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Bradesco Espera “Vento de Proa” nos Próximos Trimestres

Segundo o CEO Marcelo Noronha, o banco prevê um leve aumento nos índices de inadimplência, com a economia crescendo pouco

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Marcelo Noronha, presidente do Bradesco (BBDC4), diz que o banco espera um “vento de proa” nos próximos trimestres. Ou seja, um cenário desafiador para a economia e para o crédito. As razões são bem conhecidas. Mesmo ainda não tendo divulgado “guidance”, a expectativa do banco é de um crescimento fraco do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Além disso, a renda das famílias está bastante comprometida com o serviço de dívidas, o que deve tornar mais lenta a recuperação da inadimplência.

O banco comentou, na manhã desta sexta-feira (23), os resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26), que foram divulgados na noite da quinta-feira (22), após o fechamento do mercado. O lucro líquido recorrente somou R$ 7,1 bilhões, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou em linha com a projeção do mercado.

Foi o 11º trimestre seguido de crescimento do lucro recorrente. O avanço sobre o segundo trimestre foi de 0,8%, o menor ritmo da sequência. O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) ficou em 15,6%, ou 16,1% sem o efeito do aumento de capital de R$ 10 bilhões feito no período.

O banco manteve as projeções (“guidance”) para 2026 divulgadas nos trimestres anteriores. As receitas totais chegaram a R$ 38,0 bilhões, alta de 1,1% no trimestre e de 8,4% em 12 meses. As despesas operacionais somaram R$ 16,3 bilhões, queda de 1,0% na comparação anual. O Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 12 meses foi a 47,2%.

A carteira de crédito expandida terminou setembro em R$ 1,15 trilhão, com alta de 1,1% no trimestre e de 11,1% em 12 meses. O crédito a pessoas jurídicas cresceu 14,1% e o a pessoas físicas, 7,4%. O consignado privado subiu 13,3% no trimestre e 102,0% em 12 meses. O capital de giro com garantia do FGI e do FGO avançou 31,5% em 12 meses. O financiamento de veículos para pessoas físicas cresceu 26,8%. O crédito pessoal recuou 2,5%.

Inadimplência

Primeiro banco de varejo a divulgar seus resultados, o Bradesco mostrou um aumento na inadimplência. A inadimplência acima de 90 dias (Over 90) chegou a 4,6% em setembro, ante 4,3% em junho e 4,1% um ano antes. Entre pessoas físicas, o índice passou de 5,4% para 5,8% em 12 meses. Nas micro, pequenas e médias empresas, subiu de 3,7% para 4,9%. Nas grandes empresas, ficou em 0,3%, de 0,4%.

A inadimplência de 15 a 90 dias avançou para 4,2% ante os 4,0% no segundo trimestre. O custo do crédito acompanhou o movimento. A despesa com Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) expandida somou R$ 10,6 bilhões, alta de 24,3% em 12 meses e de 6,6% no trimestre.

Em relação à carteira, o custo do crédito foi de 3,7%, 0,2 ponto percentual acima do trimestre anterior e 0,4 ponto acima do 3T25. A margem líquida total, que desconta as provisões, caiu 1,4% no trimestre, para R$ 10,7 bilhões. A margem financeira total subiu 2,4%, para R$ 21,4 bilhões. O spread líquido com clientes recuou de 4,5% para 4,2% no trimestre.

Noronha afirmou que vê um horizonte de maior pressão sobre o crédito, o custo do crédito e a inadimplência. Segundo ele, a carteira do banco é mais controlada do que a do mercado. Os dados do Banco Central de agosto, segundo o executivo, indicam crescimento da inadimplência. O BC apontou inadimplência de 6,6% nas operações com recursos livres no país naquele mês.

O CEO afirmou que o perfil da carteira do Bradesco mudou em relação ao de anos atrás. O banco concede mais crédito com garantia, como o imobiliário e as linhas com FGI e FGO. Segundo Noronha, essas linhas têm período de cura longo. O cliente sai da carência e fica inadimplente, mas o custo do crédito não chega ao nível de outras modalidades.

Esse efeito entra no índice de atraso acima de 90 dias e pesa mais em bancos que crescem mais rápido nessas linhas. A apresentação do banco indica que o capital de giro com FGI e FGO adicionou 0,14 ponto percentual ao Over 90 total. O BJD adicionou 0,09 ponto.

Consignado privado

A inadimplência acima de 90 dias no consignado privado subiu para 5,4%, ante 4,9% em dezembro de 2025. O do mercado foi de 10,6%, ante 5,5% em dezembro. No consignado total, os índices foram de 2,8% para o banco e 3,8% para o mercado. No crédito rural a pessoas físicas, foram de 3,1% e 9,7%, sem o BJD.

O banco encerrou setembro com Capital Principal de 12,1%, alta de 0,8 ponto percentual no trimestre, e Capital Nível I de 13,7%. O aumento de capital de R$ 10,0 bilhões teve R$ 5,4 bilhões de controladores e R$ 4,6 bilhões de minoritários. Os dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) brutos somaram R$ 12,1 bilhões em nove meses.

Bradesco Principal

Sobre a estratégia, Noronha disse que a inadimplência apresenta alguns espasmos que não tiram o banco do caminho. Segundo ele, a estratégia não muda todos os dias. O executivo citou o Principal como uma iniciativa importante, em fase de conclusão da abertura de escritórios. De acordo com a apresentação, o segmento tem 93 escritórios e cerca de 500 mil clientes. A meta para dezembro é de mais de 120 escritórios e mais de 800 mil clientes.

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