Depois de quinze anos à frente do cargo de CEO da Rock World, o selo responsável por festivais de música como Rock in Rio, Lollapalooza e The Town, Luis Justo assume uma posição no Conselho da empresa. Ele contou que partiu dele: “A decisão foi minha. Dois anos atrás eu decidi fazer essa transição e então começamos o processo”.
Engenheiro de formação e músico nas horas vagas durante a juventude, Justo atribui o sucesso de sua gestão a uma ambidestria que combina criatividade e rigor analítico. Antes de ingressar na indústria do entretenimento, consolidou sua carreira corporativa passando pelo mercado financeiro e por uma consultoria internacional.
Aos 28 anos, assumiu o cargo de CEO da Osklen, marca em que atuou por onze anos e onde desenvolveu o olhar para processos, eficiência e gestão de supply chain exigidos pelo varejo de moda. “O varejo traz o desafio diário de lidar com estoques e eficiência. Você precisa acompanhar os resultados o tempo todo para buscar eficiência diária”, destaca o executivo.
Em 2011, essa bagagem de processos foi o diferencial para que fosse convidado a assumir a liderança da Rock World. A missão era aplicar pragmatismo de gestão em uma estrutura até então familiar e voltada a um setor de alta paixão e volatilidade.
Diferente de outros setores onde prazos podem ser flexibilizados, o setor de live entertainment opera contra o relógio. “Nosso negócio tem a certeza de que naquela hora e naquele minuto o portão vai abrir. O planejamento bem feito serve para mapear tudo o que você consegue prever, garantindo que você esteja disponível para atuar nas intempéries e eventualidades que não pode controlar”, afirma.
Gestão de crises e o triângulo da liderança
Durante a pandemia de Covid-19, período em que o setor de eventos ficou paralisado por dois anos sem geração de receita, a liderança usou o hiato para acelerar o planejamento estratégico e criar o The Town, festival que estreou em São Paulo expandindo a atuação do grupo.
Para sustentar a operação de um negócio que mobiliza até 28 mil trabalhadores por edição, o executivo defende que a função de CEO não deve ser encarada como uma posição egocêntrica ou centralizadora. “CEO é uma função, não uma identidade. O burnout muitas vezes vem de pessoas que se colocam no lugar de que a responsabilidade completa do negócio está exclusivamente na liderança. O papel da alta liderança é escolher as pessoas certas e confiar nelas”, explica.
Em seu livro de gestão, Justo resume o papel do executivo na sigla CEO: Conectar, Equilibrar e Orientar. Para ele, o líder moderno precisa administrar paradoxos diários. De um lado, as metas de curto prazo e os indicadores de desempenho do negócio; de outro, a capacidade de engajar as equipes em torno do propósito de longo prazo da marca.
Novo capítulo: carreira em portfólio e governança
A mudança para o Conselho de Administração da Rock World faz parte de um plano estruturado de transição executiva. Nos últimos dois anos, Justo conduziu o processo de onboarding e sucessão junto a Ronaldo Faria, executivo com bagagem no varejo que assumiu o cargo de CEO da companhia.
Prestes a completar 49 anos, o executivo direciona sua atuação para uma “carreira em portfólio”, atuando em frentes de governança, investimentos e mentoria de lideranças.
Além do conselho da Rock World e da Live Nation, Justo integra o conselho do Grupo Bold (detentor das marcas Outback e Abbraccio no Brasil) e do parque temático Cacau Park, além de colaborar com polos de inovação, como o Instituto Caldeira.
“Após mais de 20 anos ininterruptos como CEO, entendi que poderia gerar mais impacto atuando em um portfólio de negócios, compartilhando aprendizados e influenciando outras lideranças de forma estratégica”, conclui.