
A fabricante chinesa de robôs humanoides Unitree Robotics viu suas ações dispararem até 629% durante sua estreia no mercado de Xangai, nesta quarta-feira — uma alta impressionante que elevou o patrimônio líquido de Wang Xingxing, presidente e CEO da empresa, aos US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões).
As ações posteriormente reduziram parte dos ganhos e eram negociadas a 883 yuans (US$ 131; R$ 655) cada no fechamento da manhã. Wang, de óculos e fala mansa, que também ocupa o cargo de diretor de tecnologia da empresa, entrou pela primeira vez para o grupo de bilionários com patrimônio na casa dos dez dígitos no início de agosto, quando a fabricante de robôs sediada em Hangzhou levantou 6,1 bilhões de yuans (US$ 4,05 bilhões; R$ 20,25 bilhões) com a venda de 40,4 milhões de ações a 150,8 yuans cada. A parcela da oferta pública inicial destinada aos investidores de varejo teve uma demanda mais de 5.500 vezes superior à oferta. A Forbes estima que a participação de Wang valia US$ 2,4 bilhões (R$ 12 bilhões) na época. A empresa não respondeu a um pedido de comentário.
O entusiasmo dos investidores aumentou à medida que compradores se lançaram sobre uma das empresas chinesas consideradas campeãs nacionais de tecnologia. Embora os usos práticos de seus robôs humanoides ainda sejam limitados, o mercado aposta no potencial da companhia em meio ao apoio do governo a setores avançados, que vão da robótica aos semicondutores, afirma Shen Meng, diretor-gerente do banco de investimento boutique Chanson & Co., com sede em Pequim.
“Uma alta de 629% está dentro das expectativas”, diz Shen. “Mas os robôs humanoides da Unitree são usados principalmente para pesquisa, ensino e apresentações.”

No prospecto, a empresa destacou que todo o setor de robôs humanoides ainda está em um estágio inicial de comercialização. No curto prazo, seus humanoides serão utilizados principalmente em pesquisa e desenvolvimento, além de apresentações em palcos. O objetivo de longo prazo é fazer com que eles auxiliem em trabalhos industriais e também em tarefas domésticas, à medida que os custos dos equipamentos caiam e os avanços em inteligência artificial tornem as máquinas mais inteligentes.
O potencial pode ser enorme. Lideradas por China e Estados Unidos, as remessas globais de robôs humanoides devem saltar de 20 mil unidades no ano passado para 1,2 milhão de unidades até 2030, formando um mercado de US$ 37 bilhões (R$ 185 bilhões) em menos de cinco anos, segundo relatório da BofA Global Research publicado em abril. À medida que suas capacidades melhorarem, as máquinas serão “gradualmente adotadas em ambientes industriais e comerciais nos próximos três a quatro anos”, aponta o relatório.
No ano passado, a receita da Unitree disparou mais de 300% em relação ao ano anterior, para 1,7 bilhão de yuans (US$ 1,13 bilhão; R$ 5,65 bilhões), enquanto o lucro líquido quase triplicou, para 278,2 milhões de yuans (US$ 184,8 milhões; R$ 924 milhões), segundo o prospecto da empresa. Seus robôs humanoides têm preço médio de venda de 166.400 yuans (US$ 110.531; R$ 552.655).
Ainda assim, a Unitree enfrenta obstáculos, incluindo riscos geopolíticos, à medida que expande seus negócios. O governo Trump anunciou, em julho, uma proibição à importação de novos robôs humanoides chineses e cães-robôs quadrúpedes. A empresa, que no ano passado gerou mais de 10% de suas vendas nos Estados Unidos, afirma no prospecto que a proibição não se aplica aos produtos que já comercializa no país, mas que precisa de aprovação do governo americano para os modelos mais novos.
A empresa, cujos robôs dançarinos conquistaram a atenção do público chinês desde que se apresentaram nas galas do Festival da Primavera da China de 2025 e 2026, lançou um robô de alta velocidade chamado “Superman” pouco antes de sua estreia no mercado. O produto pode saltar a uma altura de dois metros e atingir velocidade máxima de 12,66 metros por segundo — superando recordes humanos, segundo a empresa.
No início deste ano, a companhia agitou as redes sociais chinesas ao apresentar o GD01, um robô de três metros de altura e transformável, capaz de transportar um piloto humano em sua cabine, com preço a partir de US$ 650 mil (R$ 3,25 milhões). Em seu registro, a empresa apresenta o produto como uma ferramenta capaz de se adaptar a ambientes complexos.
*Matéria publicada originalmente em Forbes.com