Bom dia. Estamos na terça-feira, 1º de setembro.
Cenários
O rendimento do título referencial de 10 anos do Japão atingiu 3% nesta terça-feira (01), pela primeira vez desde 1996. A alta ocorre em meio a uma venda generalizada de títulos soberanos. O movimento não se limita ao papel de 10 anos: o rendimento dos papéis de 5 anos bateu recorde histórico e o de 2 anos atingiu o maior nível em 31 anos, segundo a Reuters.
Os investidores temem a combinação de inflação puxada pelo petróleo, aperto monetário e deterioração fiscal. A crise no Oriente Médio pressiona os preços globais e os investidores estão antecipando uma onda de alta dos juros pelos bancos centrais mais relevantes.
A dívida pública dos Estados Unidos já superou US$ 40 trilhões. No Japão, os ministérios devem pedir o maior orçamento inicial já registrado para o próximo ano fiscal, algo como 143 trilhões de ienes, quase US$ 900 bilhões.
O mercado de títulos também sofre pressão do volume de emissões. Grandes empresas de tecnologia vêm captando recursos maciçamente para financiar a expansão da inteligência artificial.
A alta dos juros cria um dilema para os governos. Os mercados estão sensíveis a qualquer sinal de descontrole fiscal. No caso japonês, o custo de rolar a maior dívida pública do mundo desenvolvido sobe justamente quando a primeira-ministra Sanae Takaichi planeja um programa agressivo de investimentos.
Novos confrontos no Oriente Médio reforçam o temor de que os juros precisem subir mais para conter a inflação. O rendimento do Treasury de 10 anos avançou para cerca de 4,79%, o maior nível desde janeiro de 2025. O título de 30 anos rondava 5,28%. O petróleo também subia: o Brent operava perto de US$ 91 o barril e o WTI, perto de US$ 86,50, após um petroleiro ser atingido no Estreito de Ormuz.
Analistas afirmam que os rendimentos não devem disparar a ponto de configurar uma crise, mas que o período de juros baixos não deve voltar tão cedo. A avaliação predominante é que o balanço de riscos aponta para juros que permanecem elevados por mais tempo.
Investidores também lidam com a sazonalidade do período. Desde 1926, o S&P 500 perde em média 0,7% em setembro, o pior mês para as ações e o único com retorno médio negativo, segundo levantamento da Fisher Investments com dados da Finaeon.
Perspectivas
Nos Estados Unidos, os futuros das bolsas de Nova York recuam nesta terça-feira, dando sequência a um período fraco para as ações. Os rendimentos elevados dos Treasuries e o petróleo mais caro afastam investidores logo no início de setembro, mês historicamente ruim para as bolsas. Os futuros do Dow Jones cediam cerca de 240 pontos (0,5%), os do S&P 500 recuavam 0,5% e os do Nasdaq-100 perdiam quase 1% no pré-mercado.
Indicadores
BRASIL
Produto Interno Bruto (2º tri)
Esperado: + 0,4%
Anterior: + 1,1%
Produto Interno Bruto (12m)
Esperado: + 1,8%
Anterior: + 1,8%
PMI Industrial S&P Global (Ago)
Esperado: ND
Anterior: 47,5
ESTADOS UNIDOS
PMI Industrial (Ago)
Esperado: 53,2
Anterior: 53,9
PMI Industrial ISM (Ago)
Esperado: 55,2
Anterior: 55,6
Ofertas de Emprego JOLTS (Jul)
Esperado: 7,330 milhões
Anterior: 7,359 milhões