Quando Jay Shetty começou seu podcast On Purpose, em 2019, ele se lembra de ouvir que havia chegado tarde demais. O mercado já estaria saturado, diziam, com pouco espaço para crescimento.
Sete anos depois, o guru de autoajuda de 38 anos apresenta um dos podcasts mais populares do mundo, competindo não apenas com os maiores talk shows da TV, do rádio e da internet, mas praticamente eliminando as fronteiras entre eles. Assim como muitas pessoas acompanham no YouTube suas longas entrevistas com celebridades — entre elas Michelle Obama e Matt Damon —, outras escutam o programa pela rede iHeartMedia. Esses contratos, segundo estimativas da Forbes, renderam a Shetty US$ 21 milhões (R$ 107,1 milhões) nos últimos 12 meses. E, quando esses acordos expiraram neste ano, Shetty fechou um novo tipo de contrato, no qual o áudio e o vídeo do programa não serão distribuídos apenas pelo Spotify: também serão transmitidos pela Netflix, com as duas empresas combinando um pagamento estimado de US$ 100 milhões (R$ 510 milhões) a ele ao longo dos próximos três anos.
“Quando comecei, o vídeo não era algo normal para um podcast”, disse Shetty à Forbes. “Agora, tivemos os quatro maiores serviços de streaming disputando o programa. Ver esse nível de interesse e entusiasmo foi incrível — para mim e para a indústria como um todo.”
O impressionante em megacontratos como o de Shetty é que, ao contrário dos produtores de filmes, programas de TV ou outras formas de entretenimento, os podcasters mantêm a propriedade da propriedade intelectual original de seus programas. Isso significa que redes e plataformas estão pagando milhões apenas para licenciar o conteúdo, como distribuidoras e parceiras de vendas de publicidade, por um número determinado de anos. Esse é um dos motivos pelos quais gigantes premium do streaming, como Netflix, Hulu e Tubi, em grande parte ignoraram o crescimento da indústria na última década, permitindo que o YouTube se tornasse a maior plataforma de podcasts do mundo. Mas, a partir de 2025, na esperança de reduzir a vantagem do YouTube em tempo de engajamento, os serviços de streaming fizeram uma entrada de peso no setor.
Profissionais envolvidos em negociações do setor dizem que, depois que as primeiras ofertas da Netflix, de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões (R$ 5,1 milhões a R$ 10,2 milhões) para os principais podcasts, foram amplamente rejeitadas, a plataforma adotou uma estratégia semelhante à que usou anteriormente para conquistar participação de mercado na televisão roteirizada: pagar acima do mercado para atrair talentos das plataformas que já dominavam o setor. Ofertas de US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) ou mais por ano — em contratos experimentais de um ou dois anos — acabaram convencendo programas de destaque do Spotify, da iHeart e da Barstool Sports a assinar com a empresa. A Goalhanger, rede de podcasts do Reino Unido, teria fechado com a Netflix por US$ 19 milhões (R$ 96,9 milhões) para transmitir apenas 40 episódios de seu talk show diário The Rest Is Football durante a Copa do Mundo.
“Pensamos nos videocasts como um talk show moderno”, disse o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, durante a apresentação de resultados da empresa no início deste ano. “Mas, em vez de ter um único programa definido por uma marca, você tem centenas deles.”
Ainda assim, os podcasts estão em ascensão por causa de suas diferenças estruturais em relação à televisão tradicional. Eles são muito mais baratos de produzir, podem ser transmitidos durante todo o ano e obtêm a maior parte de sua receita de anúncios lidos pelos próprios apresentadores e inseridos nas gravações de áudio e vídeo. Nos programas de maior audiência e valor comercial, as marcas pagam preços elevados pelo endosso pessoal de um apresentador em quem o público confia ou para atingir um determinado perfil demográfico.
Joe Rogan é o podcaster mais bem pago do mundo, combinando a profunda confiança de seus ouvintes com uma escala gigantesca. Ele lança cerca de 15 episódios por mês e atrai mais de 80 milhões de downloads e visualizações, segundo um provedor de dados. Em 2024, o Spotify renovou seu contrato por três anos, em um acordo que pode chegar a US$ 250 milhões (R$ 1,275 bilhão).
