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Lula Defende Política Fiscal, Mas Minimiza Preocupação com Dívida Pública Brasileira

Lula defende responsabilidade fiscal, questiona números da dívida pública e promete preservar os mais pobres em meio à pressão por ajuste nas contas

4 min

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que seu governo tem responsabilidade fiscal, mas que também leva em conta a responsabilidade social, em meio a pressões pelo anúncio de medidas de ajuste e à queda de ativos brasileiros nos mercados financeiros após sua reeleição no final de outubro.

Em discurso durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), Lula fez ainda a avaliação de que a dívida brasileira não é tudo o que parece e afirmou que busca transformar o Brasil em uma potência, para que o país não dependa da China ou dos Estados Unidos.

“Se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, ela nem é tudo o que aparece… se coloca como dívida pública brasileira o que não é”, disse Lula.

“Para alguém falar que a gente não tem responsabilidade fiscal, é preciso ver como a gente pegou esse governo”, acrescentou. “Eu tenho comigo a minha história, eu fui o único presidente, de 2003 a 2010, que fiz superávit primário todo ano… O que nós precisamos fazer neste país é continuar dizendo o seguinte: esse país vai continuar com responsabilidade social”, assegurou, afirmando ainda que, em seu governo, os mais pobres não pagarão a conta do ajuste.

Apontada por economistas como o principal termômetro da solvência do país, a dívida pública bruta do Brasil vem crescendo em ritmo acelerado, tendo subido mais de 11 pontos percentuais no terceiro mandato de Lula, a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse crescimento é visto com preocupação por vários economistas que apontam a necessidade de controlar a trajetória de expansão do endividamento público.

Depois que Lula conquistou um inédito quarto mandato na Presidência depois de uma virada histórica no segundo turno da eleição, os juros futuros registraram alta, o índice de referência do mercado acionário brasileiro Ibovespa caiu e o dólar teve valorização expressiva ante o real.

Agentes do mercado preferiam uma vitória do senador de oposição Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por considerarem que, com ele no Palácio do Planalto, haveria chance maior de controle nas contas públicas, embora nem o senador nem seus conselheiros econômicos diretos tenham divulgado detalhes concretos de um eventual ajuste durante a campanha.

Esses mesmos agentes têm aguardado informações sobre a equipe econômica do quarto mandato de Lula, assim como sinalizações sobre como será a política econômica a partir de janeiro do ano que vem.

Lula se reuniu na quinta-feira com autoridades e conselheiros para debater a agenda econômica e pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após viagem do petista ao exterior, disse Durigan.

O encontro, no Palácio da Alvorada, teve entre os convidados o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, da Casa Civil, Miriam Belchior, e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A lista incluiu ainda o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o ex-presidente do banco de fomento Luciano Coutinho e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega.

Lula irá à Turquia para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), na cidade de Antália. Depois, ainda segue para as Filipinas, para a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), marcada para os dias 15 a 17 de novembro.

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