Aos 12 anos, Todd Weaver reuniu coragem para chegar a um canteiro de obras em Hazelwood, Missouri, e bater na porta do trailer para pedir emprego. “Eu sabia que precisava fazer alguma coisa para ajudar minha mãe”, que tinha diabetes e câncer, lembra. “Ela estava passando por dificuldades.” Dentro do trailer estava Bob Clark, fundador da Clayco, que concordou em pagar US$ 4 por hora (R$ 20,40) ao pré-adolescente para capinar, recolher lixo e fazer outros trabalhos gerais, desde que ele continuasse frequentando a escola e fizesse a lição de casa. Era 1984.
Weaver continuou trabalhando para Clark, hoje com uma fortuna estimada em US$ 7 bilhões (R$ 35,7 bilhões), durante todo o ensino médio, e Clark se tornou uma figura paterna para Weaver, cujo pai foi embora quando ele tinha três anos. “Eu poderia facilmente ter seguido por um caminho diferente”, diz Weaver, hoje com 55 anos. “(Clark) me deu uma oportunidade.”
E Weaver fez tudo o que pôde com essa oportunidade. Ele foi o primeiro da família dele — e da família de Clark — a cursar uma faculdade. Jogou basquete na University of Missouri at St. Louis e se formou em marketing e gestão da construção. Mais tarde, trabalhou em empresas de engenharia e voltou para a Clayco.
Então, aos 31 anos, em 2002, decidiu seguir seu próprio caminho e abriu sua empresa com a ajuda de um empréstimo de US$ 150 mil (R$ 765 mil) concedido por Clark, que ele quitou em seis meses. Inicialmente chamada Legacy, a empresa foi criada com o objetivo de gerar mais oportunidades para minorias na comunidade. Trabalhando diretamente para ele ou como subempreiteiros, Weaver queria oferecer a essas pessoas algumas das mesmas oportunidades e da mentoria que havia recebido.
Hoje, a holding DGN Enterprise, de Weaver, emprega 585 pessoas em cinco empresas, entre elas a TW Constructors e companhias especializadas em serviços elétricos, instalação de vidros e sistemas de combate a incêndios. A receita do grupo deve chegar a quase US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) até o fim do ano, mais que o dobro dos quase US$ 400 milhões (R$ 2,04 bilhões) registrados em 2025, impulsionada pelo forte crescimento dos negócios de manutenção e modernização de data centers para clientes como o Google.
O grupo também já realizou trabalhos para clientes como a Washington University, a St. Louis University, a Pfizer e a World Wide Technology.
Grande parte do que aprendeu sobre construção, Weaver aprendeu diretamente com Clark. Embora tivesse apenas 25 anos, Clark acolheu Weaver e passou a orientá-lo. Ele o buscava e o levava a outros canteiros de obras, apresentava-o aos encarregados e fazia com que ele conhecesse as diferentes profissões da construção.
Aos 15 anos, Clark ajudou Weaver a conseguir uma carteira de trabalhador da construção, permitindo que ele começasse a trabalhar de fato e a ganhar US$ 13 por hora (R$ 66,30). Clark também lhe dava dinheiro extra para ajudar a mãe a pagar as contas de serviços públicos.
Em determinado momento, Bob se sentou com a mãe de Weaver e disse que ele e sua esposa, Ellen, queriam assumir mais responsabilidades por ele, caso ela concordasse. Weaver conta que, no início, seu único objetivo era ajudar a mãe, trabalhar e seguir pelo caminho certo. “Mas isso se transformou em algo muito mais poderoso do que isso”, acrescenta.
Os Clark nunca o adotaram oficialmente, mas Weaver passou boa parte do tempo morando com eles e seus filhos pequenos, e Bob se tornou mais uma figura paterna do que um mentor. “Ele tem o maior coração”, diz Weaver sobre Clark. “Quando vê algo errado, ele se manifesta. Ele apoia você.”
Clark fez questão de apresentá-lo a empresários negros com quem havia trabalhado ou para quem havia trabalhado em St. Louis. “Bob sentia que estava me prejudicando ao me cercar de muitas pessoas brancas”, diz Weaver.
