A Argentina voltou a aparecer nos planos de expansão de marcas da região, com uma estratégia que prioriza o desenvolvimento local por meio de franquias e parceiros estratégicos. As brasileiras Casa do Construtor e Lavateria já iniciaram sua entrada no mercado argentino, enquanto a Rustica, rede peruana de gastronomia e entretenimento, busca um operador argentino para ingressar no país.
Embora atuem em segmentos diferentes, as três empresas compartilham a mesma lógica: apoiar-se em parceiros com conhecimento do mercado, capacidade financeira e experiência operacional para desenvolver as primeiras unidades e construir uma rede que possa ser ampliada. A aposta não envolve necessariamente abrir várias lojas desde o início, mas estabelecer uma estrutura que permita crescer gradualmente.
Em um mercado no qual o consumo exige cautela, ganham relevância os modelos de negócio que oferecem operações padronizadas, estruturas de custos controladas e possibilidades de expansão. O perfil do franqueado também está mudando: já não basta ter capital para abrir uma loja.
Hoje, as marcas procuram operadores que conheçam o território, desenvolvedores com capacidade para multiplicar unidades ou parceiros estratégicos que contribuam com contatos, tecnologia, logística e acesso a fornecedores.
Aluguel de máquinas como negócio de escala
Um dos casos que refletem essa estratégia é o da Casa do Construtor, empresa brasileira especializada no aluguel de máquinas e ferramentas para construção, reformas, manutenção e jardinagem.
A companhia começou a desenvolver na Argentina uma rede de franquias voltada a operadores capazes de administrar múltiplas unidades. Sua estratégia prevê que um mesmo parceiro possa desenvolver um grupo de quatro a seis lojas em determinada região, com o objetivo de aproveitar economias de escala e consolidar uma operação territorial.
Na primeira etapa, a empresa pretende alcançar entre cinco e sete lojas. Para 2027, projeta chegar a cerca de 20 unidades e, no longo prazo, atingir 100 pontos de venda na Argentina até 2035, com uma rede de 15 a 20 franqueados capazes de operar várias unidades. A escolha dos locais e dos parceiros faz parte da estratégia.
“Ao definir uma nova praça, avaliamos o nível de atividade da construção civil, tanto em obras novas quanto no ritmo constante de remodelações, reformas e manutenção residencial ou comercial, a presença de profissionais do setor e o perfil do parceiro que estará à frente do negócio”, explica Bruno Arena, vice-presidente da Casa do Construtor para a América Latina.

“Escolhemos Escobar para nossa nova unidade por causa de seu rápido crescimento demográfico, seu dinamismo produtivo, sua proximidade com a cidade de Buenos Aires e o potencial para abastecer, a partir dali, o corredor norte da província de Buenos Aires”, afirma Arena.
O investimento é outra variável relevante. A Casa do Construtor estima um desembolso entre US$ 50 mil (R$ 250 mil) e US$ 200 mil (R$ 1 milhão), dependendo do formato. No modelo tradicional padrão, o investimento fica entre US$ 130 mil (R$ 650 mil) e US$ 140 mil (R$ 700 mil), dos quais cerca de 70% são destinados ao parque de máquinas e ferramentas.
Segundo as estimativas da empresa, o prazo de retorno do investimento varia de 36 a 48 meses, enquanto a rentabilidade operacional de uma unidade madura pode alcançar entre 35% e 40%.
“A Argentina apresenta uma enorme oportunidade para profissionalizar e elevar os padrões de um mercado de aluguel que, historicamente, foi muito fragmentado e informal”, afirma Arena.
O modelo também se apoia em uma lógica de consumo diferente da compra tradicional de equipamentos. O cliente paga para utilizar uma máquina pelo período de que precisa, sem assumir os custos de aquisição e manutenção. A marca estima que cerca de 70% dos contratos que registra na América Latina correspondam a aluguéis de 24 horas.
Uma franquia automatizada para reduzir custos fixos
A Lavateria, rede de lavanderias de autosserviço, começou sua expansão na Argentina neste ano. A empresa tem mais de 600 unidades no Brasil e propõe um formato totalmente automatizado, que funciona sem funcionários no ponto de venda. O cliente chega à loja, utiliza as máquinas, efetua o pagamento eletronicamente e conclui a lavagem e a secagem das roupas em aproximadamente uma hora e 15 minutos.
A ausência de funcionários permanentes é um dos principais diferenciais do negócio. Para o franqueado, o formato busca simplificar a gestão cotidiana e reduzir os custos fixos associados a uma operação tradicional.
O investimento para abrir uma franquia é de aproximadamente US$ 54 mil (R$ 270 mil). Segundo a empresa, o prazo estimado para recuperar o capital investido é de cerca de 15 meses.

“Gosto muito deste país porque vemos uma excelente oportunidade para esse modelo. É uma franquia fácil de operar, sem funcionários, o que permite manter uma estrutura de custos muito baixa”, afirma Leandro Silva, CEO da Lavateria.
A empresa já está presente em Buenos Aires e pretende continuar crescendo em diferentes cidades do interior argentino. Seu objetivo é superar 100 franquias na Argentina em 2027 e transformar o país em um mercado estratégico para sua expansão regional.
Um investimento maior para desenvolver uma rede gastronômica
A estratégia da Rustica, rede peruana de gastronomia e entretenimento com 33 anos de história, tem outra dimensão. A empresa pretende entrar na Argentina com uma estratégia de longo prazo e prevê desenvolver uma rede de até 30 restaurantes em dez anos.
O primeiro objetivo é Buenos Aires, com a possibilidade de avançar posteriormente para Mendoza, Rosário e Córdoba. Sua proposta combina gastronomia peruana com churrascarias, pizzarias, bares, espetáculos e karaokê, em um modelo que busca levar ao mercado argentino uma experiência já desenvolvida no Peru.
A empresa conta com mais de 60 estabelecimentos e dez hotéis próprios no Peru. No país, projeta alcançar 100 unidades nos próximos quatro anos e, paralelamente, avançar em sua expansão internacional.
Para ingressar na Argentina, a Rustica procura um parceiro na modalidade de franquia master. Isso significa encontrar um operador com experiência empresarial e capacidade para desenvolver a marca em determinado território, com a possibilidade de abrir unidades próprias e, dependendo das condições contratuais, ampliar a rede por meio de novas franquias.
A abertura de cada restaurante exigiria um investimento entre US$ 300 mil (R$ 1,5 milhão) e US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões), dependendo do formato escolhido. A esse valor seriam somados entre US$ 100 mil (R$ 500 mil) e US$ 150 mil (R$ 750 mil) para instalar um centro de produção, além de uma taxa de US$ 150 mil (R$ 750 mil) pelo contrato de franquia master com duração de 20 anos.
O centro de produção permitiria centralizar determinados insumos e padronizar receitas. A equipe do Peru, por sua vez, acompanharia o investidor durante os primeiros meses para transferir processos e padrões operacionais.
O perfil do parceiro procurado também difere daquele de uma franquia individual.
“Não é tanto para quem está começando no mercado de franquias, mas para alguém que já tem experiência no setor, possui outros negócios ou franquias e entende o que significa desenvolver uma operação de longo prazo”, explica Gerson Manuel Hernández, consultor líder da Rustica.
“Não buscamos simplesmente oferecer um restaurante, mas fornecer o know-how para desenvolver toda uma plataforma, com um centro de produção e a possibilidade de conceder novas franquias”, acrescenta Hernández.
*Matéria publicada originalmente em Forbes Argentina
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