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Minha Casa Minha Vida Imuniza Construtoras Contra a Inflação? Veja Análise do BTG

Analistas do banco avaliam que construtoras de baixa renda possuem maior poder de repasse de preços e são mais resilientes à alta dos insumos

4 min

Embora a inflação da construção civil siga sendo uma pedra no sapato do setor, o BTG Pactual avalia que as incorporadoras de baixa renda e expostas ao Minha Casa Minha Vida (MCMV) tendem a se mostrar mais resilientes ao cenário macroeconômico atual – ainda que com ressalvas.

Os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris avaliam que a leitura do INCC-M deste mês, que mostrou alta de 0,85%, segue refletindo custos mais elevados, na esteira do conflito no Oriente Médio.

Dentro desse contexto, os especialistas frisam que os juros subsidiados e as decisões de gestão tornam as construtoras de baixa renda menos propensas a sofrerem com a inflação e o aumento de preço dos insumos.

“No segmento de baixa renda, destacamos que as empresas parecem estar muito mais preparadas para lidar com o aumento dos custos dos insumos, seja mantendo premissas de inflação mais conservadoras em seus orçamentos, seja elevando preços – tanto nos estoques quanto em novos projetos —, apoiadas por poder de compra e condições favoráveis de aquisição por conta do programa MCMV“, dizem os analistas de sell-side do banco.

Em abril, o Governo Federal anunciou a injeção de R$ 20 bilhões em recursos do Fundo Social para o programa Minha Casa Minha Vida. Com o aporte, o orçamento de habitação da União chegou à cifra recorde de R$ 200 bilhões.

O BTG Pactual, assim, enxerga uma demanda resiliente no segmento, o que pode abrir espaço para que as empresas elevem preços e mitiguem impactos mais significativos do aumento dos custos sobre a rentabilidade.

Por outro lado, a casa segue com “visão cautelosa” para as incorporadoras de média e alta renda, que estão mais expostas à volatilidade das taxas de juros e já apresentaram alguma deterioração na velocidade de vendas.

BTG Pactual/Reprodução

Além disso, a o BTG considera que o impacto da inflação da construção civil no orçamentos de custos das empresas “parece ser menos severo do que inicialmente se temia”.

Por fim, os analistas chamam atenção para o fato de que o driver que foi um dos maiores detratores para a inflação do setor teve reações positivas nos últimos dias. À luz de notícias melhores e um arrefecimento das tensões no Oriente Médio, o petróleo Brent voltou a operar na faixa de US$ 70 por barril.

A ressalva sobre os impactos no segmento de baixa renda e MCMV

Embora o BTG Pactual frise a resiliência do segmento de baixa renda e Minha Casa Minha Vida, a tese tem nuances e não descarta um impacto da inflação da construção civil nas margens das empresas do ramo.

“As pressões de custos são negativas para o setor, e qualquer aceleração adicional poderá pesar mais fortemente sobre o segmento de baixa renda, onde as incorporadoras têm poder limitado de repasse de preços, pressionando diretamente as margens”, dizem os especialistas do BTG Pactual, no parecer sobre o setor imobiliário.

INCC-M avança ante maio

Conforme divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o INCC-M anotou alta de 0,85% em junho, portanto ficou acima da variação do mês de maio, da ordem de 0,77%.

A taxa acumulada em 12 meses atingiu 6,71%. Assim, a leitura deste mês mostra uma desaceleração no comparativo com junho de 2025, dado que o índice acumulava alta de 7,19% à época.

Na leitura do BTG Pactual, um dos pontos positivos dessa leitura do indicador de inflação da construção civil foi a desaceleração observada no componente de materiais e serviços. Esse movimento indica alívio nas pressões de custos dos insumos, segundo o banco – já que três das quatro categorias do grupo materiais e equipamentos registraram aumentos menos intensos no mês.

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