Bom dia. Estamos na segunda-feira, 26 de outubro.
Cenários
A semana deve começar com uma volatilidade elevada dos ativos financeiros devido à reeleição inesperada de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República. Contrariando as pesquisas de intenção de voto, que davam uma pequena porém nítida vantagem numérica a Flávio Bolsonaro, Lula venceu por 51,8% dos votos válidos, ante 48,8% do candidato de oposição.
Como os investidores já vinham antecipando uma vitória de Flávio Bolsonaro, o Ibovespa havia subido para o patamar de 205 mil pontos e o dólar chegou a recuar para menos de R$ 5,00 entre o primeiro e o segundo turnos. O resultado contrariou as expectativas, o que deve provocar uma reversão abrupta da trajetória dos preços.
A expectativa dos investidores é de uma forte alta do dólar, que pode chegar a R$ 5,50, e de uma queda significativa do Ibovespa na abertura dos negócios, com a possibilidade de acionamento do “circuit breaker” logo no início do pregão.
O “circuit breaker” acionado quando a queda diária supera 10%, de modo a impedir que eventuais efeitos manada reduzam muito o valor de mercado das empresas. Se o Ibovespa cair mais de 10%, os negócios são suspensos por 30 minutos. Se, ao retornar, o mercado seguir caindo e a baixa superar 15%, as atividades são suspensas por uma hora. E se no retorno houver mais quedas e a baixa superar 20%, a pausa não terá prazo definido e será decidida pela própria B3.
Há motivos relevantes para o pessimismo. Segundo análise de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, “Lula está diante de um problema fiscal grave, e o benefício da dúvida sobre sua atuação não se fará presente para facilitar seu trabalho”. Para Sanchez, “frente à baixa capacidade de disciplina fiscal, não seria surpreendente se o dólar superasse os R$ 5,50 e orbitasse nesse patamar por um bom período”.
No caso da Selic, a expectativa de Sanchez o cenário para Lula contemplava um curso contínuo até 12,75%, mas, sob o escrutínio das expansões, passamos a projetar que a próxima reunião do Copom deverá ser a última em que teremos corte de juros, de 0,25 p.p., levando a Selic a 13,50%, patamar em que deverá permanecer ao longo de 2027.
No exterior, o petróleo recua 1,5%, porém ao redor de US$ 115 por barril, enquanto os juros americanos voltaram a superar 5%. “A semana concentra decisões de política monetária do Federal Reserve, do Banco Central Europeu e do Banco do Japão, além de indicadores relevantes de atividade e inflação nos Estados Unidos”, afirma Marianna Costa, economista da corretora Mirae Asset.
Perspectivas
As opções de real brasileiro com vencimento em novembro negociadas na bolsa de Chicago estão em queda de 10,44% para US$ 0,1788, ante os US$ 0,1997 da sexta-feira. Como as negociações são feitas em dólares por real, isso significa que o dólar subiu de R$ 5,009 na sexta-feira para R$ 5,593 no pré-mercado.
No pré-mercado em Nova York, as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil, que registraram uma baixa de 19% após a divulgação do resultado do segundo turno na madrugada da segunda-feira, ampliaram a queda para 25,8%.
Indicadores
BRASIL
Boletim Focus
Confiança do Consumidor FGV (Out)
Esperado: ND
Anteiror: 84,2
Investimento Estrangeiro Direto (Set)
Esperado: + US$ 6,50 bilhões
Anterior: + US$ 7,40 bilhões
Déficit em Transações Correntes (Set)
Esperado: – US$ 5,00 bilhões
Anterior: – US$ 5,06 bilhões
ESTADOS UNIDOS
Sem indicadores relevantes