Para a maioria dos podcasters, conseguir um contrato de mais de US$ 100 milhões (R$ 510 milhões) como o de Shetty com uma das grandes redes — principalmente Spotify, SiriusXM ou iHeart — continua sendo o prêmio máximo. Os contratos são pagos como um adiantamento garantido, com um modelo de participação na receita para quaisquer lucros adicionais gerados acima desse ponto de equilíbrio. A competição entre as redes, porém, é o que faz com que as garantias ultrapassem US$ 30 milhões (R$ 153 milhões) por ano para um pequeno grupo de talentos de elite. Nesse nível, é improvável que a venda de publicidade gere muito lucro para as redes nesses programas, se é que gera algum. “Em teoria”, diz um importante advogado de talentos, “se o cliente consegue recuperar o valor do contrato, você fez um mau negócio.”
Ainda assim, as redes justificam seus maiores contratos de outras maneiras, incluindo a aquisição de assinantes, a atração de patrocínios de grandes marcas e o uso dos talentos como embaixadores. Em junho, por exemplo, os principais podcasters da Wondery, Jason e Travis Kelce, apresentadores de New Heights, participaram de um painel da Amazon, empresa controladora da plataforma, no festival Cannes Lions.
Enquanto isso, os talentos estão usando seus megacontratos e o controle sobre a propriedade intelectual para criar minirredes de programas sob seus próprios guarda-chuvas, como a Unwell, de Alex Cooper, na SiriusXM, ou a Black Effect Podcast Network, de Charlamagne Tha God, na iHeart. Essas redes permitem que os talentos gerem receita adicional ao exigir que os patrocinadores anunciem em toda a programação para conseguir espaço no programa principal. Até o momento, porém, tem sido difícil para essas redes lideradas pelos próprios talentos criarem novos sucessos e, como precisam arcar do próprio bolso com todos os custos de produção e despesas operacionais, algumas empresas registraram demissões, como a Crooked, e alta rotatividade de funcionários, como a Unwell. Redes independentes, como a Flight Story, de Steven Bartlett, ou a The Joe Budden Network, tiveram mais sucesso na construção gradual de seus negócios.
Mesmo nas melhores circunstâncias, essas empresas existem menos pelo fluxo de caixa que conseguem gerar do que pelo ativo que podem se tornar. Bill Simmons vendeu sua rede de podcasts, a The Ringer, para o Spotify em 2020 por estimados US$ 200 milhões (R$ 1,02 bilhão), e Conan O’Brien fez o mesmo dois anos depois, recebendo cerca de US$ 150 milhões (R$ 765 milhões) da SiriusXM. Em abril, a OpenAI adquiriu o programa de tecnologia TBPN por estimados US$ 150 milhões (R$ 765 milhões) em dinheiro e ações, em uma operação que, segundo estimativa da Forbes, rendeu a seus apresentadores, John Coogan e Jordi Hays, quase US$ 70 milhões (R$ 357 milhões).
Shetty está adotando uma abordagem um pouco diferente com sua produtora, a Perfect Strangers, investindo em um pequeno grupo de projetos premium. Ele já tem alguns programas de TV roteirizados e não roteirizados em desenvolvimento — na Netflix, talvez não por coincidência — e é produtor de Friends Keep Secrets, um podcast que mistura gêneros e no qual os apresentadores Benny Blanco, Dave Burd (mais conhecido como Lil Dicky) e Kristin Batalucco recebem celebridades enquanto são filmados por câmeras e microfones escondidos espalhados pela casa. O programa foi escolhido pelos editores do Spotify como um dos melhores podcasts novos do ano.
“As pessoas costumam dizer: ‘Ah, se você fez tudo isso [com o podcast], por que está fazendo outras coisas?’”, diz Shetty. “E eu respondo: ‘Não, você fez tudo isso para poder fazer tudo o que quisesse fazer.’ Esse é o sonho de ser empreendedor.”
Os podcasters mais bem pagos de 2026
1. Joe Rogan
The Joe Rogan Experience (Spotify): US$ 82 milhões (R$ 418,2 milhões)
Sentar-se diante do comediante e comentarista do UFC de 58 anos para conversas de três horas em seu estúdio com cortinas vermelhas em Austin, no Texas, tornou-se quase um rito de passagem para qualquer pessoa, de atores promovendo um filme a políticos concorrendo à Presidência. E, independentemente de o apoio de Rogan a Donald Trump em 2024 ter influenciado ou não o resultado da eleição — como disse à Forbes seu amigo Dana White —, a ampla repercussão em torno disso comprova não apenas o poder de Rogan, mas também a legitimidade do podcast como formato.

