegou a 167.568,94 pontos. Na máxima do dia, marcou 172.385,51 pontos.

O Banco Central alertou nesta terça-feira sobre eventual disseminação de efeitos indiretos de choques relacionados aos preços do petróleo e a efeitos climáticos, o que demandaria “reação firme” da política monetária.

Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, quando a taxa Selic foi reduzida de 14,25% para 14% ao ano, o BC tambémdemonstrou preocupação com uma inflação pressionada pela demanda em meio a medidas de estímulo adotadas pelo governo.

O documento foi publicado pouco antes da divulgação do IPCA de julho, que teve variação positiva de 0,07% em julho, desacelerando ante a alta de 0,16% no mês anterior, mas ainda ficando acima de expectativas no mercado (+0,03%).

Estrategistas do JPMorgan cortaram a classificação do Brasil no seu portfólio de ações da América Latina para “neutra” citando entre os argumentos o prognóstico de que o ciclo de afrouxamento monetário no país deve terminar — mais um corte em setembro e depois”uma longa pausa”.

A equipe do banco norte-americano também destacou que o crescimento econômico está desacelerando e que o crédito está piorando, “um cenário pouco favorável para os resultados corporativos daqui para frente”.

Na decisão sobre o “downgrade”, o JPMorgan também chamou a atenção para as eleições de outubro, que provavelmente aumentarão a volatilidade. “Preferimos ficar à margem a pagar para assumir incerteza”, afirmou a equipe do banco.

Uma pesquisa CNT/MDA divulgada também nesta terça mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.

Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, as fortes perdas na bolsa nesta sessão refletiram saída de investidores estrangeiros, em meio a uma visão mais cautelosa, somando o quadro doméstico a perspectivas de juro resiliente nos Estados Unidos e aos confrontos no Oriente Médio.

“Tudo isso fez preço e nós reverberamos através da bolsa”, afirmou Queiroz.

No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent voltou a subir, fechando com elevação de 1,36%, a US$88,91, com dúvidas sobre um possível acordo de paz entre os EUA e o Irã alimentando preocupações de continuidade das interrupções no abastecimento do Oriente Médio.

“O apetite a risco está enfraquecendo globalmente, juntamente com a alta dos preços do petróleo, que alimenta as expectativas de inflação mundial”, afirmou a analista sênior Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote, em nota a clientes.

Destaques

• BTG PACTUAL UNIT caiu 5,8%, pior desempenho do setor bancário no Ibovespa, mesmo após o maior banco de investimento da América Latina reportar lucro líquidoajustado de R$5,14 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 22,6% ano a ano, com receita consolidada recorde de R$10,37 bilhões. O BTG afirmou que tem adotado padrõesbastante conservadorespara a concessão de crédito, vendo um ambiente macroeconômico desafiador.

• ITAÚ UNIBANCO PN fechou em queda de 3,51%, acompanhado de BRADESCO PN, que encerrou com declínio de 2,27%, e BANCO DO BRASIL ON, que cedeu 3,74%. Na contramão, SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 0,92%.

• PETROBRAS PN recuou 1,35% e PETROBRAS ON perdeu 1,44%, sucumbindo ao movimento vendedor na B3, sem acompanhar a recuperação dos preços do petróleo no exterior.

• VALE ON caiu 2,02%, também pressionada pela aversão no pregão paulista, revertendo os ganhos de parte da sessão, mesmo com alta dos futuros do minério de ferrona China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 1,26%, a 721,5 iuanes (US$106,96) por tonelada.

• NATURA ON subiu 1,49%, entre as poucas altas do dia, um dia após divulgar o resultadodo segundo trimestre com tombo de 82% no lucro ante igual período do ano passado, para R$35 milhões. O Ebitda encolheu 5,9%, para R$620 milhões, enquanto a receita líquida caiu 9,1%, para R$5,2 bilhões. A Moody’s manteve o rating da companhia em Ba2, mas cortoua perspectiva para negativa. Nateleconferênciasobre os resultados, a companhia estimou uma recuperação gradual ao longo do segundo semestre.

• USIMINAS PNA recuou 7,54%, tendo ainda como pano de fundo relatório do Itaú BBA cortando a recomendação das ações para “market perform” e o preço-alvo de R$11 para R$8. “Acreditamos que uma postura mais conservadora em relação à ação se justifica diante da falta de tração do mercado de aço e de uma dinâmica de preços mais fraca do que o esperado na indústria brasileira de aço plano”, afirmaram os analistas.

• JBS, que tem as ações listadas nos EUA, cedeu 2,91%, após a maior processadora global de carnes divulgar na segunda-feira prejuízo líquidode US$102 milhões no segundo trimestre, com o segmento bovino nos EUA ainda registrando margens negativas e uma oferta maior de frango que reduziu os preços, além de diversos itens não correntes.

