O Ibovespa fechou quase estável nesta quarta-feira (05), com o declínio das ações da Petrobras ofuscando as performances positivas de papéis como Itaú Unibanco e RD Saúde em meio a avaliações positivas dos respectivos resultados trimestrais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,09%, a 177.726,17 pontos, após marcar 180.194,51 pontos na máxima e 177.690,45 pontos na mínima do dia.
O pregão encerrou com agentes financeiros no aguardo da decisão do Banco Central sobre a taxa Selic, principalmente o comunicado que será divulgado ao final da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom).
Projeções no mercado apontavam expectativa de queda de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros do país para 14% ao ano.
Na visão do sócio na Supernova Investimentos, João Debom, um corte na taxa Selic traz um alívio de curto prazo, mas o cenário ainda é de juros em patamar elevado e incerteza fiscal crescente conforme avança o calendário eleitoral de 2026.
“E agora também a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, que adiciona um ingrediente de risco que o mercado ainda não sabe bem como precificar”, pontuou.
Na véspera, os EUA revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após o Brasil não conceder aprovação diplomática formal ao embaixador indicado pelo governo Trump para Brasília.
Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou de “irresponsável” e “impensada” a decisão do EUA e disse que não receberá nenhum novo embaixador, de nenhum país, até a eleição de outubro.
No exterior, Wall Street fechou com o S&P 500 com declínio de 0,17%, mas o Dow Jones subiu 0,49% e encerrou em nível recorde, impulsionado por sinais de progresso nas negociações de um acordo de paz com o Irã.
Destaques
• PETROBRAS PN recuou 1,34%, tendo no radar o balanço da estatal na quinta-feira, após o fechamento do mercado. No setor, PRIO ON avançou 1,28%, após o balanço do segundo trimestre, que registrou um salto no lucro para US$392,7 milhões. O presidente da companhia disse que a Prio poderá chegar ao fim do ano com produção acima da meta de 200 mil barris por dia.BRAVA ON subiu 2,64%, para R$19,45, em pregão marcado pelo leilão da oferta pública (OPA) realizada pela colombiana Ecopetrol para aquisição do controle da petrolífera. Na operação, foram adquiridas 116.110.717 ações da Brava, a R$23 cada, que representam aproximadamente 25% do capital social da empresa. A Brava ainda divulga balanço nesta sessão.
• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,67%, após reportar lucrode R$12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado, com melhora na rentabilidade, expansão da carteira de crédito e inadimplência estável na comparação ano a ano.O presidente-executivo do banco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta quarta-feira que o banco não tem qualquer preocupação prospectiva com a inadimplênciade clientesda instituição e trabalha com uma perspectiva de “super estabilidade” nos indicadores de atraso. Na máxima do dia, a ação chegou a subir 3%. No setor, BRADESCO PN, que divulga o balanço ainda nesta quarta-feira, recuou 0,76%.
• VALE ON subiu 0,46%, em dia de alta dos futuros do minério de ferrona China.
• RD SAÚDE ON valorizou-se 5,87%, com agentes financeiros também analisando o desempenhodo grupo de varejo farmacêutico no segundo trimestre, com lucro líquido ajustado de R$432,7 milhões, alta de 7,4% ano a ano.
• EMBRAER ON encerrou negociada em alta de 2,76%, engatando o quinto pregão seguido de valorização, enquanto segue o tom positivo para a companhia. Na véspera, a Latam Brasil anunciou a primeira fase da implementaçãodos jatos Embraer E195-E2 em sua malha doméstica, com a incorporação gradual de 14 aeronaves do modelo, que serão utilizadas em 42 rotas no país, incluindo oito novas ligações. Também na terça-feira a Embraer anunciou que assinou umacordopara vender dois cargueiros KC-390 Millennium para Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC).
• KLABIN UNIT avançou 2,17%, tendo também como pano de fundo o resultadodo segundo trimestre, que mostrou Ebitda ajustado somou R$1,96 bilhão, acima da média das projeções compiladas pela LSEG, de R$1,77 bilhão.
• GERDAU PN subiu 1,7%, após divulgar lucro de R$1,5 bilhão no segundo trimestre, 69,7% acima do registrado um ano antes e em linha com as estimativas do mercado. O conselho de administração também aprovou dividendo de R$0,23 por ação e cancelamento de quase 7 milhões de papéis preferenciais, sem redução do capital social. Executivos do grupo afirmaram que a Gerdau deve concluir neste trimestre o projeto de expansão de sua capacidade de mineraçãoem Miguel Burnier (MG) e já negocia com potenciais compradores brasileiros e do exterior interessados no minério de ferro excedente da instalação.
