O iFood anunciou nesta quarta-feira, 16, que vai investir R$ 24 bilhões no Brasil até março de 2027, um aumento de 41% em relação ao ciclo anterior. Comandada por Diego Barreto, a empresa amplia a aposta para além da entrega de refeições e já atua com supermercados, farmácias, pet shops, bebidas e lojas de conveniência. No setor farmacêutico, a plataforma se apresenta como o maior marketplace do país, com mais de 22 mil farmácias parceiras.
“Os R$ 24 bilhões que anunciamos representam um crescimento de 41% em relação ao investimento anunciado no ano passado, quando foram R$ 17 bilhões”, afirmou Diego Barreto, CEO do iFood.
Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de tecnologia própria, à expansão em categorias como supermercados e farmácias e ao crescimento do iFood Pago, fintech que já emprestou mais de R$ 3 bilhões para restaurantes. A empresa também pretende ampliar as ferramentas oferecidas aos restaurantes para pagamentos, crédito e gestão dos estabelecimentos físicos.
“Mais do que um número, esse aumento reforça nosso compromisso de longo prazo com o Brasil, onde nascemos e estamos há 15 anos”, afirmou Barreto durante o iFood Move 2026, realizado em São Paulo.
A maior parcela dos investimentos não foi detalhada. A empresa informou, no entanto, que mais de R$ 2 bilhões serão aplicados em tecnologia e inovação.
Entre os projetos está o Large Commerce Model, modelo de inteligência artificial desenvolvido com a Prosus, grupo holandês de tecnologia que controla o iFood e é controlado pela sul-africana Naspers. A companhia reúne negócios de delivery, comércio eletrônico, pagamentos, classificados, viagens e mobilidade.
A Prosus assumiu o controle integral do iFood em 2022, após comprar a participação de 33,3% que ainda pertencia à Just Eat. O negócio envolveu um pagamento inicial de € 1,5 bilhão e previa um valor adicional de até € 300 milhões.
O grupo é comandado pelo brasileiro Fabricio Bloisi, fundador da Movile e antecessor de Barreto na liderança do iFood. Bloisi assumiu a Prosus em julho de 2024 e passou a usar a operação brasileira como referência para outros negócios do portfólio.
O Large Commerce Model analisa informações como buscas, compras, cancelamentos e avaliações para identificar a intenção dos consumidores. A tecnologia já é utilizada em mais de 40 aplicações no iFood.
A Prosus começou a levar o modelo para a Just Eat Takeaway.com, para a OLX e para a plataforma de comércio eletrônico eMAG. O grupo pretende expandir a tecnologia para outras empresas do portfólio, mas ainda não apresentou um cronograma.
O investimento ocorre depois de um avanço dos resultados do iFood. A receita da empresa cresceu 28% em moeda local no último ano fiscal e chegou a US$ 1,9 bilhão.
O Ebitda ajustado, indicador de geração operacional de caixa, alcançou US$ 400 milhões. O resultado representou um crescimento de 178%, segundo o balanço da Prosus.
Além da tecnologia, Barreto quer aumentar a participação do iFood em segmentos do varejo e nos serviços financeiros para restaurantes. Pequenos e médios negócios representam mais de 70% dos estabelecimentos presentes na plataforma.
A companhia também prevê uma expansão de quase 20% no volume total de renda gerada aos entregadores, apoiada pelo crescimento esperado dos pedidos.
Atualmente, o iFood informa ter 65 milhões de consumidores e 500 mil estabelecimentos cadastrados. A empresa está presente em 2.800 cidades e registra mais de 180 milhões de pedidos por mês.