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Aceleração da Inflação nos EUA Aumenta Perspectiva de Novas Altas de Juros Pelo Fed

CPI subiu 0,6% em setembro, enquanto a taxa anual chegou a 3,7%, acima da meta de 2% do Federal Reserve; mercados avaliam novas altas até dezembro

5 min

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) em setembro registrou alta mensal de 0,6%, enquanto a taxa anual cheia avançou para 3,7%. O índice permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), pressionado, em parte, pela disparada dos preços da energia. Após a divulgação dos dados, os mercados passaram a considerar mais provável uma alta de juros em 28 de outubro, embora o cenário-base ainda aponte para uma nova elevação em 9 de dezembro. As autoridades monetárias têm indicado uma postura de cautela, aguardando novos dados e mantendo flexibilidade quanto ao momento de agir. Enquanto isso, o governo Trump criou um comitê para investigar acusações de fraude hipotecária contra a diretora do Fed Lisa Cook e pediu a renúncia de Jerome Powell.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) em setembro mostrou aceleração. Os preços subiram 0,6% no mês, enquanto a taxa anual cheia avançou para 3,7%. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, ficou em 2,6% em 12 meses. Os números indicam que a inflação não está perdendo força nas leituras mais recentes e continua acima da meta anual de 2% do Federal Reserve.

No entanto, boa parte da alta recente da inflação se deve à disparada dos preços da energia, que podem apresentar forte volatilidade e recuar dependendo dos desdobramentos do conflito com o Irã.

O que os mercados esperam

Com os dados de inflação de setembro acima do esperado, os mercados passaram a considerar mais provável uma alta de juros ainda neste mês, em 28 de outubro. No entanto, o cenário-base do mercado é que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), responsável pelas decisões de política monetária do Fed, provavelmente aguardará até 9 de dezembro antes de voltar a elevar as taxas.

Declarações de autoridades monetárias indicam menor urgência

De modo geral, as autoridades monetárias têm sinalizado uma postura de cautela, aguardando novos dados antes de decidir sobre novas altas de juros, embora indiquem uma tendência de elevação das taxas. O diretor do Federal Reserve Christopher Waller afirmou:

“Se os dados econômicos continuarem chegando conforme o esperado, prevejo novas altas de juros para viabilizar um retorno mais rápido da inflação à nossa meta de 2%. Mas há alguma flexibilidade quanto ao momento em que essas altas ocorrerão. Elas não precisam acontecer em reuniões consecutivas, mas devem ser implementadas dentro de um prazo razoável.”

Waller fez a declaração durante um discurso na Turquia, em 8 de outubro.

O vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, por sua vez, adotou uma posição menos definida em 1º de outubro, ao afirmar:

“Desde nossa reunião de setembro, os rendimentos dos títulos aumentaram ainda mais ao longo de toda a estrutura a termo, um sinal de que os investidores estão reavaliando a evolução do cenário macroeconômico. Meus colegas e eu precisaremos formar nossa própria avaliação, o que pode levar mais tempo. Continuarei analisando se as tendências subjacentes indicam que a inflação retornará à meta em um ritmo suficientemente rápido. Com mais dados disponíveis, essas tendências poderão ser identificadas com maior clareza, assim como a postura adequada da política monetária.”

As duas declarações foram feitas antes da divulgação dos números do CPI desta semana, que podem ter reforçado, em alguma medida, os argumentos favoráveis a uma alta de juros no curto prazo.

Tensão com o presidente

O governo do presidente Donald Trump também retomou os ataques relacionados ao Federal Reserve nas últimas semanas. Em 7 de outubro, a administração criou um comitê para investigar acusações de fraude hipotecária contra a diretora do Fed Lisa Cook.

Os advogados de Cook argumentam que esse processo desrespeita a independência do banco central. Em uma decisão por 5 votos a 4, proferida em 29 de junho, a Suprema Corte manteve restrições ao poder do presidente de demitir integrantes da diretoria do Fed.

Além disso, um relatório publicado em 29 de setembro sobre a gestão do Fed nas reformas de seus edifícios apontou deficiências, mas não encontrou evidências de violação da lei ou de irregularidades administrativas. Ainda assim, a divulgação do documento levou Trump a exigir que Jerome Powell renunciasse ao cargo, sob ameaça de processo judicial.

Powell continua integrando o Fomc, embora já não ocupe a presidência do comitê. Caso Trump consiga substituir Cook ou Powell no Fed, poderá ampliar sua influência sobre a política monetária, área em que historicamente defende taxas de juros mais baixas.

Trump não fez ataques ao presidente do Fed, Kevin Warsh, que nomeou recentemente. As medidas mais recentes do governo, no entanto, indicam uma nova rodada de tensões entre o presidente dos Estados Unidos e o Federal Reserve.

O que observar daqui para a frente

Com a maior parte dos dados econômicos relevantes já divulgada antes da reunião do Fomc, marcada para 27 e 28 de outubro, os mercados atribuem uma probabilidade de aproximadamente 30% a uma alta de juros ainda neste mês. A possibilidade de duas novas elevações em 2026, projetadas no fim de setembro, perdeu força em alguma medida.

No entanto, segundo a ferramenta CME FedWatch, os mercados estão convencidos de que, se não houver alta em outubro, uma elevação dos juros em 9 de dezembro será altamente provável.

As declarações públicas das autoridades monetárias têm sido relativamente cautelosas e pouco conclusivas. Elas indicam que os juros podem subir em outubro, mas não há um plano definido para aumentos consecutivos entre as reuniões do Fed.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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