O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (12) que um novo acordo comercial com o Canadá pode ser fechado “em breve”, sinalizando uma possível tentativa de reduzir a tensão entre os dois países depois de semanas de escalada tarifária.
Durante encontro com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, em Dublin, Trump disse que o Canadá estaria interessado em chegar a um entendimento com Washington. Ao mesmo tempo, voltou a pressionar Ottawa a retirar tarifas que, segundo ele, prejudicam agricultores americanos.
“O Canadá precisa tratar melhor nossos agricultores. Eles não podem cobrar tarifas de nossos agricultores”, disse Trump. Segundo o presidente americano, “provavelmente” os dois países chegarão a um acordo comercial “em breve”. Trump, porém, não apresentou detalhes sobre quais seriam os termos de um eventual pacto nem indicou se as negociações formais foram retomadas.
A declaração ocorre apenas quatro dias depois de o Canadá colocar em prática uma nova rodada de tarifas retaliatórias sobre produtos americanos. Desde 8 de setembro, mercadorias dos Estados Unidos passaram a enfrentar sobretaxas de 15%, 25% ou 50%, dependendo do produto.
Canadá responde ao tarifaço de Trump
As medidas canadenses foram uma resposta à decisão de Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre US$ 27,6 bilhões em produtos canadenses, em vigor desde 22 de agosto. Ottawa adotou a estratégia de igualar as tarifas americanas, produto por produto, em uma tentativa de neutralizar a vantagem competitiva obtida pelos exportadores dos EUA.
Entre os produtos americanos atingidos pela retaliação estão aço e alumínio, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e celulose, plásticos e eletrônicos. Parte das mercadorias passou a pagar exatamente 25% de tarifa – justamente uma das alíquotas destacadas por Trump ao reclamar do tratamento dado aos produtores americanos.
A questão agrícola é particularmente sensível para Washington. O Canadá é um dos principais mercados para produtores rurais americanos, e a disputa envolve sobretudo o acesso de produtos como laticínios ao mercado canadense. Trump tem usado essas barreiras como argumento para justificar a ofensiva comercial contra Ottawa.
Trégua ainda parece distante
Apesar do tom mais conciliatório de Trump neste sábado, a disputa comercial está longe de estar resolvida. Em 8 de setembro, o governo americano também ampliou a ofensiva contra produtos canadenses, anunciando a proibição, a partir de 29 de setembro, da entrada de determinados laticínios, bebidas alcoólicas e motocicletas no mercado americano.
A sequência mostra a contradição da atual política comercial de Trump: enquanto o presidente fala em um acordo iminente, Washington e Ottawa continuam ampliando as barreiras entre as duas economias.
A disputa também coloca pressão sobre o futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), o pacto comercial que substituiu o Nafta. Questionado neste sábado sobre a possibilidade de os Estados Unidos deixarem o acordo, Trump não respondeu diretamente e preferiu destacar sua expectativa de um entendimento com o Canadá.
O incentivo econômico para uma trégua é significativo. Cerca de 70% das exportações canadenses têm os Estados Unidos como destino, enquanto empresas americanas dependem de fornecedores canadenses em setores que vão de energia e matérias-primas a agricultura e indústria.
*Com Reuters