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Saverin Perde R$ 64 Bilhões; Veja Quem Mais Ganhou e Perdeu Entre os Bilionários

Mesmo após a maior perda em valores absolutos da lista, o empresário continua no topo; Lemann e Ricardo Faria lideraram os ganhos

6 min

Nem mesmo uma perda de R$ 64,1 bilhões foi suficiente para tirar Eduardo Saverin do topo da Lista Forbes Bilionários Brasileiros de 2026. A fortuna do empresário caiu de R$ 227 bilhões para R$ 162,9 bilhões em um ano, uma redução de 28,2%.

Para se ter uma ideia, ele perdeu uma quantia maior do que todo o orçamento da cidade do Rio de Janeiro em 2026 que é R$59 bilhões. O valor também equivale a quase metade, 46,7%, do orçamento da cidade de São Paulo, a maior do Brasil. A Lei Orçamentária Anual (LOA) paulistana de 2026 é de R$ 137,4 bilhões.

Ainda assim, Saverin continua com uma vantagem de mais de R$ 30 bilhões sobre a segunda colocada, Vicky Safra e família, dona de patrimônio estimado em R$ 130,6 bilhões.

Na outra ponta, Jorge Paulo Lemann e Ricardo Castellar de Faria foram os que mais acrescentaram dinheiro ao patrimônio em valores absolutos entre os nomes com dados comparáveis. Cada um ganhou R$ 15,5 bilhões em relação à edição anterior da lista Forbes de bilionários. Lemann passou de R$ 88 bilhões para R$ 103,5 bilhões, enquanto Faria saltou de R$ 19,6 bilhões para R$ 35,1 bilhões.

A nova edição da revista Forbes traz os nomes dos 255 bilionários do Brasil, com patrimônio combinado de R$ 1,862 trilhão.

Por que Saverin perdeu R$ 64,1 bilhões

O principal motivo é o desempenho das ações da Meta/Facebook. Os papéis recuaram cerca de 16% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, em meio ao aumento da competição entre empresas de inteligência artificial.

O empresário, de 44 anos, também é dono da B Capital, focada em investimentos em startups. Em julho, a gestora anunciou o Ascent Fund III, que captou US$ 500 milhões para investir em empresas de inteligência artificial, principalmente nas áreas de saúde e energia na América do Norte e na Ásia.

Entre outros recuos relevantes da lista está o de Alexandre Grendene Bartelle, cuja fortuna caiu de R$ 20,5 bilhões para R$ 12,1 bilhões. A redução foi de R$ 8,4 bilhões, ou 41%, e fez o empresário cair da 20ª para a 30ª colocação. Além de sua participação na Grendene, Bartelle mantém investimentos em móveis, siderurgia, hotelaria e comunicação e, por meio da Nova Milano Investimentos, controla a Even.

Também perderam patrimônio nomes como Ilson Mateus Rodrigues, do Grupo Mateus, cuja fortuna passou de R$ 7,7 bilhões para R$ 3,5 bilhões, uma redução de R$ 4,2 bilhões. Ele despencou da 34ª para a 107ª posição. O empresário é presidente e principal acionista do Grupo Mateus, rede que abriu o capital em 2020.

Jayme Garfinkel, da Porto, viu o patrimônio recuar de R$ 17,5 bilhões para R$ 13,6 bilhões, perda de R$ 3,9 bilhões. Já a fortuna de Carlos Alberto Sicupira caiu R$ 3,7 bilhões, de R$ 39,1 bilhões para R$ 35,4 bilhões, levando o empresário da sexta para a nona posição. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, tiveram redução de R$ 3,1 bilhões cada, para R$ 21,9 bilhões.

Ricardo Faria ganha R$ 15,5 bilhões e entra no top 10

Se Saverin protagonizou a maior perda, Ricardo Castellar de Faria foi uma das grandes histórias de ascensão da edição de 2026. A fortuna do empresário da Granja Faria avançou de R$ 19,6 bilhões para R$ 35,1 bilhões, aumento de R$ 15,5 bilhões, ou 79%. Com isso, ele saiu da 21ª posição e entrou diretamente no top 10, em décimo lugar.

Faria fundou a Granja Faria em 2006. A empresa se tornou a maior produtora brasileira de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia, segundo a Forbes, com aproximadamente 2.700 funcionários, 34 unidades produtoras e produção de aproximadamente 16 milhões de ovos por dia.

O empresário acelerou a internacionalização nos últimos anos. Em 2024, por meio da Global Eggs, comprou a norte-americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão e, no ano seguinte, adquiriu o Grupo Hevo, da Espanha.

Lemann também acrescenta R$ 15,5 bilhões à fortuna

Em valores absolutos, Faria divide a liderança dos ganhos com Jorge Paulo Lemann. A fortuna do empresário subiu de R$ 88 bilhões para R$ 103,5 bilhões, avanço de R$ 15,5 bilhões, ou 17,6%. Lemann permaneceu na terceira posição do ranking.

O empresário mantém participações na AB InBev e na Restaurant Brands International, dona de marcas como Burger King e Tim Hortons. A 3G Capital voltou às grandes aquisições em maio de 2025, quando comprou a fabricante norte-americana de calçados Skechers por cerca de US$ 9,4 bilhões.

Logo atrás dos dois aparece André Esteves, do BTG Pactual. Sua fortuna aumentou R$ 15,1 bilhões, de R$ 51 bilhões para R$ 66,1 bilhões. O banco registrou lucro líquido ajustado recorde de R$ 15,9 bilhões em 2025 e suas ações avançaram 33% nos 12 meses até 30 de junho, segundo a Forbes.

Vicky Safra e família e Fernando Roberto Moreira Salles ganharam R$ 10,1 bilhões cada. A fortuna dos Safra chegou a R$ 130,6 bilhões, enquanto a de Fernando Moreira Salles avançou para R$ 50,3 bilhões. Pedro Moreira Salles ganhou R$ 8,6 bilhões, chegando a R$ 46,6 bilhões.

Quem mais ganhou em percentual

Quando a comparação é feita proporcionalmente ao tamanho da fortuna, outro nome aparece na liderança.

Dulce Pugliese de Godoy Bueno e família tiveram patrimônio estimado em R$ 4,8 bilhões em 2026, ante R$ 2,3 bilhões no ano anterior. O avanço de R$ 2,5 bilhões representa uma alta de 108,7%, ou seja, a fortuna mais do que dobrou. Ela saltou da 160ª para a 83ª posição.

Dulce fundou a Amil em 1972 com o então marido Edson de Godoy Bueno. Após o divórcio, deixou a administração cotidiana da companhia, mas manteve participação acionária relevante.

Ricardo Faria vem na sequência entre os grandes avanços percentuais dos patrimônios comparáveis, com alta de 79,1%.

Como a Forbes calcula as fortunas


A lista Forbes Bilionários Brasileiros considera várias fontes para apontar que alguém atingiu a fortuna de R$ 1 bilhão ou mais. A informação mais importante são as ações listadas em bolsa, com base na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. Além de públicos, esses dados são oficiais e auditados. Uma vez que a lista considera apenas as informações públicas, os patrimônios podem estar subestimados. Na maioria dos casos não são considerados itens como imóveis, obras de arte, aviões ou embarcações, exceto se o participante da lista concordar em fornecer dados confiáveis sobre eles. Dependendo do caso, o patrimônio de irmãos ou familiares pode ser consolidado ou separado.
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