• C&A ON perdeu 3,91%, em pregão também marcado pela repercussão do balanço do segundo trimestre, que mostrou lucro de R$130,1 milhões, 4,3% superior em relação ao obtido um ano antes. O indicador de vendas em mesmas lojas de vestuário da C&A subiu 4,1%, contra alta de 17% um ano antes. Em mercadorias, a alta ficou em 0,4%, ante avanço de 15% no mesmo período do ano anterior. O presidente da varejista disse que a companhia deve avançar de maneira consistente até o final do ano com uma retomada no fluxo de vendas.
• TENDA ON, que não faz parte do Ibovespa, subiu 4,99%, após mostrar lucrode R$179 milhões no segundo trimestre, queda de 12,2% sobre o mesmo período de 2025, mas oresultado veio melhorqueo esperado pelo mercado. A construtora também elevou previsões para 2026 como um todo.
• GPA ON saltou 6,91%, com o balançotambém sob os holofotes. O Ebitda ajustado subiu 7,3%, para R$450 milhões no segundo trimestre, com a margem passando de 9% para 10,6% na comparação ano a ano. O varejista de alimentos, que acertou em março um plano de recuperação extrajudicial para equacionar sua estrutura de capital, afirmou que espera para o terceiro trimestre a homologação do plano para emissão das novas debêntures e captação de novos recursos.
Dólar apaga perdas e fecha estável no Brasil sob influência do noticiário político
Após ceder abaixo dos R$5,10 pela manhã, o dólar fechou estável no Brasil com o mercado reagindo negativamente à indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Com os investidores à espera da decisão sobre juros do Banco Central, marcada para o início da noite, o dólar à vistaencerrou o dia com variação negativa de 0,04%, aosR$5,1283 na venda.
Às 17h09, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais líquido — subia 0,05% na B3, aos R$5,1600.
No início do dia, a nova pesquisa Genial/Quaest mostrou uma diferença menor entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto. Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio, com margem de erro de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%.
Em função da pesquisa e do exterior favorável, o dólar operou em queda ante o real, chegando a ser cotado abaixo dos R$5,10, mas o cenário mudou no fim da manhã, com o anúncio de Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.
Operador ouvido pela Reuters afirmou que Gaspar — um nome que não vinha sendo ventilado como vice e que surpreendeu, já que a campanha buscava fortalecer Flávio entre o voto feminino — não foi bem recebido.
Após marcar a cotação mínima de R$5,0975 (-0,64%) às 11h07, antes do anúncio, o dólar à vista se aproximou dos R$5,13 minutos depois da indicação, zerando as perdas. À tarde, às 14h21, a divisa atingiu o pico do dia, aos R$5,1348 (+0,09%).
No mercado, parte dos agentes ainda avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, a piora do petista na pesquisa Genial/Quaest foi percebida como um fator baixista para o dólar ante o real. Por outro lado, uma notícia não tão favorável a Flávio, como a escolha de Gaspar para vice, foi um fator altista.
Além de observarem o cenário político, os investidores aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a ser divulgada após as 18h30. O consenso é de que o BC reduzirá a taxa Selic em 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade dos cortes em setembro.
Às 17h07 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — também cedia, para 99,699 (-0,16%).
Petróleo fecha misto, com investidores avaliando esperanças de reabertura do Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo apresentaram variações mistas com o Brent fechando em leve alta enquanto o contrato dos Estados Unidos registrou uma ligeira queda, à medida que os investidores avaliavam as expectativas renovadas de uma redução das hostilidades entre os EUA e o Irã.
A expectativa é que uma queda nas tensões entre os dois países possa restabelecer o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e os fluxos de petróleo no Oriente Médio.
Os futuros do petróleo Brent fecharam com alta de 0,11%, a US$79,45 o barril. Os futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caíram 0,73%, para US$75,22.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que houve uma “negociação que durou o dia inteiro” na terça-feira com o Irã, caracterizando as conversas de forma positiva, ao mesmo tempo em que ameaçou atingir Teerã “com toda a força” caso não se chegasse a um acordo.
O Irã negou que negociações de paz estivessem em andamento. Seu Ministério das Relações Exteriores informou nesta quarta-feira que o Irã e Omã chegaram a um entendimento sobre como administrar o Estreito de Ormuz, e que um comunicado conjunto está sendo finalizado.
Antes do início da guerra, no final de fevereiro, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam pelo estreito.
O mercado permaneceu otimista, mas cauteloso, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group. “Este acordo parece tão frágil quanto os acordos anteriores e, como sabemos, nenhum deles durou muito tempo.”
Notícias sobre avanços nos esforços para encerrar a guerra fizeram os preços caírem 5% na terça-feira, com o Brent fechando abaixo de US$80 o barril pela primeira vez desde 13 de julho.
“O principal ponto de discórdia parece ser se o Irã continuará a insistir em um certo grau de controle sobre a via navegável e se os EUA manterão sua posição e recusarão esse desfecho”, afirmaram analistas da IG em uma nota.