Kelly Piquet considera Mônaco sua casa. Filha do tricampeão mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet e da ex-modelo holandesa Sylvia Tamsma, ela nasceu na Alemanha e cresceu entre o principado e o Brasil. Mais tarde, viveu nos Estados Unidos e na Inglaterra, até voltar a Mônaco há quase 10 anos. Hoje, vive ali com o companheiro, o piloto Max Verstappen, e as duas filhas. “Para mim, aqui é sinônimo de casa. Sempre achei que estaria em uma cidade grande, mais cosmopolita, mas foi bom voltar para cá”, afirma.
Sua rotina está distante da imagem de glamour que costuma cercar o principado. Leva a filha mais velha (Penelope, de sete anos, de sua relação anterior com o piloto Daniil Kvyat) à escola, passa tempo com a caçula (Lily, de um ano, sua filha com Max) e trabalha muito de casa. Gosta da dualidade entre a agitação dos grandes eventos e a atmosfera de cidade pequena que Mônaco recupera depois deles. “Eu sou bem caseira”, admite.
Modelo e influenciadora, formada em relações internacionais e ciências políticas, Kelly tinha outros planos profissionais. “Meu primeiro objetivo e sonho era trabalhar nas Nações Unidas”, confessa. A moda surgiu quase por acaso, quando uma amiga conseguiu para ela um estágio como assistente de stylist na Vogue Latinomérica. Depois vieram experiências na Bergdorf Goodman, na agência KCD e na Schutz.

O interesse pela moda, porém, já vinha de casa. Sua mãe foi modelo e, segundo Kelly, sempre teve um gosto apurado. Dela, herdou também roupas que guarda até hoje. Aos 38 anos, depois de muitas fases, define seu estilo como feminino, atemporal e confortável e diz ter se tornado muito menos consumista. “Hoje penso assim: vou usar isso muito? Quantas vezes?”, explica. Suas marcas preferidas? Saint Laurent, Chanel e Khaite.
Com as joias, porém, sua relação é mais emocional. As peças às quais tem maior apego são presentes da família. “Quando você usa, é uma grande lembrança, quase como uma proteção, um amuleto.” A ligação com a Tiffany & Co. também começou assim: uma de suas primeiras joias importantes, recebida por volta dos 20 anos, era da maison. Hoje, uma de suas criações favoritas é Bird on a Rock, de Jean Schlumberger.
Mas é ao falar do Brasil que surge um lado especialmente afetivo. Apesar de ter passado grande parte da vida fora, Kelly diz que a distância só reforçou sua identidade. “Quanto mais tempo vivo fora, mais percebo que sou brasileira em aspectos que talvez nem notasse quando era mais nova”, conta.
Entre eles, cita a espontaneidade, a proximidade com as pessoas, o humor e a ligação com a família: “Eu amo o Brasil. Conto os dias para voltar”. Muitas de suas amigas de infância são brasileiras e, hoje, essa amizade se estende também à nova geração. “O jeito de as pessoas receberem lá é muito especial”, diz. E resume uma identidade construída entre tantos países em uma frase: “Por mais que eu tenha construído minha vida aqui, tem uma grande parte de mim que é profundamente brasileira.”

*Reportagem publicada na edição 11 da ForbesLife Fashion, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.
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