1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Rio Tem PIB de R$ 1,3 Tri. Por Que a Economia Não Decola?
Forbes Money

Rio Tem PIB de R$ 1,3 Tri. Por Que a Economia Não Decola?

Segunda maior economia do país convive com dívida elevada, perda industrial, dependência do petróleo e entraves à atração de novos investimentos

18 min

O estado do Rio de Janeiro tem a segunda maior economia do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Em 2024, o PIB fluminense foi estimado em cerca de R$ 1,3 trilhão, segundo a Firjan. Já o último dado oficial do IBGE, referente a 2023, aponta um PIB de R$ 1,17 trilhão.

De acordo com dados da PNAD Contínua do IBGE referentes a 2025, o rendimento domiciliar per capita do Rio chegou aR$ 2.794, acima da média nacional, deR$ 2.316, e de estados como o Maranhão, onde o valor foi deR$ 1.219. No Distrito Federal, o rendimento alcançou R$ 4.538; em São Paulo, R$ 2.956; e, no Paraná, R$ 2.762.

Em relação à renda, o Rio permanece entre os estados com os maiores rendimentos do trabalho do país. No ano passado, o rendimento médio mensal ficou em R$ 4.177 no estado, terceiro maior valor entre as 27 Unidades da Federação, atrás apenas do Distrito Federal (R$ 6.320) e de São Paulo (R$ 4.190). A média nacional ficou emR$ 3.560, de acordo com a PNAD Contínua do IBGE. Ou seja, o rendimento médio do trabalho no estado ficou em torno de 17% acima da média brasileirano ano.

Apesar do peso econômico, o Rio enfrenta desafios estruturais que dificultam transformar essa riqueza em crescimento mais consistente, geração de empregos e aumento da renda. Um dos principais gargalos da está nas contas públicas.

Ao fim de 2025, aDívida Consolidada Líquida (DCL) chegou a R$ 218,4 bilhões, o equivalente a217,25% da Receita Corrente Líquida (RCL) ajustada, de R$ 100,53 bilhões. O percentual ficou acima dolimite de 200% da RCL estabelecido pelo Senado Federalpara os estados, uma diferença de17,25 pontos percentuaisem relação ao teto.

A trajetória ao longo do ano passado mostrou o aumento da pressão sobre as contas. No primeiro quadrimestre de 2025, a dívida líquida correspondia a198,82% da RCL, ou R$ 193,4 bilhões, ainda abaixo do limite de 200%. No fechamento do ano, a relação havia avançado para 217,25%.

A rigidez orçamentária é outro fator. Em 2025, adespesa total (quanto o governo gasta comservidores públicos ativos, aposentados, pensionistas e outras despesas relacionadas à folha de pagamento, conforme os critérios da Lei de Responsabilidade Fiscal) alcançou R$ 56,72 bilhões ou 56,45% da RCL ajustada. O percentual ficou abaixo dolimite máximo de 60%e dolimite prudencial de 57%, mas acima dolimite de alerta de 54%.

Na prática, esse alto nível de endividamento reduz a margem fiscal, responsável por conciliar o pagamento de suas obrigações e a manutenção dos serviços públicos com a necessidade de ampliar investimentos em áreas capazes de estimular o crescimento econômico.

Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, localizada no Rio de Janeiro, destaca que o problema do Rio não é falta de ativos. “Poucos estados brasileiros reúnem simultaneamente petróleo e gás, portos, universidades e centros de pesquisa, indústria naval, energia, turismo, setor audiovisual, serviços financeiros e uma marca internacional tão forte. O problema está na baixa capacidade de transformar esses ativos em produtividade, investimento recorrente e crescimento de longo prazo.“

Ele destaca três razões para isso acontecer. A primeira é o ambiente de negócios. “Existe uma espécie de ‘Custo Rio’, que combina infraestrutura deficiente, insegurança, burocracia, incerteza regulatória e custos elevados de operação”, diz.

Um estudo da Firjan estima em R$ 274,8 bilhões por ano o custo adicional enfrentado pelas empresas fluminenses em comparação com referências internacionais da OCDE. A segunda é a instabilidade fiscal e institucional, já que o Rio atravessou boa parte da última década administrando crises fiscais. Isso reduz capacidade de planejamento, comprime investimento público e aumenta a percepção de risco.

