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Balanços do 3º Trimestre: Veja os Resultados das 10 Empresas de Destaque da Bolsa Brasileira

PRIO e Vibra registraram forte avanço dos lucros, enquanto Itaú manteve rentabilidade elevada

7 min

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 trouxe resultados distintos entre algumas das principais companhias listadas na B3. Itaú e BB Seguridade apresentaram lucros bilionários, enquanto PRIO e Vibra registraram forte crescimento dos resultados. No setor elétrico, AXIA e ISA Energia tiveram números influenciados por mudanças na estrutura de ativos e efeitos contábeis.

A seleção reúne empresas com participação relevante no Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, e companhias que representam setores estratégicos da economia. O Itaú Unibanco responde por 8,49% do índice, enquanto a Axia Energia representa 4,88%. PRIO e Vibra Energia têm participações de 1,87% e 1,62%, respectivamente. Também integram a carteira BB Seguridade, Raia Drogasil, TOTVS e ISA Energia. A seleção inclui ainda empresas como Marcopolo e Smart Fit, cuja relevância está associada à representatividade em seus segmentos de atuação.

A seguir, os principais indicadores financeiros e operacionais das dez empresas selecionadas, com comparação em relação ao terceiro trimestre de 2025.

*Apuração com base nos resultados divulgados no mês, dias 3 e 4 de novembro de 2026.
*Nota metodológica: os indicadores consideram o lucro contábil ou ajustado, conforme a métrica mais representativa divulgada por cada companhia. Quando há diferenças relevantes entre eles, os dois números são apresentados separadamente. Os percentuais de crescimento referem-se ao mesmo trimestre de 2025, salvo indicação contrária.

1. Itaú Unibanco (ITUB4)

Destaque positivo

  • Lucro líquido recorrente gerencial: R$ 12,6 bilhões, alta de 6,2%.
  • Margem financeira gerencial: R$ 34,6 bilhões.
  • ROE: 23,6%, indicador de rentabilidade sobre o patrimônio líquido.
  • Carteira de crédito: crescimento de 10,2% em 12 meses.

O maior banco privado do país manteve a rentabilidade em patamar elevado, apoiado pela expansão da carteira de crédito, pelo controle da inadimplência e pela evolução das margens financeiras. O lucro veio em linha com as expectativas do mercado, reforçando a consistência operacional da instituição.

2. AXIA Energia (AXIA3)

  • Lucro líquido ajustado societário: R$ 1,8 bilhão, queda de 19%.
  • Lucro líquido ajustado acumulado: R$ 7,1 bilhões nos nove primeiros meses, alta de 98%.
  • Ebitda regulatório ajustado: R$ 6,9 bilhões, crescimento de 8,4%.
  • Investimentos: R$ 2,9 bilhões no trimestre, alta de 6%.

A antiga Eletrobras manteve o avanço operacional, com redução de despesas e evolução do resultado financeiro. O destaque ficou para o programa de investimentos: os aportes somaram R$ 7,3 bilhões entre janeiro e setembro, expansão de 28% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

3. PRIO (PRIO3)

Destaque positivo

  • Lucro líquido contábil: US$ 516,6 milhões, alta de 707%.
  • Lucro líquido ex-IFRS 16: US$ 521,1 milhões, crescimento de 468%.
  • Receita líquida: US$ 1,37 bilhão, avanço de 146%.
  • Ebitda ajustado: US$ 1,09 bilhão, alta de 235%.
  • Produção média: recorde de 191,6 mil barris por dia, crescimento de 117%.

A petroleira apresentou forte expansão dos resultados, impulsionada pelo aumento da produção, pela entrada em operação dos poços do projeto Wahoo e pela valorização do petróleo Brent. O custo de extração também recuou: o lifting cost caiu 55% em um ano, para US$ 7,90 por barril.

4. Vibra Energia (VBBR3)

Destaque positivo

  • Lucro líquido: R$ 2,46 bilhões, alta de 504%.
  • Receita líquida ajustada: R$ 56,93 bilhões, crescimento de 17%.
  • Ebitda ajustado: R$ 4,29 bilhões, avanço de 137%.
  • Volume comercializado: 9,61 milhões de metros cúbicos, alta de 4%.
  • Dívida líquida: R$ 14,4 bilhões, queda de 23% em 12 meses.

A distribuidora de combustíveis ampliou a geração de resultados em meio a um ambiente de menor oferta no setor e maior combate às irregularidades no mercado. A companhia também registrou fluxo de caixa operacional de R$ 2,7 bilhões e reduziu a alavancagem para uma vez a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado.

5. BB Seguridade (BBSE3)

  • Lucro líquido gerencial recorrente: R$ 2,43 bilhões, queda de 5,1%.
  • Resultado financeiro combinado: R$ 655,7 milhões, recuo de 8,3%.
  • Resultado operacional recorrente não decorrente de juros: R$ 2,62 bilhões, queda de 3%.

