Com patrimônio estimado em R$ 19,9 bilhões, ele integra o top 10 da lista. Juntos, os bilionários ligados à Rede D’Or têm um patrimônio de R$ 38,8 bilhões, equivalente a 2,75% do total da lista de 255 bilionários brasileiros de 2026.
O resultado chama atenção não apenas pelo valor da fortuna, mas também confirma a expansão do setor privado de saúde, que é um dos segmentos mais rentáveis da economia brasileira.
Moll é o principal acionista da companhia e preside o conselho de administração. Sua ex-esposa, Alice Junqueira Moll, e os cinco filhos do casal também são acionistas relevantes.
Trajetória de Jorge Neval Moll Filho
Nascido no Rio de Janeiro em 23 de janeiro de 1946, o empresário pretendia seguir carreira no mercado financeiro, mas estudou medicina por influência do pai. Ele se especializou em neurocirurgia e, em 2004, concluiu doutorado em Fisiopatologia Experimental pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Sua carreira mudou na década de 1970. Insatisfeito com os recursos tecnológicos disponíveis no Rio de Janeiro para a realização de exames cardíacos, Moll criou o primeiro laboratório dedicado a diagnósticos por imagem. Em 1977, ele fundou o Grupo Labs para atender hospitais particulares. A empresa liderou um processo de consolidação nas décadas de 1980 e 1990.
O divisor de águas foi uma viagem. Gaspar D’Orey, imigrante que pretendia retornar a Portugal, precisava vender um hotel localizado na Barra da Tijuca, que mantinha em sociedade com o empresário dos transportes Jacob Barata. Moll assumiu a participação de D’Orey e tornou-se sócio de Barata, de quem era devedor.
A negociação foi conduzida por Daniel Barata, filho de Jacob. Ao descobrir que o empresário era proprietário do hotel Copa D’Or, em Copacabana, Moll persuadiu Daniel a participar com ele do investimento para transformar o imóvel em hospital.
A operação prosperou e foi o embrião da Rede D’Or, atualmente o maior grupo hospitalar privado do país. A companhia administra cerca de 70 hospitais e mantém uma estrutura que abrange desde serviços de pronto-atendimento até procedimentos de alta complexidade, consolidando sua posição de referência no setor.
Recuperação da Rede D’Or e o avanço patrimonial de Moll
A evolução do patrimônio de Jorge Moll Filho está diretamente relacionada à participação da família Moll na Rede D’Or e ao desempenho da companhia no mercado de capitais. Listada na B3 desde 2020, a empresa mantém as ações RDOR3 negociadas na bolsa e, em 2026, integra o Ibovespa.
A posição acionária da família também permanece relevante. Em 30 de junho de 2026, os Moll detinham, direta e indiretamente, 50,2% das ações da Rede D’Or, o equivalente a 1,12 bilhão de papéis. O free float correspondia a 44,8% da companhia.
Em 2025, a companhia lucrou R$ 4,84 bilhões e encerrou o ano com valor de mercado de R$ 89,6 bilhões. Em 2026, a empresa também pagou aos acionistas R$ 750 milhões em juros sobre capital próprio.
A presença da Rede D’Or no mercado de capitais torna a trajetória de Moll diferente da de outros grandes empresários brasileiros. Sua fortuna está concentrada em um dos maiores grupos privados de saúde do país, setor que reúne operações hospitalares e diferentes serviços especializados.
Além da atuação hospitalar, a companhia mantém negócios em áreas específicas da medicina. Na oncologia, por exemplo, a Oncologia D’Or possui uma ampla rede de unidades espalhadas pelo país, reforçando a diversificação das atividades do grupo.
O papel da família Moll em 2026
A família segue como controladora relevante. Jorge Moll Filho é presidente do Conselho de Administração e Paulo Junqueira Moll é CEO.
A trajetória de Moll, que começou na medicina e avançou para a construção de um dos maiores grupos privados de saúde do Brasil, ajuda a explicar a dimensão de seu patrimônio. A participação majoritária da família na Rede D’Or faz com que os resultados e a valorização da companhia tenham impacto direto sobre a riqueza dos Moll.