Entre as pessoas que conheceu estava Luther Boykins, um ativista comunitário que, segundo Clark, “me repreendeu por estar tornando Todd branco demais”. Clark também o colocou em contato com Dave Steward, fundador da World Wide Technology, uma das principais empresas de revenda e instalação de equipamentos de informática e hoje um dos homens negros mais ricos dos Estados Unidos.
Depois da faculdade, Weaver passou algum tempo trabalhando para empreiteiras de propriedade de minorias na região. Ele também voltou para a Clayco, onde ajudou Clark a estabelecer contato com mais subempreiteiros de grupos diversos.
Em 2002, aos 28 anos, lançou a Legacy Building Group com aquele empréstimo de US$ 150 mil (R$ 765 mil). “Ele era pior que um maldito banco”, brinca Weaver, lembrando que Clark o fazia lembrar da dívida pendente durante o jantar de domingo todas as semanas. Ele ficou eufórico quando conseguiu pagar tudo de volta em seis meses.
Não demorou muito para a Legacy começar a reformar escritórios para a WWT, de Steward, e construir centros de distribuição para a Walgreens, além de um supermercado no centro de St. Louis.
Sempre que possível, Weaver contratava subempreiteiros de propriedade de minorias. E a Clayco, de Clark, tornou-se parceira da empresa. Juntas, construíram o complexo de jogos do Casino Queen, em East St. Louis, um projeto de US$ 100 milhões (R$ 510 milhões) e 230 mil pés quadrados — cerca de 21,4 mil metros quadrados.
Para cumprir as exigências do Missouri, que permitiam apenas cassinos flutuantes, elas ergueram a estrutura de concreto sobre enormes placas de espuma em uma bacia fechada e, depois, bombearam 340 mil galões de água para fazê-la flutuar.
A empresa de Weaver, que a essa altura já havia mudado de nome para TW Constructors, quase faliu durante a Grande Recessão de 2008, quando os investimentos em construção secaram. Ele tinha uma dívida de US$ 2,5 milhões (R$ 12,75 milhões) e estava à beira de entrar em inadimplência.
Ele não queria pedir um resgate financeiro a Clark, então cortou custos onde pôde e acionou todos os contatos que havia construído ao longo dos anos. Steward fez uma proposta: se Weaver conseguisse levantar US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões), Steward emprestaria mais US$ 1 milhão e assinaria uma linha de crédito de US$ 10 milhões (R$ 51 milhões).
Weaver encontrou 11 pessoas que aceitaram emprestar US$ 100 mil (R$ 510 mil) cada, a uma taxa de juros de 10%. Ele pagou todas de volta em 12 meses. (Por meio de um representante, Steward confirmou apenas que ele e Weaver mantêm uma “relação de mentoria próxima”.)
Weaver de fato se tornou um dos principais empreiteiros da World Wide Technology, de Steward, que contratou a TW Constructors para construir duas sedes, 2 milhões de pés quadrados — cerca de 185,8 mil metros quadrados — de centros de distribuição e laboratórios de tecnologia da informação, além de quatro data centers.
Outra grande oportunidade surgiu quando o Google contratou Weaver para trabalhar em um pequeno projeto de data center, há mais de uma década. Hoje, a TW Constructors ajuda a prestar serviços e modernizar data centers em seis campi do Google.
Com contratos recentes com empresas como Microsoft, Apple e Eli Lilly, Weaver dobrou a receita de suas empresas para quase US$ 400 milhões (R$ 2,04 bilhões) no ano passado e caminha para uma receita estimada em US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em 2026.
Clark e Weaver continuam realizando projetos juntos. Em 2024, eles se uniram para construir o Siteman Cancer Center, de 657 mil pés quadrados — cerca de 61 mil metros quadrados — no complexo hospitalar da University of Washington, em St. Louis.
Segundo Clark, hoje com 67 anos, Weaver é um membro “pleno e igual” da família e herdará parte de seu patrimônio ao lado de seus três filhos biológicos. Clark, porém, insiste: “Eu não acredito em riqueza geracional”.
Ele pretende, algum dia, transferir a maior parte de sua participação de 60% nas empresas do grupo Clayco para os funcionários. Diz que, se um dia se aposentar da Clayco, pedirá um emprego a Weaver.
Se a DGN continuar crescendo nesse ritmo, Weaver terá muitas vagas disponíveis para ele.
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com