A seguradora registrou retração do lucro na comparação anual, pressionada principalmente pela menor contribuição da Brasilseg e da BB Corretora. Na primeira, pesaram a redução dos prêmios ganhos, o aumento do índice combinado e a queda do resultado financeiro. O desempenho financeiro também foi afetado pela menor taxa média da Selic e pela redução do saldo de aplicações.

6. RD Saúde (RADL3)

  • Lucro líquido ajustado: R$ 439,1 milhões, alta de 9,2%.
  • Receita líquida: R$ 11,4 bilhões, crescimento de 7,8%.
  • Ebitda ajustado: R$ 1,02 bilhão, avanço de 14,7%.
  • Vendas em mesmas lojas: alta de 10,1%.
  • Dívida líquida ajustada: R$ 2,9 bilhões, queda de 15,4% em 12 meses.

Dona das redes Raia e Drogasil, a companhia combinou crescimento das vendas com avanço do resultado operacional. O desempenho foi impulsionado pela expansão das vendas de medicamentos, especialmente os de marca, e pelo avanço dos canais digitais. Apesar disso, a margem Ebitda recuou ligeiramente, para 7,8%, refletindo pressões de custos e despesas com pessoal.

7. ISA Energia Brasil (ISAE3; ISAE4)

  • Lucro líquido regulatório: R$ 1,9 bilhão, alta de 246%.
  • Lucro líquido contábil: R$ 913,8 milhões, crescimento de 16,4%.
  • Receita líquida: R$ 1,51 bilhão, avanço de 40,9%.
  • Ebitda: R$ 3,19 bilhões, alta de 259%.
  • Lucro líquido pró-forma: R$ 625 milhões, crescimento de 14%.

O resultado foi influenciado pelo descruzamento de participações societárias com a AXIA Energia, operação que gerou um efeito contábil positivo de aproximadamente R$ 1,9 bilhão no Ebitda, sem impacto no caixa. Excluindo esse efeito extraordinário, o lucro pró-forma avançou 14%, refletindo a entrada em operação de novos projetos de transmissão e a expansão da base de ativos.

8. TOTVS (TOTS3)

  • Lucro líquido ajustado: R$ 237,2 milhões, alta de 8,8%.
  • Receita líquida: R$ 1,98 bilhão, crescimento de 13,2%.
  • Ebitda ajustado: R$ 500,9 milhões, avanço de 16,9%.
  • Receita recorrente: R$ 1,84 bilhão, alta de 15,1%.
  • Margem Ebitda ajustada: 25,3%, expansão de 0,8 ponto percentual.

A empresa de tecnologia manteve crescimento de dois dígitos na receita, sustentado pela expansão dos contratos recorrentes de software. O avanço do Ebitda superou o crescimento do lucro, enquanto a margem líquida ajustada ficou em 12%, pressionada pelo aumento das despesas financeiras após a emissão de debêntures para financiar a aquisição da Linx.

9. Smart Fit (SMFT3)

  • Lucro líquido recorrente: R$ 247,7 milhões, alta de 40%.
  • Lucro líquido contábil: R$ 255,3 milhões, crescimento de 50%.
  • Receita líquida: R$ 2,35 bilhões, avanço de 29%.
  • Ebitda ajustado: R$ 762,8 milhões, alta de 30%.
  • Número de academias: 2.259 unidades em 17 países, crescimento de 21%.

A rede de academias apresentou expansão simultânea de receita, lucro e resultado operacional, apoiada na abertura de novas unidades e no crescimento da operação. A margem Ebitda ajustada chegou a 32,5%, ante 32,2% um ano antes. Os investimentos somaram R$ 631,6 milhões, enquanto a dívida líquida ajustada alcançou R$ 4,99 bilhões.

10. Marcopolo (POMO4)

  • Lucro líquido: R$ 186,5 milhões, queda de 43,4%.
  • Receita líquida: R$ 2,29 bilhões, recuo de 8,5%.
  • Ebitda: R$ 274,1 milhões, retração de 34,7%.
  • Margem Ebitda: 12%, ante 16,8% no terceiro trimestre de 2025.

A fabricante de carrocerias de ônibus enfrentou um trimestre mais fraco, com redução dos volumes de entregas no Brasil e no exterior. As operações internacionais tiveram queda de 42,8% no volume de ônibus vendidos, enquanto a unidade brasileira recuou 22,6%. A valorização do real frente ao dólar e o aumento dos custos de matérias-primas também pressionaram a rentabilidade. O lucro ficou abaixo das expectativas dos analistas.

O que os balanços revelam sobre a Bolsa

PRIO e Vibra lideraram o crescimento dos lucros, beneficiadas por condições operacionais favoráveis, enquanto Itaú e TOTVS demonstraram maior previsibilidade de resultados, com expansão sustentada dos negócios.

No setor elétrico, os números exigem uma leitura mais cuidadosa: tanto ISA Energia quanto AXIA apresentaram efeitos de operações societárias e indicadores ajustados que precisam ser separados dos resultados recorrentes.

Já entre as empresas de consumo e serviços, RD Saúde e Smart Fit mantiveram crescimento, enquanto Marcopolo enfrentou um trimestre de retração de volumes e margens.

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