2. John Coogan, Jordi Hays
TBPN (OpenAI): US$ 70 milhões (R$ 357 milhões)
Pouco menos de um ano e meio depois de lançarem o que esperavam que fosse a “ESPN das notícias de tecnologia”, a OpenAI comprou a Technology Business Programming Network (TBPN), de 11 funcionários, por estimados US$ 150 milhões (R$ 765 milhões) em dinheiro e ações. O fundador da OpenAI, Sam Altman, havia investido anteriormente na primeira empresa de John Coogan, a Soylent, e Chris Erwin, analista da Rockwater, classificou o negócio como uma operação de “acqui-hire” — quando uma empresa é adquirida principalmente para incorporar sua equipe — para a startup de inteligência artificial em rápido crescimento, justamente em um momento em que ela em breve precisará estreitar o diálogo com reguladores e investidores por causa de sua futura abertura de capital. Ainda assim, o crescimento acelerado do programa, de US$ 5 milhões (R$ 25,5 milhões) em publicidade no primeiro ano para uma receita projetada de US$ 30 milhões (R$ 153 milhões) no segundo, mostra que o perfil demográfico da audiência de um programa pode ser tão importante quanto seu tamanho.

3. Steven Bartlett
The Diary of a CEO (Independente): US$ 45 milhões (R$ 229,5 milhões)
No primeiro trimestre de 2026, o programa corporativo de entrevistas The Diary of a CEO, de Bartlett, registrou o maior trimestre de receita de seus nove anos de história, impulsionando os negócios do portfólio empresarial do britânico de 33 anos, avaliado em US$ 425 milhões (R$ 2,1675 bilhões) no outono passado em uma rodada de investimento com investidores de private equity, entre eles Slow Ventures e Apeiron Investment Group. Integrante da lista 30 Under 30 Europe de 2020, Bartlett também aparecerá na televisão americana neste outono como jurado convidado do Shark Tank, depois de várias participações na versão britânica do programa, Dragon’s Den, em seu país natal, a Inglaterra.

4. Ashley Flowers
Crime Junkie (Red Seat Ventures/Tubi): US$ 42 milhões (R$ 214,2 milhões)
A atual rainha do true crime, Flowers, de 36 anos, é coapresentadora de Crime Junkie e fundadora da Audiochuck, que assinou em outubro passado um acordo de distribuição de US$ 150 milhões (R$ 765 milhões) com subsidiárias da Fox, Tubi, para distribuição em vídeo, e Red Seat Ventures, para vendas de publicidade. Embora pessoas do setor digam que a maior parte da receita esteja ligada ao principal programa de Flowers, a Tubi desenvolverá um canal FAST de Crime Junkie — televisão gratuita com suporte de publicidade — para distribuir vários programas da Audiochuck, e a empresa também continuará distribuindo o conteúdo simultaneamente no YouTube.

