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Menos Séries, Mais Publicidade: Como o Streaming Está Mudando de Estratégia

O formato já representa 48,6% do consumo televisivo nos EUA e se aproxima da TV tradicional com mais anúncios, parcerias e eventos ao vivo

8 min

Segundo umestudoapresentado pela Glance durante a MIPCOM 2026,as plataformas de streaming estão cada vez mais próximas da televisão tradicional, em um cenário marcado pela redução das opções de distribuição de conteúdo, pelo avanço da publicidade e pela capacidade das séries de sucesso de manter públicos mais fiéis do que as novas estreias.

A empresa especializada em análises dos mercados televisivo e audiovisual examinou dados de audiência, catálogos das plataformas e tendências internacionais de conteúdo durante uma apresentação emCannes. Os resultados revelam uma indústria na qual canais de televisão e serviços de streaming já não operam como negócios separados. Em vez disso, competem e, ao mesmo tempo, colaboram cada vez mais na disputa por espectadores e receitas publicitárias.

Para as plataformas de streaming, essa transformação também está mudando a maneira de investir em conteúdo. Em vez de depender exclusivamente de produções originais para conquistar assinantes, os serviços estão ampliando seus catálogos por meio deacordos com emissoras de televisão, apostando em franquias já conhecidas e buscando incorporartransmissões esportivase outros eventos ao vivo capazes de atrair grandes audiências.

Catálogos crescem

Segundo a Glance,a quantidade de novas séries está diminuindo tanto na televisão tradicional quanto nas plataformas de streaming. Nos 48 mercados analisados, as estreias de séries na TV linear caíram 12% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o catálogo global daNetflixencolheu 12%, enquanto oDisney+registrou uma queda de 41%.

NaFrança, a quantidade de horas de conteúdo disponíveis naNetflixaumentou 61% em junho de 2026 após a inclusão de produções daTF1+. Já o catálogo doPrime Videocresceu 49% graças à incorporação de programas daM6+e dafrance.tv.

De um lado, as emissoras de televisão encontram novas formas de distribuir seus conteúdos e gerar receitas por meio deacordos de licenciamento. De outro, os serviços de streaming conseguem ampliar e diversificar seus catálogos sem precisar produzir ou encomendar cada título por conta própria.

Protagonismo da publicidade

A televisão tradicional continua perdendo espectadores, embora a intensidade e o ritmo dessa queda variem de acordo com o país. De acordo com a Glance, o tempo diário dedicado à TV diminuiu em todos os mercados analisados durante o primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

OReino Unidoregistrou a maior redução, com nove minutos a menos por dia, chegando a uma média de duas horas. AItália, por outro lado, manteve-se como o país da Europa Ocidental onde mais se assiste à televisão, com média diária de três horas e 32 minutos.

Nos Estados Unidos, a participação do streaming no consumo total de vídeo passou de 36% em janeiro de 2024 para 48,5% em junho de 2026. No mesmo período, a televisão aberta perdeu espaço, recuando de 24,2% para 19,8%, enquanto a TV por assinatura caiu de 27,9% para 19,5%.

Osdados da Nielsentambém confirmam o avanço do streaming. Em maio de 2026, essas plataformas responderam por48,6%do tempo total de consumo televisivo nos Estados Unidos, enquanto oYouTube, sozinho, representou13,8%. Os números mostram que a concorrência já não se restringe aos serviços por assinatura, mas inclui também plataformas que distribuem vídeos produzidos por usuários e criadores de conteúdo.

Ainda, essa mudança está alterando omercado publicitário. No Reino Unido, os serviços de vídeo sob demanda das emissoras de televisão aumentaram sua participação nas receitas publicitárias do setorde 23% para 29%entre 2023 e 2025. Na França, essa fatia avançoude 9% para 14%. Além disso, para a Glance, as receitas com publicidade dos serviços de streaming por assinatura no mercado francês cresceram de23 milhões de eurosem 2023 para200 milhões de eurosem 2025.

