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Ibovespa Avança com Aval Externo; Investidor Aguarda Lula

O índice foi puxado pelos grandes bancos e pela boa recepção de investidores aos balanços corporativos do terceiro trimestre

7 min

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, em sessão embalada por uma bateria de resultados corporativos e viés positivo em Wall Street, enquanto investidores acompanham na expectativa de sinalizações sobre os planos do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva para a economia.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,39%, a 168.498,45 pontos, alcançando 169.073,04 na máxima e recuando a 165.909,74 na mínima do dia.

O volume financeiro no pregão somou R$32,06 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou um acréscimo de 0,34%, mas segue distante do patamar de antes do resultado da eleição presidencial no país, quando alcançou acima de 205 mil pontos.

Na visão do analista Matheus Villela, gestor de patrimônio Aware Investments, o movimento do Ibovespa refletiu uma combinação de ajuste técnico e melhoria do humor externo.

Villela destacou que o principal gatilho veio dos Estados Unidos, onde dados do mercado de trabalho reforçaram a leitura de uma economia resiliente, o que apoiou a recuperação dos preços em Wall Street após forte venda em tecnologia da véspera.

A economia dos EUA abriu 165 mil postos de trabalho no mês passado, após 60 mil em setembro, de acordo com o Ministério do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters anteciparam a criação de 65 mil empregos, após 29 mil em setembro divulgado anteriormente. A taxa de desemprego caiu para 4,1%. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,31%.

De acordo com Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, embora os números do reforçam a possibilidade de alta dos juros pelo banco central dos EUA, a percepção de que aquela economia continua robusta e o mercado de trabalho permanecem sólidos apoiados pelos ativos.

No Brasil, Villela citou que há também um componente de expectativa em razão do pronunciamento de Lula no domingo e de algum sinal de compromisso com as contas públicas.

A fala do presidente está prevista para as 20h30. “Mas ainda é cedo para falar em virada de tendência: o investidor quer ver medidas concretas de contenção de gastos, e a discussão delas só deve avançar na segunda quinzena de novembro.

Até lá, a volatilidade tende a continuar elevada.” Na véspera, Lula aprovou a primeira reunião do novo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce) para destacar a importância da responsabilidade fiscal e jurídica para atrair investidores para o Brasil.

Nesta sexta-feira, Lula disse que seu governo tem responsabilidade fiscal, mas que também leva em conta a responsabilidade social.

Destaques

• COSAN ON avançou 10,8%, no terceiro pregão seguido de alta. Na véspera, o jornal Valor Econômico publicou que a companhia está mantendo tratativas de vender 25% da sua controlada Compass para uma gestora de investimentos ligada ao governo de Abu Dhabi. COMPASS ON, que não está no Ibovespa, subiu 5,21%.

• CSN ON disparou 8,89%, melhor desempenho entre as mineradoras e siderúrgicas na B3. Na semana passada, a companhia anunciou acordo de exclusividade de 10 dias para a venda da sua participação de cimentos à chinesa Huaxin, por um “enterprise value” (EV) de R$ 12,7 bilhões.

• SABESP ON subiu 6,99%, após a maior empresa de saneamento do Brasil reportar lucro líquido de R$ 1,39 prejuízo no terceiro trimestre, acima da deficiência do mercado, embora 35,7% abaixo das receitas um ano antes, impactado por juros da dívida usada para financiar investimentos.

• LOJAS RENNER ON avançou 4,2%, com investidores também analisando o balanço divulgado na véspera, com queda de cerca de 12% no lucro, além de decisão da companhia de descontinuar projeção de receita. Executivos do varejista afirmaram que a empresa tem feito ajustes em sua operação para melhorar o desempenho de vendas nos últimos meses do ano. Nos primeiros negócios, a ação chegou a cair 6%.

• ULTRAPAR ON recuou 2,71%, completando 11 pregões com fechamento negativo. Analistas do JPMorgan cortaram nesta semana o preço-alvo dos papéis para R$ 40,50 ante R$ 42,50 por ação, após atualizarem estimativas para terceiro trimestre, enquanto reiteraram recomendação neutra.

• VIVARA ON caiu 1,49%, em meio a uma recepção negativa ao balanço publicado na véspera, com lucro líquido de R$114,8 milhões no terceiro trimestre, queda de 38,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita bruta cresceu 7,7%, mas a margem bruta recuou para 65,0%, ante 71,3% no terceiro trimestre de 2025. No pior momento, os papéis desabaram 10,6%, atingindo um mínimo intradia desde março de 2025.

• FLEURY ON cedeu 1,04%, com o resultado do terceiro trimestre também no radar, com lucro líquido de R$ 264,3 milhões, alta de 42,9% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. No setor, DASA ON disparou 10,51%, após o lucro líquido das operações continuadas saltar 78,7% no terceiro trimestre, para R$ 173 milhões.

• VALE ON avançou 2,19%, mesmo em pregão de variações modestas dos futuros de minério de ferro na China e descolado do comportamento de mineradoras no exterior.

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,4%, em prego positivo para o setor no Ibovespa. BRADESCO PNavançou 3,12%, BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 3,88% e BTG PACTUAL UNIT ganhou 3,04%. SANTANDER BRASIL UNIT foi exceção com queda de 1,08%.

• PETROBRAS PN cedeu 1,28%, em pregão de variações modestas no fechamento dos preços do petróleo no mercado internacional.

Dólar data em alta com exterior e política econômica no radar em dia de dados de emprego nos EUA

O dólar encerrou a sexta-feira em alta contra o real, acompanhando o fortalecimento da divisa no exterior, com os agentes avaliando dados de emprego dos Estados Unidos e sinalizações sobre a política econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,44%, a R$ 5,5115.

Às 17h49, o dólar futuro para dezembro subia 0,10% na B3, para R$ 5,5360.

Na semana, o dólar acumulou alta de 1,20% contra o real.

Destaque da agenda econômica do dia, o relatório de empregos dos EUA mostrou que a economia norte-americana abriu 165 mil postos de trabalho no mês passado, após 60 mil em setembro, informou o Departamento do Trabalho do país. Economistas consultados pela Reuters anteciparam a criação de 65 mil empregos, após 29 mil em setembro divulgado anteriormente. A taxa de desemprego caiu em relação aos 4,2% registrados em setembro.

Os números acima das estimativas fizeram o índice do dólar americano disparar no exterior, subindo em relação à maioria das divisas globais, limitando o desempenho do real.

“O dado reforçou a leitura de um mercado de trabalho resiliente e elevou a precificação de uma nova alta de juros pelo Fed na reunião de dezembro”, disse Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.

Nesse contexto, no fim do dia, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,76%, a 102,320.

Localmente, os investidores seguiram acompanhando as sinalizações sobre os possíveis rumores da economia no novo mandato do presidente Lula. Mais cedo, Lula disse que seu governo tem responsabilidade fiscal, mas que também leva em conta a responsabilidade social.

Durante discurso na reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), Lula fez ainda a avaliação de que a dívida brasileira não é tudo o que parece e afirmou que busca transformar o Brasil em uma potência, para que o país não dependa da China ou dos Estados Unidos.

As declarações de Lula acontecem após o presidente ter se reunido na véspera com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica, um dia após o Banco Central ter interrompido o ciclo de cortes de juros em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal de Lula depois de sua reeleição.

“Enquanto não há uma âncora fiscal clara, qualquer choque externo é amplificado no câmbio”, disse Enrico Cozzolino, sócio e estrategista da Zermatt Partners.

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