5. Will Arnett, Jason Bateman, Sean Hayes
SmartLess (SiriusXM): US$ 37 milhões (R$ 188,7 milhões)
O que começou como uma brincadeira durante a pandemia de 2020 se transformou em um império empresarial legítimo e em expansão para os apresentadores de SmartLess, que desde então lançaram outros quatro programas sob o guarda-chuva da SiriusXM, além da rede móvel SmartLess Mobile, em junho do ano passado. Os anunciantes adoram o conteúdo considerado seguro para marcas e a lista de convidados estrelados, formada ao longo das décadas de carreira dos três no show business. Os episódios semanais não prejudicaram suas carreiras individuais — Bateman, por exemplo, está indicado a quatro Emmys neste outono —, embora os ganhos desses projetos não estejam incluídos aqui.

6. Mel Robbins
The Mel Robbins Podcast (SiriusXM): US$ 35 milhões (R$ 178,5 milhões)
O negócio da autora e palestrante motivacional explodiu desde o lançamento de The Let Them Theory, no fim de 2024, com mais de 10 milhões de cópias vendidas e um crescimento tão expressivo da audiência de seu podcast que a SiriusXM renegociou seu contrato no meio do prazo para pagar mais. Robbins, de 57 anos, também levou seu programa de autoajuda para a estrada, com episódios ao vivo esgotados em cinco estados e um patrocínio da Microsoft Copilot.

7. Jason e Travis Kelce
New Heights (Amazon Wondery): US$ 35 milhões (R$ 178,5 milhões)
O momento não poderia ter sido melhor para os irmãos Kelce, que começaram o podcast no outono de 2022. Naquela temporada, o Philadelphia Eagles, de Jason, enfrentou o Kansas City Chiefs, de Travis, no Super Bowl LVII e, mais tarde naquele verão, Travis começou a namorar a maior estrela pop do planeta, Taylor Swift. Esses acontecimentos e um fluxo constante de convidados famosos levaram New Heights ao topo das paradas de podcasts, culminando em um contrato de três anos e US$ 100 milhões (R$ 510 milhões) com a Amazon Wondery, em agosto de 2024. Agora, os irmãos Kelce cobram valores muito elevados por anúncios personalizados tanto nos episódios quanto nos clipes publicados nas redes sociais.

8. Alex Cooper
Call Her Daddy (SiriusXM): US$ 32 milhões (R$ 163,2 milhões)
Quando a apresentadora de Call Her Daddy, de 31 anos, assinou um enorme contrato com a SiriusXM em agosto de 2024, reconheceu a responsabilidade que acompanhava o acordo de três anos, com incentivos e valor potencial total de US$ 125 milhões (R$ 637,5 milhões). “Existe muita pressão sobre mim para manter isso avançando”, disse à Forbes a integrante da lista 30 Under 30 de 2022, “mas eu amo a pressão”. Essa pressão só aumentou desde então, com a rede Unwell rompendo com sua segunda apresentadora mais popular, Alix Earle, e enfrentando relatos da Vanity Fair sobre um ambiente de trabalho tóxico. A Unwell ainda opera dois canais de rádio via satélite e usa seu acordo com a Sirius para continuar expandindo sua atuação em outras produções de TV, incluindo o especial de reunião de Hannah Montana para o Disney+ neste ano.

9. Jon Favreau, Jon Lovett, Dan Pfeiffer e Tommy Vietor
Pod Save America (Audioboom): US$ 28 milhões (R$ 142,8 milhões)
Três dos apresentadores de Pod Save America — Favreau, Lovett e Vietor — fundaram a empresa de mídia multiplataforma de esquerda Crooked Media em 2017 e usaram um grande acordo com a SiriusXM em 2022 para expandir a equipe para mais de 100 funcionários. Em fevereiro, a Crooked deixou a distribuidora e migrou para a Audioboom, assumindo internamente uma parcela maior de suas operações. Ao mesmo tempo, também assinou um contrato com a MS NOW que colocará episódios condensados dos programas da Crooked na televisão linear.