E a terceira é que o estado historicamente teve dificuldade de adensar suas cadeias produtivas. “Produzimos enorme quantidade de petróleo, por exemplo, mas o desafio é capturar uma parcela maior do valor gerado em engenharia, equipamentos, serviços especializados, petroquímica, tecnologia e inovação”, comenta Barros.

Por dentro das contas públicas

Para o professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rio, Ricardo Teixeira, o estado registrou o maior déficit entre os estados brasileiros em 2025. Ou seja, além de financiar o funcionamento da máquina pública, o estado precisa administrar suas obrigações relacionadas à dívida com a União. “As contas públicas interferem muito no resultado que a gente tem. O Rio não só precisa arrecadar para fazer os investimentos necessários, como também precisa cumprir suas obrigações”, afirma.

Um dos maiores problemas está na destinação de recursos provenientes dos royalties do petróleo. Em vez de funcionarem como uma fonte para financiar infraestrutura e criar condições para o desenvolvimento econômico de longo prazo, parte desses recursos acaba sendo utilizada para cobrir despesas correntes, incluindo a folha de pagamentos.

“O que hoje a gente tem de royalties deveria ser usado para construir infraestrutura no estado, fazer desenvolvimento ou criar condições para que haja desenvolvimento. Mas, na realidade, usamos esses recursos também para fechar a folha“, explica o professor.

A dependência se torna ainda mais problemática quando o preço do petróleo recua. Nesse cenário, além do estado utilizar uma receita associada a um recurso natural para financiar despesas do cotidiano, a redução da arrecadação pode dificultar até mesmo o cumprimento das obrigações correntes.

Segundo Teixeira, esse quadro ajuda a criar um ciclo, pois sem recursos suficientes, o governo reduz sua capacidade de investir em áreas como educação e segurança; sem avanços nessas áreas, torna-se mais difícil atrair empresas; e, sem a chegada de novos investimentos privados, a arrecadação não consegue se expandir de maneira consistente.

Getty ImagesDívida, petróleo e segurança estão entre os desafios da economia fluminense

“Por não dispor de recursos, não se investe em educação e segurança. Com isso, não conseguimos atrair novos investimentos porque não estamos formando mão de obra e não estamos dando segurança para que as empresas queiram vir para cá. E, por conta disso, a arrecadação também não cresce, porque novas empresas não vêm para o Rio”, explica.

O desafio, de acordo com ele, é conseguir separar as duas necessidades: garantir recursos para manter o estado funcionando e, simultaneamente, preservar capacidade financeira para investimentos capazes de estimular a entrada de capital privado.

“Quando uma parcela muito grande da receita está comprometida com despesas obrigatórias, previdência, pessoal e dívida, o investimento passa a funcionar como variável de ajuste”, aponta Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, localizada no Rio de Janeiro.

Apesar do cenário negativo, em 2026, houve uma mudança institucional. O Rio deixou o Regime de Recuperação Fiscal e aderiu ao PROPAG (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), mecanismo criado para renegociar as dívidas dos estados com a União, em 22 de junho de 2026. Segundo o governo estadual, a operação envolveu amortização de R$ 42,1 bilhões por meio da oferta de ativos e deve reduzir substancialmente o serviço mensal da dívida com a União. “Isso melhora o fluxo financeiro, mas não elimina o problema estrutural”, diz Barros.

O histórico recente mostra a dimensão dessa fragilidade. Somente em 2025, a União precisou honrar R$ 4,69 bilhões em dívidas garantidas do Estado do Rio de Janeiro. Em 2026 esses pagamentos continuaram até a mudança de regime.

Ladeira abaixo

A trajetória econômica nas últimas décadas foi marcada pela perda de participação de segmentos industriais. A redução do peso da indústria de transformação no Valor Adicionado Bruto (VAB) estadual — indicador que mede a riqueza gerada pelas diferentes atividades econômicas do estado — alterou a economia fluminense. “O que aconteceu com o Rio de Janeiro é que houve uma desindustrialização. A indústria que se tinha no estado algum tempo atrás basicamente migrou para São Paulo. Com isso, o Rio perdeu muito”, diz o professor da FGV Rio.

