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Aluguel de Luxo em Punta Del Este Dispara com Alta Procura de Brasileiros e Argentinos

Os argentinos voltam a ser os principais protagonistas do mercado de aluguéis premium, com imóveis que chegam a US$ 100 milpor quinzena em José Ignacio

5 min

A menos de três meses do início do verão, Punta del Este já registra movimentação no mercado de aluguéis temporários de alto padrão, com os argentinos novamente como protagonistas.

A expectativa dos operadores imobiliários é desafiadora: eles esperam que a próxima temporada mantenha o volume do verão passado, que foi recorde, e até consiga superá-lo em número de visitantes. Mas há uma mudança no comportamento do turista premium: a temporada está mais curta e as estadias se concentram cada vez mais em torno do Ano-Novo e dos primeiros dias de janeiro.

Nas áreas mais exclusivas de Punta del Este, a demanda começou a se intensificar em julho. José Ignacio, Manantiales e La Barra concentram boa parte das buscas dos turistas de maior poder aquisitivo, que priorizam localização, estado de conservação dos imóveis e serviços em relação a outros atributos.

“Em geral, nosso cliente busca imóveis em estado impecável para passar um ótimo verão. Procura tanto casas quanto apartamentos, indistintamente, com boa localização como principal fator de decisão e com tudo funcionando perfeitamente”, explica Robustiano Casares Demaría, Head of Business Uruguay da Miranda Bosch, que aponta que a busca mais comum em Punta del Este é por imóveis de três quartos, pensados para famílias de cerca de quatro pessoas, com espaço para receber convidados.

Nesse segmento, o valor médio gira em torno de US$ 35 mil (cerca de R$ 178,5 mil) na primeira quinzena de janeiro, embora os imóveis mais exclusivos possam superar US$ 100 mil (cerca de R$ 510 mil). Para a segunda quinzena de janeiro, os valores podem ficar entre 30% e 45% abaixo dos praticados na primeira metade do mês.

O mercado premium de José Ignacio tem, além disso, uma dinâmica particular.

Lá, a imobiliária de Juan Goñi trabalha com casas que têm, em média, 300 metros quadrados nas áreas mais exclusivas do balneário. Atualmente, os imóveis para grupos de seis a 12 pessoas são oferecidos entre US$ 35 mil e US$ 60 mil (cerca de R$ 178,5 mil a R$ 306 mil) por mês em janeiro.

As consultas, nesse segmento, começaram cedo. “A demanda já começou em maio”, conta Goñi, que afirma que os preços permaneceram praticamente nos mesmos níveis do ano passado, embora a expectativa seja de um número maior de visitantes.

A principal novidade está no calendário. “Neste ano, as buscas se concentram depois do Natal até, no máximo, 10 de janeiro. A temporada mais premium encurtou”, descreve Goñi.

O fenômeno também aparece em outros segmentos de aluguéis de alto padrão.

Embora a quinzena tradicional — que costuma se estender aproximadamente de 27 de dezembro a 15 de janeiro — continue sendo o formato mais procurado, as estadias de poucos dias estão cada vez mais frequentes. Alguns visitantes chegam até mesmo no próprio dia de Ano-Novo e deixam o imóvel em 4 ou 6 de janeiro.

É uma mudança relevante para um mercado que historicamente teve janeiro como o principal mês da temporada. A demanda continua existindo, mas o turista de maior poder aquisitivo parece concentrar sua estadia nos dias de maior movimentação social e turística, em vez de prolongá-la por várias semanas.

“É muito comum que fiquem entre as festas de fim de ano, por mais uma semana, e depois viajem para a Europa ou os Estados Unidos”, descreve Goñi.

As casas mais exclusivas podem chegar a preços de aluguel US$ 100 mil

Argentinos lideram composição do público de Punta Del Este

A composição do público também não apresenta grandes surpresas. Os argentinos continuam sendo os principais clientes do mercado de aluguéis de verão, seguidos por brasileiros, paraguaios e europeus.

“Os argentinos continuam predominando, como principal público dos aluguéis de verão”, afirma Casares Demaría, sobre Punta del Este.

Em José Ignacio, é identificada uma forte presença argentina e um crescimento das consultas provenientes do Brasil.

Para Javier Sena, presidente da Câmara Imobiliária de Punta del Este, a expectativa é de uma temporada semelhante à anterior. “Esperamos uma temporada semelhante à do ano passado”, afirma.

O contexto regional, além disso, favorece o cenário. “A economia da Argentina e do Brasil está estável. Isso ajuda a trazer turistas desses países”, afirma Sena.

A isso se soma uma medida que o setor considera relevante para sustentar o fluxo turístico: o governo do Uruguai confirmou a isenção do IVA, um benefício que os operadores esperam que funcione como incentivo adicional para os visitantes estrangeiros.

Assim, Punta del Este chega ao verão com um cenário que combina dois sinais. De um lado, a demanda argentina volta a ser o principal motor do mercado premium, e os operadores não esperam que os preços pedidos pelos aluguéis permaneçam elevados em relação ao verão passado.

De fato, o Centro de Investigações Econômicas (Cinve) projetou que o Uruguai receberá 1,167 milhão de visitantes provenientes da Argentina e do Brasil durante a próxima temporada de verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que representa um aumento de 9,5% em relação à temporada anterior.

As estimativas consideram a entrada de visitantes da Argentina, do Brasil e de uruguaios não residentes que, em conjunto, representam mais de 80% do total de visitantes que o Uruguai recebe anualmente, segundo o relatório.

Matéria publicada originalmente em Forbes Argentina

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