Dólar

O dólar fechou em alta de 1%, na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana rondava a estabilidade, com operadores domésticos avaliando nova pesquisa eleitoral que apontou a liderança do presidente Lula nas intenções de voto.

O dia, que também trouxe dados de inflação no Brasil e ata do Banco Central, foi negativo para os ativos brasileiros, com alta dos juros futuros e queda firme do Ibovespa — que sofreu ainda o impacto de um rebaixamento de recomendação das ações brasileiras pelo banco JPMorgan.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 1,04%, aos R$5,1639, maior valor de fechamento desde 3 de julho (R$5,1688). Na semana, o dólar acumula alta de 1,56%.

Às 17h07, o contrato de dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 1,06% na B3, a R$5,1875.

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.

Lula mantém também a liderança no primeiro turno da disputa, com 42,4%, enquanto Flávio soma 28,7%. Nenhum outro candidato superou a marca de 4%.

“Observa-se que uma parcela relevante dos operadores avalia positivamente uma alternância na Presidência, na expectativa de que um eventual próximo governo possa adotar uma política fiscal mais responsável”, disse Leonel Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX. “Notícias ou fatos que favoreçam uma perspectiva de reeleição do presidente Lula tendem a elevar a percepção de risco nos mercados, aumentando a exigência por prêmios de risco.”

Também nesta terça estrategistas do JPMorgan cortaram a classificação do Brasil no seu portfólio de ações para América Latina para “neutra” ante “overweight”, conforme relatório a clientes, citando entre os argumentos uma perspectiva de fim do afrouxamento monetário no país. A equipe também destacou que o crescimento econômico está desacelerando e que o crédito está piorando, “um cenário pouco favorável para os resultados corporativos daqui para frente”.

Na ata do Copom, divulgada no início da manhã desta terça, o Banco Central fez alertas sobre eventual disseminação de efeitos indiretos de choques relacionados aos preços do petróleo e a efeitos climáticos, o que demandaria “reação firme” da política monetária, demonstrando também preocupação com uma inflação pressionada pela demanda em meio a medidas de estímulo adotadas pelo governo.

Pouco depois, o IBGE informou que o IPCA teve variação positiva de 0,07% em julho, contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,03%. Em 12 meses, o índice passou a acumular alta de 4,44%, ficando abaixo do teto da meta.

Às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,04%, a 99,810, com investidores cautelosos em meio à expectativa de dado de inflação ao consumidor dos EUA para julho que será divulgado na quarta-feira.

Operadores também seguiam monitorando as cotações do petróleo, que subiram nesta terça à medida que dúvidas sobre um possível acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã alimentavam preocupações de que interrupções no fornecimento de petróleo do Oriente Médio pudessem persistir.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu todos os 50.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados para rolagem de vencimento.

Petróleo

Os preços do petróleo subiram ligeiramente atingindo a maior cotação da semana, à medida que dúvidas sobre um possível acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã alimentavam preocupações de que interrupções no abastecimento do Oriente Médio pudessem persistir.

Os futuros do Brent subiram US$1,19, ou 1,4%, fechando a US$88,91 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$1,07, ou 1,3%, fechando a US$83,20.

Esses foram os maiores fechamentos para ambas as referências de petróleo desde 31 de julho, pelo segundo dia consecutivo, depois que os dois contratos subiram cerca de 5% na segunda-feira, à medida que as esperanças de um acordo de paz entre os EUA e o Irã começaram a se dissipar.

O Estreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto os EUA não mudarem seu comportamento e aceitarem as condições do Irã para encerrar a guerra, afirmou nesta terça-feira o recém-nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei. Cerca de 20% do abastecimento global de petróleo passava pelo estreito antes do início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.

Seus comentários são a indicação mais clara até o momento de que qualquer acordo nas negociações com Omã sobre a via navegável não a reabriria imediatamente à navegação se os EUA também não cumprirem seus compromissos contidos no memorando de entendimento para o fim do conflito, firmado entre Washington e Teerã em junho.

Dados de navegação mostraram que o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu para seis embarcações na segunda-feira, em comparação com uma média de 10 dias de cerca de 11 embarcações. Antes da guerra, o tráfego diário pela via navegável ficava em média entre 125 e 140 embarcações por dia.

Em outras partes do Oriente Médio, os houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, atacaram um navio saudita que transportava equipamento militar em Bab el-Mandeb, entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico, informou a agência de notícias Saba, controlada pelos houthis, enquanto fontes relataram um ataque com mísseis a um navio porta-contêineres na costa do Paquistão, em um suposto ataque dos EUA.

É provável que alguns produtores do Oriente Médio tenham dificuldades para restaurar a produção de petróleo aos níveis anteriores ao conflito até o final de 2027, mesmo que os padrões comerciais voltem ao normal no início do próximo ano, informou a Administração de Informação Energética dos EUA nesta terça-feira.

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