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Ibovespa Tem Pior Semana desde a Pandemia com Ajustes Pós-eleição; Dólar Sobe a R$ 5,44

A queda acumulada soma 18,12% e é a maior desde o recuo de 18,88% da semana do dia 20 de março de 2020

8 min

O Ibovespa caiu pelo quinto pregão seguido nesta sexta-feira (30) e cravou a maior queda semanal desde 2020, consistentes no período por uma forte reprecificação das ações na bolsa paulista após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou o dia com declínio de 0,75%, a 167.921,80 pontos, acumulando uma perda semanal de 18,12% – a maior desde o recuo de 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, na pandemia da Covid. No pior momento da sessão, o índice cedeu a 167.007,57 pontos. Na máxima, marcou 169.184,60 pontos. Em outubro, o Ibovespa caiu 9,88%, maior perda mensal desde junho de 2022.

O volume financeiro somou R$43,47 bilhões, com o fim de semana prolongado pelo feriado na segunda-feira.

“O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal… Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez”, afirmou o chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass.

O Ibovespa renovou máximas no começo de outubro, superando os 209 mil pontos, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno da eleição presidencial, o que alimentou apostas no mercado de uma mudança em Brasília. Mas o segundo turno teve um desfecho diferente, com Lula conquistando o quarto mandato.

“Sem dúvidas, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas, empurrando o juro longo para cima e dificultando cortes mais agressivos da Selic”, afirmou Gass, chamando atenção também para a saída de capital externo das ações brasileiras no período.

De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela B3, houve uma saída de liquidez externa para o mercado secundário de quase R$ 7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana. No mês, porém, o saldo segue positivo, em quase R$ 8,6 bilhões. No ano, alcança quase R$36 bilhões. No primeiro pregão após o primeiro giro, a bolsa registrou um fluxo positivo de R$ 10 bilhões.

O cenário externo tampouco ajudou a atenuar a pressão do vendedor no mercado brasileiro nesta sexta-feira, em meio às preocupações envolvendo os investimentos em inteligência artificial, após a divulgação dos balanços de nomes como Alphabet e Amazon.com nos últimos dias. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em queda de 1,82%.

A partir de terça-feira, a B3 muda os horários de negociação dos mercados de bolsa e de balcão em razão do término do horário de verão nos Estados Unidos (11/01/2026), além de Alemanha e Inglaterra (25/10/2026), e o pregão terá sua duração ampliada em uma hora, com a chamada de fechamento passando a ter início às 17h55 e fim às 18h.

Destaques

• BTG PACTUAL UNIT recuou 4,66%, em sessão negativa para a maioria dos bancos do Ibovespa, tendo também no radar relatório de analistas do Itaú BBA rebaixando as unidades para “market perform” e reduzindo o preço-alvo de R$70 para R$60. SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 2,84%, ITAÚ UNIBANCO PN – que divulga balanço na próxima semana – perdeu 2,15% e BRADESCO PN caiu 2,12%, enquanto BANCO DO BRASIL ON fechou com variação positiva de 0,06%.

• VALE ON avanço líquidou 3,28%, concorrente como um contrapeso positivo relevante, mesmo após queda de 53% no lucro do terceiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, para US$1,255 bilhão, em desempenho específico pelo retorno de preços de minerais e alta de custos. Executivos da mineradora afirmaram que a Vale não deve pagar dividendos extraordinários neste ano diante das incertezas do cenário geopolítico global. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado em Dalian fechou o dia com queda de 1,18%. CSN MINERAÇÃO ON saltou 8%.

• PETROBRAS PN subiu 0,98%, também ajudando a atenuar a pressão negativa no Ibovespa, endossada pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional, além de anunciar na véspera de que acordos um terceiro intervalo portador de petróleo na mesma proporção, na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultra profundas da costa do Amapá, elevando as expectativas para a abertura de uma nova fronteira exploratória na região.

• USIMINAS PNA tombou 8,59%, após a produção de aços planos divulgar um lucro líquido abaixo do esperado no terceiro trimestre, de R$243 milhões, e prever retorno nas vendas do fim de 2026. Na mínima até o momento, os papéis chegaram a R$5,04 (-7,86%), menor cotação intradia em um ano. Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo da companhia, Marcelo Chara, disse que a Usiminas está aproveitando as medidas antidumping do governo brasileiro sobre o aço chinês para recuperar margens e participação no mercado. Ele destacou, porém, que as medidas demoraram cerca de 18 meses para ter efeito e disse que a empresa está em contato com o governo para ações adicionais de defesa comercial.

• CSN ON caiu 8,49%, revertendo os ganhos dos primeiros negócios, de mais de 2% na máxima, na sessão marcada pelo anúncio de que assinou um acordo de exclusividade de 10 dias para a venda da sua subsidiária de cimentos à chinesa Huaxin, em movimento que faz parte de um amplo plano de venda de ativos para reduzir seu endividamento. O acordo contempla um “enterprise value” (EV) de R$ 12,7 bilhões. No setor, GERDAU PN encerrou com declínio de 1,3%.

Dólar data no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição

O dólar fechou na sexta-feira com alta superior a 1% e próximo dos R$ 5,45, novamente empurrado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos recebimentos com o futuro da política fiscal no Brasil.

A moeda norte-americana à vista encerrou sessão com alta de 1,09%, a R$5,4460, maior cotação de fechamento registrado em 2026.

O saldo da semana pós-segundo giro foi de valorização de 9,15% do dólar ante o real. Em outubro, o dólar à vista acumulada ganhou 5,27%.

Às 17h12, o dólar futuro para dezembro — que nesta sexta-feira passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro — subiu 1,06% na B3, para R$ 5,4730.

A primeira metade da sessão desta sexta-feira foi marcada pela disputa em torno da formação da Ptax de fim de mês.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, os agentes financeiros tentam direcionar os níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Na função de disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$ 5,4206 na compra e R$ 5,4212 na venda.

Além do fator técnico que influenciou as cotações, o mercado teve um impacto sensível aos desdobramentos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, que surpreendeu o mercado e provocou uma escalada do dólar ao longo da semana.

Ao mesmo tempo em que aguardam o cronograma sobre quem comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a política fiscal no novo governo.

“Até o fim do período eleitoral, a parcela expressiva do mercado financeiro operava posicionada para um cenário de vitória do candidato Flávio Bolsonaro, o que quebrou um ajuste imediato e intenso das carteiras após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva”, mencionou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

“Com a declaração desse novo cenário, as atenções se voltaram para as incertezas sobre o futuro da política fiscal e a trajetória das contas públicas, gerando forte cautela quanto à composição da nova equipe econômica”, acrescentou.

Durante a tarde desta sexta-feira, os investidores também aumentaram a demanda por dólares em busca de proteção no fim de semana prolongado no Brasil, com feriado de Finados na segunda-feira.

Às 15h52, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$ 5,4625 (+1,39%), para depois consolidar um pouco abaixo dos R$ 5,45.

O movimento no Brasil, marcado por fatores técnicos e pelos desdobramentos da eleição, colocou em segundo plano o exterior, onde o dólar também sustentou altas antes de alguns pares do real, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.

Às 17h31, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,01%, a 101,890.

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