1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Investidores Processam Selena Gomez por Fraude na Wondermind
Forbes Money

Investidores Processam Selena Gomez por Fraude na Wondermind

Aplicadores dizem ter aportado quase US$ 1,2 milhão com base em parcerias e receitas que nunca existiram

6 min

Investidores da Wondermind, startup de saúde mental de Selena Gomez que enfrenta dificuldades financeiras, processaram a cantora, sua mãe e uma das cofundadoras da empresa na Justiça federal dos Estados Unidos na quinta-feira (13).

Eles acusam as rés de fraude com valores mobiliários por terem prometido iniciativas que nunca saíram do papel sem informar adequadamente os investidores, cujo dinheiro estaria, segundo a ação, “financiando o colapso” da companhia.

A Wondermind SRS 44 e a Bespoke Wondermind SPV, afirmam ter investido quase US$ 1,2 milhão (R$ 6,264 milhões) na startup de Gomez.

As autoras do processo afirmam que investiram na empresa porque receberam informações falsas de que a Wondermind possuía a infraestrutura necessária para operar, incluindo uma liderança adequada, parcerias e contratos publicitários. Segundo elas, essas “declarações eram falsas”.

Os investidores citaram umareportagem publicada pelo The Cut em setembro de 2025, que detalhou acusações de má gestão da empresa e abuso de substâncias por Mandy Teefey, mãe de Gomez, além de supostas tentativas da cantora de se afastar da companhia em meio a um alegado desentendimento com a mãe.

O processo também menciona umareportagem da Forbesque constatou que Daniella Pierson, cofundadora da Wondermind e uma das rés na ação, havia exagerado os números de leitores e a avaliação de mercado de sua newsletter sobre estilo de vida. Segundo a denúncia, após a publicação da reportagem, Teefey teria dito aos investidores que Pierson havia “se apropriado indevidamente de recursos dos investidores”.

A acusação de fraude com valores mobiliários sustenta que a empresa fez diversas declarações enganosas, incluindo a de que Gomez estaria “intimamente envolvida” com a companhia. Os autores também questionam as informações fornecidas sobre a experiência empresarial de Pierson, a capacidade de Teefey para exercer um cargo de liderança e a trajetória de crescimento da Wondermind.

“As parcerias não existiam. As iniciativas nunca se concretizaram. O aplicativo nunca foi desenvolvido. E, durante três anos, enquanto a empresa desmoronava silenciosamente ao redor deles, nenhum de seus fundadores, executivos ou diretores disse uma palavra aos investidores cujo dinheiro financiava o colapso”, afirmam os autores na ação.

O que diz o processo?

Os investidores da Wondermind afirmam que foram repetidamente induzidos ao erro pela empresa e por seus fundadores.

Eles citam uma reunião com Pierson em maio de 2022 e uma troca de e-mails no mês seguinte. Nessas ocasiões, ela teria apresentado informações enganosas sobre seu próprio sucesso empresarial e afirmado que a Wondermind já havia fechado parcerias com JP Morgan e Fidelity.

Segundo o processo, Pierson também teria dito que a companhia esperava gerar US$ 5 milhões (R$ 26,1 milhões) em receita publicitária apenas naquele ano e que já havia alcançado 150 mil assinantes.

Com base nesses números, Pierson enviou aos investidores um documento indicando que a avaliação de mercado da companhia poderia, no futuro, ultrapassar US$ 4 bilhões (R$ 20,88 bilhões). A ação sustenta que essas informações eram falsas e que os investidores só tomaram conhecimento dos problemas na Wondermind quando a Forbes publicou uma reportagem revelando que Pierson havia exagerado seu histórico de sucesso empresarial.

Os investidores afirmam que, depois disso, pediram explicações a Teefey. Segundo o processo, ela alegou que Pierson havia se apropriado indevidamente de recursos da empresa para pagar o aluguel de seu apartamento em Nova York e outras despesas pessoais. A ação observa ainda que alguns dos principais projetos da Wondermind, incluindo um aplicativo, nunca foram concretizados. Os autores também acusam as rés de continuar apresentando informações enganosas sobre a situação da empresa até abril deste ano.

Do que as rés são acusadas?

As três rés, assim como a própria Wondermind, são acusadas de fraude com valores mobiliários por supostamente terem apresentado informações enganosas sobre as finanças da companhia.

A ação também afirma que elas teriam exagerado o grau de envolvimento que Gomez teria na empresa como sua “chefe de marketing” e fornecido informações falsas sobre a capacidade de Teefey para exercer funções de liderança e sobre a trajetória profissional de Pierson.

Segundo a acusação, as rés sabiam que as iniciativas da empresa “não existiam, não eram viáveis ou seriam inviabilizadas pelo uso de recursos dos investidores pelas rés para fins não relacionados aos negócios”.

Pierson é a única ré citada em outra acusação de fraude com valores mobiliários. Nesse caso, ela é acusada de fornecer informações falsas aos investidores sobre a trajetória de crescimento da Wondermind com o objetivo de incentivá-los a comprar ações da companhia.

Ela também é acusada individualmente de apropriação indevida e enriquecimento sem causa, ambos relacionados ao suposto uso de recursos dos investidores para fins pessoais. Todas as rés são acusadas de terem induzido fraudulentamente os autores a investir na empresa. A Wondermind, por sua vez, também responde por quebra de contrato.

O que sabemos sobre a Wondermind?

Gomez e suas sócias lançaram a Wondermind em 2022. A empresa foi criada com a filosofia de que cuidar da saúde mental exige dedicação diária, assim como a prática de exercícios físicos. A companhia prometia produtos como um site e um aplicativo com artigos, entrevistas e orientações sobre saúde mental.

Anos depois, porém, começaram a surgir sinais de dificuldades. Em maio de 2025, aForbes informouque a empresa havia ficado sem dinheiro e deixado de pagar seus funcionários no mês anterior.

Teefey teria informado aos empregados que havia contraído um empréstimo para manter a companhia funcionando. Na ocasião, um porta-voz afirmou à Forbes que a situação havia sido “corrigida”, embora tenha reconhecido que a empresa enfrentava “dores do crescimento”. Poucos dias depois, a Forbes noticiou que a Wondermind havia demitido quase dois terços de seus funcionários.

Uma reportagem publicada pelo The Cut em setembro de 2025, baseada em entrevistas com funcionários e ex-funcionários, afirmou que Teefey apresentava “comportamento errático”. Algumas fontes alegaram que ela estava “às vezes intoxicada” no trabalho. Teefey negou essa acusação.

Segundo a reportagem, Teefey já sabia em 2023 que a situação financeira da empresa era insustentável. Ela e Gomez teriam investido US$ 8 milhões (R$ 41,76 milhões) do próprio dinheiro para manter a Wondermind em funcionamento.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.