O Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com os três primeiros meses de 2026, porém, o crescimento foi de apenas 1%, em um balanço que trouxe desaceleração da rentabilidade e redução da projeção para as receitas com serviços e seguros.
O resultado ficou 0,5% abaixo do consenso de mercado de R$ 12,466 bilhões, calculado pelo Itaú com base nas estimativas de 13 instituições financeiras.
O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado, o ROE, caiu de 24,8% para 24,3% entre o primeiro e o segundo trimestre. Apesar do recuo, o indicador ficou acima dos 23,3% registrados um ano antes.
Na operação brasileira, o ROE, Retorno sobre o Patrimônio Líquido, passou de 26,4% para 25,7% no trimestre. No acumulado do primeiro semestre, o lucro recorrente gerencial somou R$ 24,7 bilhões, avanço de 9,1% sobre o mesmo período de 2025.
Os números mostram um Itaú ainda altamente rentável, com expansão da carteira de crédito e inadimplência controlada. Para o investidor, o principal sinal de atenção está na perda de força das receitas que não dependem diretamente da concessão de empréstimos.
Itaú reduz projeção para serviços e seguros
O Itaú reduziu o guidance para as receitas de prestação de serviços e o resultado de seguros. No início do ano, o banco esperava crescimento entre 5% e 9% em 2026. O novo intervalo passou a ser de 2% a 5%.
A revisão foi provocada principalmente pela maior volatilidade no mercado de capitais e pela menor atividade dos clientes. Essa linha reúne receitas com cartões, tarifas, administração de recursos, banco de investimento, corretagem e seguros.
As receitas de serviços e seguros somaram R$ 14,1 bilhões no segundo trimestre. O avanço foi de somente 0,4% em relação aos três primeiros meses do ano e de 3,6% na comparação anual.
As receitas com conta corrente de pessoas físicas recuaram 7,4% no trimestre e 21,2% em um ano, para R$ 500 milhões. Segundo o Itaú, a queda faz parte da revisão dos pacotes de tarifas, com a concessão de benefícios conforme os clientes ampliam o relacionamento com o banco.
As receitas com pagamentos e recebimentos caíram 0,4% no trimestre e 7,5% em 12 meses, para aproximadamente R$ 2 bilhões.
Já as receitas com administração de recursos cresceram 4,6% frente ao primeiro trimestre. O resultado de seguros, previdência e capitalização avançou 0,9% no trimestre e 8,7% em um ano.
As receitas com assessoria financeira, banco de investimento e corretagem recuaram 1,3% na comparação trimestral, embora ainda tenham apresentado expansão de 32,5% em 12 meses.
Segundo o CFO do Itaú, Gabriel Amado de Moura, a projeção para o ano ficou abaixo do intervalo inicialmente divulgado, o que levou o banco a atualizar o guidance para fornecer uma referência mais precisa ao mercado.
As demais projeções foram mantidas. O Itaú continua esperando crescimento de 5,5% a 9,5% para a carteira total de crédito e de 6,5% a 10,5% para a carteira no Brasil.
A margem financeira com clientes deve avançar entre 5% e 9%. O banco prevê despesas não decorrentes de juros com alta de 1,5% a 5,5% e custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
Margem financeira sustenta o balanço
A margem financeira com clientes alcançou R$ 32,6 bilhões, alta de 3,3% no trimestre e de 5,1% em um ano. Essa linha representa principalmente o resultado obtido pelo banco com empréstimos, financiamentos e captações.
Parte do avanço trimestral foi favorecida pelo maior número de dias corridos entre abril e junho. A margem média anualizada consolidada permaneceu em 9,1%.
A margem financeira com o mercado, mais sujeita às oscilações da tesouraria, cresceu 13,6% no trimestre, para R$ 931 milhões. No primeiro semestre, entretanto, essa receita acumulou queda de 1,7%, para R$ 1,75 bilhão.
A administração também indicou que a alíquota efetiva de impostos deve terminar o ano mais próxima do piso do intervalo projetado, de 29,5% a 32,5%.
Segundo o banco, os juros mais elevados afetam a remuneração usada no cálculo dos juros sobre capital próprio, ampliando a dedução tributária. O efeito pode compensar parcialmente, no lucro final, o desempenho mais fraco das receitas de serviços e seguros.
