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Ibovespa Tem Queda Modesta em Dia de Acomodação após Tombo e Dólar Cede 1%

Após a maior queda da Bolsa desde 2020, mercado busca acomodação, enquanto investidores acompanham os sinais do governo sobre a política fiscal

7 min

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, em pregão de acomodação na bolsa paulista após fortes perdas na véspera com o desfecho da eleição presidencial no país, enquanto persistem incertezas sobre o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O índice caiu 0,51%, a 175.710,05 pontos, mas chegou a 178.526,08 pontos na máxima do dia. Na mínima, marcou 175.130,23 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$72,23 bilhões.

Na segunda-feira, o Ibovespacaiu quase 14%, na maior queda desde 2020, após a reeleição de Lula contrariar expectativas no mercado de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e uma possível agenda mais favorável a um ajuste fiscal.

Levantamento da Elos Ayta apurou que as empresas listadas na B3 perderam um valor de mercado consolidado de R$734 bilhões na véspera.

Agentes financeiros atribuíram o movimento de segunda-feira a desmonte de posições que apostavam na vitória de Flávio, não necessariamente a fundamentos, mas apontaram aumento de incertezas sobre as perspectivas fiscais do país.

Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira mais cedo que reafirmou a Lula a necessidade de dar uma sinalização propositiva ao mercado e que o governo já tem medidas prontas para apresentação, incluindo a que permite a busca do centro da meta fiscal.

A declaração não foi suficiente para uma melhora mais sólida, com investidores preferindo esperar para ver os planos para o quarto mandato de Lula.

De acordo com o analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, a performance do Ibovespa nesta sessãomostra que o ambiente segue volátil e marcado por incertezas.

“O foco dos investidores agora se desloca da eleição para a condução da política econômica. O mercado aguarda, sobretudo, a definição do nome para o Ministério da Fazenda e algum sinal concreto do governo de compromisso com o equilíbrio das contas públicas”, afirmou.

Na visão de Villela, enquanto essa sinalização não vier, a tendência é que a volatilidade permaneça elevada, com os preços bastante sensíveis a cada notícia vinda de Brasília.

Destaques

• VALE ON recuou 2,14%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,9%. Também no radar está o balanço da mineradora do terceiro trimestre, previsto para quinta-feira, após o fechamento do mercado.

• PETROBRAS PN caiu 2,02%, com a fraqueza do petróleo no exterior também no radar. O barril do Brent fechou em queda de 1,8%, a US$113,88. O Goldman Sachs prevê que a Petrobras deverá manter os preços do diesel vendido a distribuidoras inalterados até o fim do ano, após o governo brasileiro ter decidido prorrogar por mais 30 dias os subsídios ao combustível.

• BANCO DO BRASIL ON fechou em queda de 0,52%, sem conseguir sustentar o sinal positivo que apresentou em parte da sessão, chegando a uma alta de 4,8% no melhor momento. Na véspera, o papel encerrou o dia com um tombo de mais de 29%. BRADESCO PN terminou com decréscimo de 1,38%, ITAÚ UNIBANCO PNperdeu 1,22 % e SANTANDER BRASIL UNIT, que divulga balanço na quarta-feira, caiu 1,63%. BTG PACTUAL UNIT subiu 0,42%. O Citi rebaixou as ações do BB para venda e do Bradesco para neutra, enquanto manteve Itaú e BTG com recomendação de compra.

• B3 ON avançou 2,19%, em sessão de ajustes, embora tenha arrefecido ante a máxima do dia (+4,71%). Na véspera, a ação fechou com um tombo superior a 36,28%, após afundar quase 50% no pior momento. Em Nova York, XPsubiu 1,62%, experimentando uma trégua após desabar mais de 48% na segunda-feira. Analistas do Citi cortaram a recomendação para ambos os papéis para “neutra”, avaliando que juros mais altos e a incerteza fiscal devem continuar pressionando o apetite por risco, as entradas líquidas de recursos, a atividade de negociação e as emissões no mercado de capitais. “Embora a qualidade dos negócios permaneça sólida, vemos um ambiente operacional menos favorável.”

• MAGAZINE LUIZA ON saltou 8,49%, em dia de correção, após afundar mais de 58% na segunda-feira.

• TENDA ON subiu 10,2%, também com ajustes, assim como DIRECIONAL ON, que fechou com elevação de 5,35%, endossadas ainda por relatório do JPMorgan, que elevou a recomendação de ambos os papéis para “overweight”. CURY ON, que também teve upgrade, avançou 3,55%. Na contramão, MRV&CO ON recuou 5,71%, CYRELA ON caiu 3,16% e EZTEC ON, que não faz parte do Ibovespa, perdeu 6,25%. O JPMorgan manteve MRV&Co com recomendação neutra, mesma classificação que agora estabeleceu para Cyrela e Eztec, que eram “overweight”.

• GERDAU PN caiu 2,75%, em pregão negativo no setor siderúrgico, com investidores também analisando o balanço da companhia no terceiro trimestre, que mostrou lucro líquido ajustado de R$1,52 bilhão, alta de 39,7% ano a ano. O vice-presidente financeiro do grupo, Rafael Japur, disse nesta terça-feira que a principal operação da Gerdau, a América do Norte, deve tervolumes de venda menores no quarto trimestre, mas margem de lucro operacional estável na comparação trimestral.

• BRASKEM PNA, que não faz parte do Ibovespa, disparou 16,35%, também recuperando-se de fortes perdas na véspera. No sábado, a petroquímica informou que, após diversas reuniões com seus principais acionistas e investidores, nenhuma das propostas relacionadas ao plano de recuperação extrajudicial foi aceita e as partes ainda não chegaram a um acordo quanto aos termos de uma reestruturação de dívidas da ordem de US$10,9 bilhões da petroquímica. No entanto, afirmou que as negociações foram prorrogadas até 30 de outubro.

Dólar fecha em baixa de 1% 

Após disparar na véspera mais de 8% depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o dólar fechou a terça-feira com baixa próxima de 1%, com o mercado demonstrando maior acomodação.

O dólar à vista encerrou com queda de 1,07%, a R$5,3488. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 2,55%. Às 17h04, o dólar futuro para novembro cedia 0,51% na B3, aos R$5,3505.

Na segunda-feira, o dólar encerrou a sessão com alta de 8,36%, aos R$5,4066, com os investidores reagindo negativamente à vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o favorito da Faria Lima. Além do ajuste de posições, a disparada refletiu receios em torno da continuidade da atual política fiscal.

Nesta terça-feira, porém, o dólar recuou durante todo o dia, com o mercado se ajustando ao forte movimento da véspera. Às 10h42, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,3166 (-1,66%).

Em rápida entrevista a jornalistas no Ministério da Fazenda pela manhã, o ministro Dario Durigan reafirmou a intenção do governo de buscar o centro da meta fiscal — uma das principais preocupações do mercado financeiro. A medida, segundo ele, será tratada com o Congresso.

O ministro pontuou ainda que a forte pressão vista na segunda-feira na bolsa, no câmbio e no mercado de juros futuros representou uma “troca de posição, porque o mercado estava apostando em outro candidato”.

Para ele, já havia nesta terça-feira uma reação no mercado local de acomodação de expectativas.

Durante entrevista coletiva em Brasília, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou que a instituição atuará no mercado de câmbio quando perceber disfuncionalidades.

No exterior, a moeda norte-americana também cedeu ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, a rupia indiana e o rand sul-africano. No entanto, avançou ante o euro e a libra.

Às 17h07, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,28%, a 102,310.

No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 80.000 contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento de 3 de novembro.

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