10. Charlamagne Tha God
The Breakfast Club (iHeart/Netflix): US$ 27 milhões (R$ 137,7 milhões)
Em dezembro, o apresentador de The Breakfast Club, de 48 anos, renovou um amplo acordo com a iHeartMedia no valor de até US$ 200 milhões (R$ 1,02 bilhão) ao longo dos próximos cinco anos. O contrato cobre não apenas seu trabalho de rádio e podcast no ar, mas também o financiamento da The Black Effect Podcast Network, da qual ele possui 51% em uma joint venture com a iHeart. Ele disse à Forbes que quer transformar a rede na “BET dos podcasts” e já lançou mais de 60 programas. Separadamente do contrato renovado, Charlamagne também é coapresentador de The Brilliant Idiots, com o comediante de stand-up Andrew Schulz, e recebeu um grande pagamento da Netflix por seu principal programa diário matinal, que pessoas do setor disseram à Forbes ser o podcast mais visto da plataforma até agora neste ano. Em 2027, ele receberá uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

11. Dax Shepard
Armchair Expert (Amazon Wondery): US$ 25 milhões (R$ 127,5 milhões)
Como parte da onda de gastos da Wondery com podcasts em 2024, a subsidiária da Amazon tirou do Spotify o talk show de celebridades inspirado em terapia apresentado pelo ator de 51 anos, em um amplo acordo que incluiu distribuição, vendas de publicidade, direitos de merchandising e planos para lançar dois novos podcasts e uma transmissão ao vivo anual. O primeiro deles, Mom’s Car, estreou em 2025.

13. Bill Simmons
The Bill Simmons Podcast (Spotify/Netflix): US$ 22 milhões (R$ 112,2 milhões)
O “Podfather” foi um dos primeiros a apostar no formato quando lançou seu influente programa de entrevistas e debates esportivos em 2007, então como funcionário da ESPN. Depois de uma turbulenta e famosa separação da emissora, Simmons, de 56 anos, fundou a rede The Ringer em 2016 e a vendeu quatro anos depois por estimados US$ 200 milhões (R$ 1,02 bilhão). Atualmente, ele ocupa o cargo de chefe de estratégia de talk shows do Spotify e foi o primeiro grande podcast a aparecer na Netflix, em janeiro.

14. Jay Shetty
On Purpose (Spotify/Netflix): US$ 21 milhões (R$ 107,1 milhões)
Quando chegou o momento de renovar seu podcast, o ex-monge e atual empreendedor do setor de bem-estar recebeu ofertas de US$ 100 milhões (R$ 510 milhões) de quatro interessados diferentes, acabando por fechar um novo acordo combinado com Spotify e Netflix, que fará com que ele suba no ranking nos próximos anos. Shetty, de 38 anos, integrante da lista 30 Under 30 de 2017, relançou On Purpose em julho com uma entrevista com a estrela da Netflix Millie Bobby Brown.

15. Joe Budden
The Joe Budden Podcast (Independente): US$ 20 milhões (R$ 102 milhões)
Com mais de 70 mil assinantes pagos, o ex-rapper de 45 anos tem o maior podcast do Patreon, onde os fãs pagam diretamente para ouvi-lo discutir cultura hip-hop com seu grupo de convidados. Ao lado do sócio Ian Schwartzman, ele construiu uma rede totalmente independente e atualmente trabalha em uma plataforma de tecnologia com ferramentas de construção de comunidades que espera licenciar para outros criadores. Em agosto, a rede acrescentará dois novos programas. Schwartzman apresentará um programa de entrevistas com executivos em parceria com o Yahoo Finance, e Budden lançará um podcast de true crime em parceria com Dick Wolf, criador de Law & Order.

16. Tucker Carlson
The Tucker Carlson Show (Red Seat Ventures): US$ 20 milhões (R$ 102 milhões)
Desde que deixou a Fox News, em 2023, o controverso comentarista político de 57 anos montou sua operação independente com o apoio da Red Seat Ventures, empresa que também apoia as ex-estrelas da Fox News Megyn Kelly e Bill O’Reilly. Uma assinatura da Tucker Carlson Network custa US$ 9 (R$ 45,9) por mês e dá acesso a conteúdos que vão de entrevistas com Donald Trump e Vladimir Putin a documentários, incluindo The 9/11 Files, e a monólogos recentes nos quais Carlson renuncia à sua associação com o Partido Republicano.

