A Votorantim fechou um acordo definitivo para vender sua participação de controle na Nexa Resources para a mineradora sueca Boliden, segundo comunicados divulgados pelas empresas nesta quinta-feira (27). A operação atribui à fatia da holding brasileira um valor implícito de US$ 1,31 bilhão.
A transação será feita por meio de uma troca de ações. Para cada papel da Nexa entregue à Boliden, a Votorantim receberá 0,250 nova ação da companhia sueca. Com a conclusão do negócio, a Boliden ficará com 64,68% das ações e dos direitos de voto da Nexa, tornando-se sua controladora. A Votorantim, por sua vez, receberá 21,4 milhões de novas ações da Boliden e passará a deter aproximadamente 7% do capital da empresa sueca.
Pelos preços considerados na operação, cada ação da Nexa pertencente à Votorantim foi avaliada em US$ 15,29. O acordo implica ainda um valor de mercado de aproximadamente US$ 2,025 bilhões para 100% da Nexa e um valor da firma, que considera também dívida e outras obrigações, de US$ 3,666 bilhões.
A Votorantim também terá o direito de indicar um representante para o conselho de administração da Boliden, condicionado aos termos do acordo e à aprovação exigida pela legislação sueca para investimentos estrangeiros.
Apesar do anúncio, a venda ainda não está concluída. O fechamento está previsto para o primeiro trimestre de 2027 e depende, entre outras condições, da aprovação dos acionistas da Boliden, da aprovação pelos acionistas da Nexa de um novo conselho de administração e do aval das autoridades regulatórias.
Após assumir o controle, a Boliden deverá lançar uma oferta voluntária para comprar em dinheiro as ações da Nexa que permanecerem nas mãos dos minoritários. Hoje, esse grupo detém 35,32% da companhia. A oferta deverá começar em até 30 dias após a conclusão da transação, podendo o prazo chegar a 60 dias em determinadas circunstâncias. O preço será calculado com base na mesma relação de troca acordada com a Votorantim e na cotação média das ações da Boliden nos 20 pregões anteriores ao fechamento.
A Nexa informou que continuará existindo como uma companhia separada, constituída em Luxemburgo, e deverá manter suas ações negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE). A Boliden pretende exercer o controle por meio do conselho de administração da mineradora, que deverá ter sete integrantes, dos quais quatro ligados ao grupo sueco. A expectativa também é de manutenção de grande parte da atual administração da Nexa.
“Estamos satisfeitos em anunciar a transação proposta com a Boliden”, afirmou Ignacio Rosado, CEO da Nexa, que destacou a complementaridade entre as operações das duas empresas. Durante o processo, segundo o executivo, a companhia continuará concentrada na operação dos ativos no Brasil e no Peru.
A Nexa é uma produtora integrada de metais com foco em zinco e possui operações no Brasil e no Peru. A empresa opera cinco minas polimetálicas, sendo duas no Brasil, além de três fundições de zinco. As unidades brasileiras de fundição ficam em Três Marias e Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Para a Boliden, a aquisição ampliará sua presença em zinco e prata e marcará sua entrada em operações de mineração e fundição na América Latina. Após a conclusão, a companhia sueca prevê operar, considerando a Nexa, um portfólio de 12 unidades de mineração e oito fundições na Europa e na América Latina.