À medida que as plataformas de streaming passam a oferecer ou ampliar seus planos de assinatura com publicidade, começam a competir diretamente com as emissoras tradicionais pelos investimentos dos anunciantes.

Poder de atração

Os resultados da Glance mostram que séries que já possuem umaaudiência consolidadaestão ganhando importância nas plataformas de streaming.

Na Espanha, novas temporadas de produções já existentes representaram 58% dos títulos do Top 10 da Netflix, ante 35% em 2023. Em contrapartida, a participação das estreias de novas séries caiu de 65% para 33%.

Oseventos esportivos ao vivomantêm grande capacidade de atrair espectadores. A Glance destacou que aCopa do Mundo da FIFAalcançou uma audiência acumulada de2,6 bilhões de espectadoresnaChina. No Reino Unido, 24 milhões de pessoas acompanharam a semifinal disputada pela Inglaterra, tornando-a a transmissão televisiva mais assistida no país desde a final daEurocopa 2020. NaEspanha, a prorrogação da final da Copa do Mundo reuniu 16,6 milhões de espectadores. Já a vitória da Noruega sobre o Brasil foi acompanhada por 1,95 milhão de pessoas e concentrou 98% da audiência televisiva norueguesa.

As plataformas de streaming buscam adquirir direitos de transmissão esportiva para incorporar eventos capazes de reunir grandes públicos, algo difícil de alcançar apenas com conteúdos disponíveis sob demanda.

Entre os exemplos estão aUEFA Champions Leagueno Paramount+, no Reino Unido; aNHLno Prime Video, nos Estados Unidos; e aFórmula Eno Disney+, em âmbito internacional.

Formatos internacionais e parcerias locais ganham espaço

A plataforma de pesquisa NoTa, da Glance, que analisa mais de10 mil estreias de séries de televisão por anoem 48 mercados, identificou Estados Unidos e Reino Unido como os principais exportadores de séries de ficção. A França alcançou a terceira posição, empatada com a Turquia, apesar de ter um volume menor de produção. Juntos,esses quatro países respondem por 60% das exportações internacionais de séries de ficção.

As produções com maior distribuição internacional mudaram em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, conteúdos originais das plataformas de streaming estão chegando a novos públicos por meio de canais de televisão locais e serviços regionais. Nesse cenário, coproduções e acordos de colaboração entre empresas de diferentes países também ganham relevância.

No segmento deprogramas sem roteiro, como reality shows e competições, Reino Unido, Estados Unidos e Países Baixos continuam entre os principais exportadores de formatos. No entanto,a participação conjunta desses países nas adaptações internacionais caiu cinco pontos percentuais, para 58%.

Os países nórdicos estão ganhando espaço tanto na venda quanto na compra de conteúdos, enquanto competições protagonizadas por celebridades, que colocam à prova suas capacidades psicológicas ou intelectuais, aumentam sua presença em diferentes mercados.

A Glance identificou novas tendências nos conteúdos televisivos. As séries de ficção incorporam cada vez mais temas ambientais, protagonistas que enfrentam instituições poderosas e histórias policiais ambientadas em restaurantes ou ligadas à gastronomia.

Já os programas sem roteiro apostam em formatos que combinam competições com elementos judiciais, desafios militares e provas de sobrevivência. Soma-se a isso uma integração crescente entre podcasts em vídeo, programas produzidos por criadores de conteúdo e vídeos verticais.

A próxima etapa

Para o fim de 2026, a Glance identificou diversos fatores que podem influenciar os rumos da indústria, entre eles os próximos grandes lançamentos, os processos de consolidação entre empresas de mídia e os investimentos publicitários relacionados às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

Entre as produções que despertam maior expectativa estão a nova série deHarry Potter, da Warner Bros., eBlade Runner 2099, do Prime Video.

Tanto para as emissoras de televisão tradicionais quanto para as plataformas de streaming, entender quais conteúdos os espectadores escolhem e os motivos por trás dessas preferências está se tornando um fator essencial para orientar decisões comerciais e de programação.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes Argentina

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