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Qual É o Próximo Alvo dos Fundos de Private Equity?

Especialistas dizem que o private equity está voltando sua atenção para negócios menores e mais especializados, com histórico comprovado de resultados

4 min

As empresas de private equity passaram anos comprando e consolidando pequenos negócios em uma ampla variedade de setores talvez surpreendentes, incluindo clínicas veterinárias, empresas de encanamento e serviços de limpeza.

O anúncio recente do JPMorganChase sobre uma nova divisão de banco de investimento voltada para empresas de menor capitalização sugere que essa tendência está ganhando força. O banco, que se recusou a comentar para esta reportagem, afirmou que o departamento dará assessoria em negócios envolvendo empresas avaliadas entre US$ 100 milhões (R$ 510 milhões) e US$ 500 milhões (R$ 2,55 bilhões) nos setores de consumo e varejo e de serviços empresariais.

Observadores do mercado de private equity dizem que o movimento reflete um interesse crescente em empresas menores, lucrativas e cada vez mais especializadas, que podem se beneficiar de consolidação, gestão profissional ou novas tecnologias.

“Não acho que seja tanto uma questão de setor, mas de tamanho”, diz Codie Sanchez, principal da Contrarian Thinking e autora de “Main Street Millionaire”. “Eles estão tentando descobrir como conquistar esse mercado de pequenas e médias empresas.”

Há menos empresas privadas abrindo capital e as companhias de private equity já esgotaram a maior parte dos grandes alvos óbvios, diz Sanchez. Por isso, os investidores estão migrando para empresas menores e operações de aquisição.

Especialistas disseram à Forbes que esperam que as empresas de private equity sigam estratégias já conhecidas, consolidando desde pequenas empresas de HVAC (aquecimento, ventilação e ar-condicionado) até consultórios odontológicos, empresas de cibersegurança e negócios de tecnologia, além de aprofundarem a busca por companhias mais especializadas dentro desses mesmos setores e com histórico financeiro sólido.

“Vejo apenas uma continuação dos padrões anteriores”, diz o consultor de pequenas empresas Alan Pentz, fundador da Corner Alliance. “Eles continuam descendo na escala do mercado, procurando novas oportunidades.”

Um exemplo recente é a Uplift Investors, empresa de private equity que acaba de levantar US$ 670 milhões (R$ 3,42 bilhões) para comprar empresas de serviços empresariais, como escritórios de advocacia, empresas de serviços financeiros, prestadoras de serviços especializados e companhias de serviços industriais.

“Nós investimos em serviços, mas serviços, por si só, é uma categoria ampla demais para ser uma especialização”, disse à Forbes um dos fundadores da Uplift Investors, acrescentando que a empresa terá como foco “microssetores”.

O avanço sobre empresas menores ocorre em um ambiente de negócios mais fraco de forma geral, no qual os investidores estão mais seletivos. Segundo dados publicados pela BizBuySell, 2.117 operações de fusões e aquisições foram concluídas nos Estados Unidos no segundo trimestre deste ano, uma queda de quase 10% em relação às 2.342 transações realizadas no mesmo período do ano passado.

“O mercado americano de empresas à venda entrou em uma fase mais seletiva”, informou a BizBuySell, na qual os potenciais compradores estão concentrados em empresas de “maior qualidade” e na “durabilidade dos resultados”.

“O resultado foi um trimestre definido pela seletividade, e não pela inatividade”, acrescentou a BizBuySell, observando que “a demanda em si continua surpreendentemente resiliente”.

Entre os negócios vendidos no segundo trimestre deste ano estavam 877 empresas do setor de serviços, 363 restaurantes, 443 outros tipos de negócios de varejo, 105 empresas de manufatura e 289 negócios de outras categorias, segundo a BizBuySell.

Tom Kerr, co-chefe de investimentos da gestora de investimentos Hamilton Lane, diz que tem acompanhado “muita consolidação” no setor de serviços empresariais e em indústrias que estão sendo transformadas pela tecnologia, como a inteligência artificial.

“Essas são muitas das teses que estamos analisando nos nossos investimentos”, diz Kerr. “Isso é diferente de investir em IA e tecnologia e dizer: ‘Ei, vamos investir na Anthropic [ou na] OpenAI’. Trata-se de atuar na camada que está por baixo disso em diferentes setores, seja uma empresa que fabrica portas de garagem ou uma clínica de ressonância magnética que terceirizou sua recepcionista para um agente de IA.”

“‘Serviços empresariais’ é uma categoria bastante ampla”, acrescenta Kerr. “Serviços empresariais podem incluir saúde, encanamento e mercado imobiliário.”

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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