Sete em cada dez entrevistados das classes C, D e E já deixaram de comprar um celular por não conseguir pagar à vista ou obter crédito. Além disso, 60% disseram que já tiveram crédito negado e ficaram sem acesso a produtos ou serviços de que precisavam.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Locomotiva entre abril e maio de 2026, com 1.000 pessoas. A dificuldade de comprar um aparelho foi mais frequente entre os participantes das classes D e E: 79% disseram já ter desistido da compra por falta de dinheiro ou crédito, ante 68% na classe C.
Os juros estão entre as principais barreiras ao financiamento. Metade dos entrevistados que evitam ou não contratam esse tipo de crédito cita juros altos. Para 41%, as parcelas não cabem no orçamento; 38% temem se endividar e 24% apontam as consequências de atrasar pagamentos, como juros e multas.
Celular para trabalho e serviços
Para os entrevistados, o celular tem funções que vão além da comunicação e do entretenimento. O aparelho é importante para falar com a família para 75%; para acessar serviços bancários e fazer pagamentos para 69%; e para o trabalho ou a geração de renda para 60%.
Além disso, 86% concordam, total ou parcialmente, que o acesso ao celular ajuda no trabalho e a obter mais renda. O aparelho também é considerado importante para acessar serviços, como aplicativos de saúde e compras, por 60% dos participantes; para estudar por 41%; e para buscar emprego por 28%.
Modelos de financiamento
A pesquisa também apresentou aos entrevistados diferentes condições de financiamento. Em uma comparação, 71% preferiram parcelas fixas e a possibilidade de restrição temporária de funções do celular em caso de atraso, sem juros ou multa por atraso. Os outros 29% escolheram o modelo tradicional descrito no levantamento, sem restrição do aparelho, mas com cobrança de juros e multa.
Em outra situação hipotética, 68% preferiram uma modalidade em que o pagamento de uma parcela em atraso libera normalmente as funcionalidades do aparelho. A PayJoy, que encomendou o estudo, oferece um modelo em que o celular financiado funciona como garantia por meio de um software. A empresa afirma que assume o risco de inadimplência e a cobrança, enquanto o varejista recebe o valor financiado após a venda.
“Ao utilizar o smartphone como garantia, nossa tecnologia de restrição de funcionalidades temporária nos ajuda a oferecer crédito a pessoas com acesso limitado aos serviços financeiros tradicionais. Essa abordagem permite gerenciar o risco da operação, e ajudar os clientes a construir um histórico de crédito positivo”, afirma Wagner Mendonça, country manager da PayJoy no Brasil.
As respostas indicam preferência por condições de pagamento previsíveis entre os participantes. Como a pesquisa perguntou qual modelo preferiam diante de opções descritas, os resultados não mostram quantos consumidores de fato contratariam cada modalidade nem permitem medir seu efeito sobre as vendas do varejo.
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