Parte da indústria que antes estava instalada no estado migrou para São Paulo, atraída, entre outros fatores, por melhores condições logísticas e pelo tamanho do mercado consumidor. No processo, a economia do estado passou a depender mais da extração de petróleo e gás, atividade concentrada sobretudo no Norte do estado.

Segundo Teixeira, essa configuração dificulta uma distribuição mais ampla da riqueza gerada pela atividade e reforça a necessidade do Rio voltar a ampliar sua base industrial e desenvolver serviços de maior valor agregado. Na avaliação dele, a perda de empresas para São Paulo enfraqueceu áreas anteriormente industrializadas do território. As consequências também aparecem no mercado de trabalho.

De acordo com aPNAD Contínua do IBGE, a taxa de informalidade no Rio de Janeiro ficou em 37,1% no quarto trimestre de 2025, isso significa que mais de um terço dos trabalhadores ocupados no estado estava em atividades informais. No mesmo período, amédia nacional foi de 37,6%.

Entre os jovens, o desafio aparece principalmente na transição entre os estudos e o mercado de trabalho. Dados do IBGE mostram que, no ano passado, 17,5% dos jovens de 15 a 29 anos no estado do Rio não estavam ocupados nem estudavam ou se qualificavam, o equivalente a cerca de600 mil pessoas. O percentual recuou em relação aos18% registrados em 2024e aos23,7% de 2019, mas ainda representa quase um em cada cinco jovens nessa faixa etária.

A desigualdade ainda aparece dentro desse grupo. Entre as mulheres de 15 a 29 anos,22,9% não estudavam nem estavam ocupadas em 2025, ante12,2% entre os homens. No recorte por cor ou raça, a proporção chegava a19,4% entre jovens pretos ou pardos, acima dos14,8% registrados entre os brancos.

Dependente de petróleo e gás?

De acordo com aAgência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em dezembro de 2025 o Rio respondeu por cerca de89% da produção brasileira de petróleoe por aproximadamente78% da produção de gás natural. À primeira vista, essa posição traz vantagens, já que transforma o estado em grande produtor e exportador dos insumos e amplia a arrecadação quando os preços dessas commodities estão elevados. No entanto, o problema aparece na elevada dependência.

“O peso e a vulnerabilidade do petróleo são enormes no estado do Rio de Janeiro. Isso a princípio parece muito bom, sem dúvida nenhuma, porque o estado é um exportador de petróleo e gás. Mas, por outro lado, faz com que a economia fique muito dependente desses dois produtos”, ressalta Ricardo Teixeira da FGV Rio.

Os conflitos armados no Oriente Médio adiam o retorno dos fluxos normais de petróleo e pressionam os preços dos combustíveis no mercado global
Getty ImagesHá questões estruturais que reduzem a capacidade do Rio de atrair novos investimentos

Pela lógica, quando as cotações internacionais sobem, a arrecadação aumenta e o governo ganha maior capacidade financeira para prestar serviços e realizar investimentos. O movimento contrário, porém, produz efeitos negativos, reduzindo o fluxo de caixa do Rio.

Uma estratégia para contornar a situação é fazer com que uma parcela maior da cadeia produtiva do petróleo permaneça no próprio território fluminense. Ricardo afirma que o estado deveria estimular atividades de transformação relacionadas à matéria-prima. “Não podemos apenas produzir o petróleo. Toda a transformação que pudermos fazer em relação a ele, inclusive em produtos, deveria ser feita no próprio Rio de Janeiro, em vez de mandar para outros polos onde essa transformação é realizada.”

Ou seja, aumentar o valor agregado produzido dentro do estado e, consequentemente, ampliar a arrecadação. Com receitas maiores, o governo teria mais condições de investir em educação, infraestrutura e outros vetores capazes de sustentar o crescimento econômico.

Seria possível uma reindustrialização?

