Bom dia. Estamos na quinta-feira, 24 de outubro.
Cenários
A quinta-feira está começando com uma forte pressão de venda de ações e de títulos do Tesouro dos Estados Unidos no mercado americano, com o crescimento das expectativas de mais uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, na reunião de outubro.
No mercado secundário, os juros dos títulos de longo prazo americanos subiram ao maior nível em mais de 20 anos. O rendimento do título de 30 anos avançou mais de 3 pontos-base, a 5,444%, o patamar mais alto desde 2004. Os preços dos papéis caíram. O rendimento do título de 10 anos, referência para os financiamentos imobiliários nos Estados Unidos, chegou a 5,15%, comparável ao recorde de 2007.
Os rendimentos americanos e globais já tinham disparado na quarta-feira, depois que dados indicaram crescimento forte da economia dos Estados Unidos e pressões inflacionárias em alta. Os operadores aumentaram as apostas em novas altas de juros pelo Fed. A onda de vendas no mercado de títulos dura meses.
As expectativas para a reunião de outubro do Federal Open Market Committee (Fomc) mudaram de forma expressiva em uma semana. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros na faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano era de 44,6% há uma semana. Atualmente, é de 24,7%. A probabilidade de alta para a faixa entre 4,00% e 4,25% ao ano subiu de 55,4% para 75,3% no mesmo período.
O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse nesta quinta-feira em Londres que é “razoável” pensar que o banco central americano precise elevar os juros novamente antes do fim do ano, para reduzir os riscos para a inflação. Segundo ele, as projeções dos participantes do mercado indicam que outra alta pode ser apropriada até dezembro.
Williams ponderou que ainda é preciso ver os dados. “Vamos coletar os dados e fazer o que fizemos entre julho e setembro”, afirmou, em conferência organizada pelo Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social (NIESR), um centro de estudos. Williams também é vice-presidente do Fomc. Pela praxe, o presidente do Fed de Nova York tem preferência sobre os demais, e suas declarações são consideradas quase “oficiais” pelos investidores.
O dirigente destacou o alto grau de incerteza sobre as perspectivas da economia. Segundo ele, os Estados Unidos e outras economias mostraram resiliência ao choque dos preços mais altos de energia provocado pela guerra no Irã. A inflação, porém, é o “grande desafio” para os formuladores de política monetária, que buscam equilibrar os riscos para o crescimento e para os preços.
Williams afirmou que é essencial levar a inflação de volta a 2% e que isso precisa ocorrer em tempo adequado. Questionado sobre o momento da próxima alta, lembrou que a decisão de setembro foi motivada pelo acúmulo de pressões, e não por uma mudança repentina nos dados.
Na semana passada, o Fed, sob o comando do novo presidente Kevin Warsh, elevou a taxa básica para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano, na primeira alta em três anos. Dos 18 dirigentes, 16 sinalizaram que o banco central provavelmente precisará fazer pelo menos mais uma alta até o fim de 2026.
Perspectivas
A sessão começa com fortes alterações nos preços. No pré-mercado, os contratos futuros dos principais índices de Nova York operam em queda. Os futuros do Nasdaq 100 recuam cerca de 1%, os do S&P 500 perdem 0,6% e os do Dow Jones caem 215 pontos, ou 0,4%. A queda mais intensa é a do Nasdaq, índice com forte presença de empresas de tecnologia. O petróleo também sobe. O barril do tipo Brent avançou 2,4% e chegou a US$ 105,50.
Indicadores
BRASIL
Relatório Trimestral de Inflação
Reunião do CMN
Confiança do Consumidor FGV (Set)
Esperado: ND
Anterior: 84,7
ESTADOS UNIDOS
Discurso de John Williams, vice-presidente do FOMC
Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego
Esperado: 201 mil
Anterior: 196 mil
Venda de Casas Novas (Ago)
Esperado: 615 mil
Anterior: 607 mil