O Itaú ressaltou que não fornece guidance de lucro. O resultado implícito é calculado pelos analistas a partir das projeções divulgadas para cada linha do balanço.
Carteira de crédito chega a R$ 1,5 trilhão
A carteira total de crédito atingiu R$ 1,522 trilhão, crescimento de 2,7% no trimestre e de 9,6% em um ano.
As operações com grandes empresas apresentaram o maior avanço trimestral, de 4,4%, para R$ 474,9 bilhões. A carteira de micro, pequenas e médias empresas cresceu 1,5%, para R$ 307,4 bilhões.
Entre as pessoas físicas, o saldo aumentou 1,6%, para R$ 487,1 bilhões. O crédito imobiliário avançou 3,9% no trimestre e 13,3% em um ano, alcançando R$ 152,2 bilhões.
O consignado cresceu 3,5% no trimestre. Dentro dessa modalidade, o consignado privado avançou 14,3%.
Nem todas as linhas acompanharam a expansão. O crédito pessoal recuou 0,6% frente ao primeiro trimestre. A carteira de financiamento de veículos caiu 1,7% no trimestre e 3,3% em 12 meses.
Custo do crédito cresce 7,4%
O custo do crédito somou R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, alta de 1,9% frente ao primeiro e de 7,4% em um ano.
Apesar do aumento nominal, a relação entre o custo do crédito e a carteira média permaneceu em 2,7%. A despesa com perdas esperadas chegou a R$ 10,5 bilhões, avanço de 8,4% na comparação anual.
Os descontos concedidos em renegociações cresceram 20,8% no trimestre, para R$ 1,1 bilhão. Parte desse movimento foi compensada pela recuperação de R$ 1,5 bilhão em créditos anteriormente baixados como prejuízo, alta trimestral de 20,2%.
A carteira renegociada aumentou de R$ 34,8 bilhões para R$ 36,3 bilhões, mas continuou representando 2,6% do total.
Em declaração divulgada com o balanço, Moura afirmou que “uma carteira de crédito verdadeiramente saudável não se constrói na renegociação, mas na qualidade da concessão, na precificação correta do risco, na capacidade de recuperação de crédito e no acompanhamento dinâmico das necessidades reais dos nossos clientes ao longo de todo o ciclo”.
Inadimplência permanece estável no consolidado
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo. O dado consolidado, porém, encobre uma piora moderada em segmentos específicos.
Entre as pessoas físicas no Brasil, o indicador passou de 3,6% para 3,7%. Nas micro, pequenas e médias empresas, subiu de 1,9% para 2%.
A administração espera que a inadimplência empresarial apresente nova elevação marginal nos próximos trimestres, principalmente com o fim dos períodos de carência de linhas vinculadas a programas governamentais. A projeção é de estabilização próxima de 2,1%.
O Itaú informou ainda que renegociou R$ 1,1 bilhão por meio do Desenrola, alcançando 371 mil clientes e uma participação de 12% no programa.
O impacto sobre a inadimplência acima de 90 dias foi de 0,02 ponto percentual. Segundo a administração, “o impacto do programa como um todo, seja no nosso resultado, seja nos nossos indicadores de crédito, ele é absolutamente imaterial para nós”.
Despesas avançam no trimestre
As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 16,7 bilhões, crescimento de 3,3% no trimestre e de 3,1% em um ano.
Segundo o banco, o avanço trimestral era esperado porque as despesas costumam ser menores nos primeiros três meses do ano. A concentração de gastos com publicidade e marketing durante a Copa do Mundo também pressionou o período.
O índice de eficiência da operação brasileira ficou em 35,5% no segundo trimestre. No primeiro semestre, melhorou de 35,7% para 35,2%. Quanto menor o indicador, menor é a parcela das receitas consumida pelas despesas operacionais.
Capital cresce frente ao primeiro trimestre
O índice de capital principal, conhecido como CET1, subiu de 12% em março para 12,3% em junho. Na comparação anual, caiu de 13,1% para 12,3%.
O indicador permanece acima do nível mínimo de 11,5% definido pelo conselho de administração dentro do apetite de risco do banco.
Segundo o Itaú, caso o capital principal estivesse exatamente nesse patamar, o ROE consolidado seria de 25,1%, ante os 24,3% reportados.