Na avaliação do especialista da FGV Rio, o estado deveria aproveitar atividades historicamente relacionadas às características e competências do próprio Rio de Janeiro. “Não sei se o termo seria reindustrializar ou industrializar, mas, de qualquer forma, ao pensar em industrializar o estado do Rio de Janeiro, o natural é pensarmos nas atividades mais ligadas à vida econômica do próprio estado”, afirma.

Entre os setores estão amanutenção naval, aenergia eólica, aproveitando a extensa costa fluminense, e abiotecnologia. Teixeira também aponta a possibilidade de desenvolver umpolo audiovisual no Rio.

Ao lado da indústria, o estado ainda pode ampliar sua oferta de serviços de alto valor agregado, especialmente aqueles associados à tecnologia. Os serviços de saúde também entram nessa estratégia por serem atividades capazes de gerar elevado valor econômico.

Infraestrutura e segurança estão entre as prioridades para o Rio

“O importante é procurar oferecer e desenvolver serviços de alto valor, serviços que agreguem tecnologia e serviços de saúde, que hoje, no mundo inteiro, também são de alto valor”, destaca Teixeira.

Também, há nichos nos quais o Rio já possui vantagens e que poderiam ganhar escala, comenta Gabriel Barros, como o turismo e entretenimento; economia criativa; tecnologia da informação; saúde; serviços financeiros; economia do mar; logística; defesa; energia renovável e tecnologias de descarbonização.

“Há inclusive uma oportunidade interessante no próprio setor energético: transformar a enorme produção de gás natural em instrumento de reindustrialização, em vez de tratar gás apenas como mais uma commodity”, diz Barros da ARX.

Gargalos do Rio

Outro aspecto é a segurança pública. A percepção de insegurança associada ao estado pode pesar nas decisões de empresários e investidores sobre onde abrir ou ampliar negócios.

“A gente tem um problema importante de segurança no estado, que de certa forma também evita, ou pelo menos dificulta, que consigamos trazer mais investimentos. “Na realidade, a imagem que se tem do Rio hoje é de um local onde você precisa tomar muito cuidado”, diz Ricardo.

Segundo ele, para ser economicamente atrativo, o Rio precisa oferecer condições que transmitam segurança a empresas, trabalhadores e investidores. Hoje, avalia Teixeira, a imagem do estado no restante do país está distante daquela de um destino no qual empresários necessariamente desejariam instalar seus negócios.

“Segurança não é apenas uma política social ou policial. É uma variável econômica“, também ressalta Gabriel Barros da ARX. De acordo com o economista-chefe, em partes da Região Metropolitana, organizações criminosas não apenas praticam crimes; elas controlam mercados.

Pesquisas do GENI/UFF documentam cobrança coercitiva e controle de atividades como transporte, gás, internet, imóveis, comércio e outros serviços. Em 2024, segundo a atualização mais recente do Mapa Histórico dos Grupos Armados, cerca de 3,4 milhões de pessoas na Região Metropolitana viviam em áreas classificadas como efetivamente controladas por grupos armados.

“Do ponto de vista econômico, isso funciona como uma espécie de tributação privada coercitiva, que aumenta custos, reduz concorrência, favorece informalidade e enfraquece a presença do Estado”, comenta Barros.

No ano passado, o estado registrou 3.114 roubos de carga (prejuízo estimado pela Firjan em R$ 314 milhões) apesar de uma queda de9,4%em relação ao ano anterior, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). Os roubos de veículos recuaram18,4%, para 25.239 ocorrências, e os roubos de rua diminuíram2,7%, para 56.937 registros.

No entanto, os registros deextorsão cresceram 19,5% em 2025, chegando a 3.646 ocorrências, enquanto os casos de estelionato avançaram 2%, para146.981 — o maior número da série histórica do ISP.

Há mais questões estruturais que reduzem a capacidade do Rio de atrair novos investimentos. Entre elas estão deficiências na integração ferroviária com o Porto do Rio de Janeiro, que, segundo o especialista da FGV, está subutilizado, além dos custos logísticos para transportar a produção da região de Campos e Macaé para outras áreas do país. A distribuição de gás também enfrenta obstáculos associados tanto à infraestrutura e à malha viária quanto a questões de segurança.

O capital humano aparece como outro desafio. Teixeira comenta que o Rio registra historicamente uma migração significativa de profissionais ligados a setores importantes da economia.