17. Scott Galloway
The Prof G Pod (Vox Media): US$ 19 milhões (R$ 96,9 milhões)
Depois de receber ofertas superiores a US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) por ano de várias redes em maio do ano passado, Galloway, professor de marketing da Universidade de Nova York, e sua coapresentadora no Pivot, Kara Swisher, decidiram apostar em si mesmos em um acordo de renovação com a Vox Media. O contrato não prevê garantia mínima e estabelece uma divisão de 70% da receita de publicidade, que, segundo estimativa da Forbes, gerou US$ 15 milhões (R$ 76,5 milhões) nos últimos 12 meses. Galloway amplia sua participação com um número crescente de programas sob a marca Prof G Media, incluindo The Prof G Pod, Prof G Markets e Raging Moderates, disseminando sua marca de comentários provocativos sobre economia e cultura.

18. Andrew Huberman
The Huberman Lab Project (Independente): US$ 18 milhões (R$ 91,8 milhões)
Embora sua audiência tenha sofrido um impacto após uma investigação publicada pela New York magazine em 2024, o professor de Stanford, de 50 anos, atravessou a turbulência e mantém seguidores interessados em suas pesquisas sobre neurociência popular e em suas conversas, além de uma presença relevante entre anunciantes de produtos relacionados à saúde, incluindo uma parceria anual de milhões de dólares com a fabricante de suplementos vitamínicos AG1. Huberman é um dos poucos grandes podcasters cuja operação funciona de maneira independente das principais redes.

19. Dan Katz, Eric Sollenberger
Pardon My Take (Barstool Sports/Netflix): US$ 18 milhões (R$ 91,8 milhões)
O principal programa da Barstool Sports, Pardon My Take, teve seus apresentadores — mais conhecidos como Big Cat e PFT Commenter — fechando um grande acordo com a Netflix em dezembro passado para levar o programa esportivo à plataforma e, talvez mais importante, retirá-lo do YouTube. A dupla também participa de um elenco rotativo de talentos no programa diário de televisão a cabo da Fox Sports 1, Wake Up Barstool.

20. Hannah Berner, Paige DeSorbo
Giggly Squad (Acast): US$ 18 milhões (R$ 91,8 milhões)
Depois de se conhecerem no reality show da Bravo Summer House, Berner, de 34 anos, e DeSorbo, de 33, construíram uma base de fãs feminina e engajada tanto para o programa — que está de olho em um novo contrato de grande valor neste outono — quanto para seus negócios individuais. Berner lançou um especial de comédia stand-up no Hulu em junho, enquanto DeSorbo tem sua própria linha de pijamas, Daphne, além de um programa separado de entrevistas em vídeo com o Amazon Prime Video.

Metodologia
O ranking estima o valor total recebido pelos talentos e/ou por suas empresas por meio de garantias mínimas, participação na receita, taxas pagas pelas plataformas e eventos ao vivo entre junho de 2025 e junho de 2026. Programas transmitidos ao vivo e distribuídos por sindicato para diversos mercados foram considerados programas de rádio — mesmo que posteriormente lançassem os episódios como podcasts — e os apresentadores de programas distribuídos exclusivamente pelo YouTube foram considerados criadores de conteúdo para a internet. Nenhum dos dois grupos foi incluído neste ranking.
As estimativas foram calculadas com base em entrevistas com agentes, advogados, empresários, executivos e especialistas do setor. Os valores representam ganhos antes de impostos especificamente relacionados ao trabalho com podcasts, embora muitos dos talentos da lista também obtenham receitas significativas com filmes, televisão, rádio, publicidade, empreendimentos empresariais, aparições pessoais, investimentos ou outras categorias. Honorários pagos a representantes — como agentes, empresários e advogados — não são descontados.
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com