Além disso, segundo dados do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS)a taxa de tuberculose no estado passou de79,3 casos por 100 mil habitantes em 2020 para 99,3 em 2025. Esse avanço da doença chama atenção para problemas que ultrapassam o sistema de saúde e se relacionam também às condições socioeconômicas, de moradia, saneamento e vulnerabilidade de determinadas parcelas da população.

Olhando para frente

Entre as prioridades para os próximos anos, Teixeira defende a criação de um fundo soberano para o Rio de Janeiro, inspirado em iniciativas adotadas por outros estados, como o Espírito Santo. A proposta seria reservar parte das receitas provenientes dos royalties e direcioná-la a um fundo capaz de financiar investimentos de longo prazo.

“A gente tem que lembrar que o petróleo, de uma forma ou de outra, é finito. Então precisamos ter algum tipo de fundo de investimento no qual consigamos, com os royalties do petróleo, abastecer esse fundo e fazer investimentos sem precisar usar nossa receita corrente para despesas que não sejam correntes”, aponta. A medida também ajudaria a preparar o estado para uma economia em que a produção de petróleo eventualmente tenha importância menor e reduziria a exposição das contas públicas às oscilações das commodities.

Além do transporte, é necessário avançar no saneamento básico e ampliar as infraestruturas rodoviária e ferroviária, de acordo com o professor. A expansão desses serviços permitiria melhorar a qualidade de vida da população e, simultaneamente, criar condições para que cidades e diferentes regiões do estado consigam se desenvolver economicamente.

“Eu estruturaria a agenda econômica em quatro grandes eixos. Primeiro, consolidação fiscal estrutural. O segundo ponto é tratar segurança pública também como política de desenvolvimento econômico. Em terceiro lugar, melhorar o ambiente de negócios e a infraestrutura”, afirma o especialista da ARX.

Um levantamento da Firjan identificou R$ 534,2 bilhões em investimentos públicos e privados entre projetos em andamento e potenciais para 2025–2027. “O desafio é transformar potencial em capital efetivamente realizado”, diz Barros.

Em quarto lugar, Gabriel recomenda desenvolver uma estratégia produtiva baseada nas vantagens comparativas reais do estado. Por exemplo, petróleo, gás, energia, economia do mar, saúde, tecnologia, audiovisual, turismo, logística e serviços sofisticados podem formar um conjunto mais diversificado e integrado.

Nesse processo de diversificação, o Rio conta com uma vantagem competitiva importante —a presença de boas universidades e instituições de ensino. O professor da FGV Rio considera que o estado deveria aproximar essas instituições de sua estratégia de desenvolvimento econômico, inclusive para estimular atividades relacionadas à economia criativa.

O economista da ARX afirma que, de fato, o estado reúne algumas das melhores universidades e instituições científicas do país, centros de pesquisa ligados a petróleo, saúde, energia, defesa e tecnologia, além de mão de obra altamente qualificada. Ao mesmo tempo, uma parcela significativa da população vive em áreas marcadas pela baixa qualidade dos serviços públicos, pela informalidade elevada e, em casos extremos, pelo controle territorial exercido por organizações criminosas.

“A situação cria praticamente duas economias convivendo no mesmo território”, afirma Gabriel Barros.

De um lado, estão setores produtivos, integrados à economia global e intensivos em capital e conhecimento. Do outro, trabalhadores e pequenos negócios convivem com baixa produtividade, informalidade, infraestrutura deficiente e, em algumas áreas, coerção de grupos armados. Essa divisão tem impacto econômico, ao limitar a mobilidade social e dificultar o aproveitamento do capital humano disponível no estado.

Um estudo de 2026 do UNICEF, Fogo Cruzado e GENI/UFF estimou que quase189 mil alunos da rede municipal da cidade do Rio de Janeirotiveram seus trajetos escolares afetados por interrupções no transporte provocadas pela violência armada entre janeiro de 2023 e julho de 2025.

“As universidades e as escolas têm condição não só de formar excelentes profissionais, como também de nos auxiliar nos vetores de crescimento e de conhecimento que podemos escolher”, conclui Teixeira da FGV.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.