A despeito de vendas em queda no varejo, analistas do BTG Pactual destacam que as empresas de shoppings da bolsa de valores seguem resilientes e performando bem, refletindo o que a casa considera serem ativos de qualidade.
Em relatório, os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris listam indicadores de vendas no varejo que recuaram em termos reais para o pior patamar em cinco anos – mas que, embora figurem como uma proxy para o setor de shoppings em algum nível, não traduzem a qualidade dos players brasileiros.
O Índice de vendas no varejo da Cielo (ICVA) subiu 1,8% em maio ante igual etapa do ano anterior, mas recuou 3,6% em termos reais. Os serviços (restaurantes, turismo, transporte) foram o principal vetor de queda no índice.
No Sudeste, o crescimento foi de 2% nominal, mas as perdas reais foram de 4,7%.

“A leitura do ICVA de maio foi a mais fraca para o mês desde 2021, quando ocorreu a pandemia. Sem efeitos de calendário relevantes afetando a leitura do mês passado, a queda no índice foi impulsionada principalmente por um consumidor mais cauteloso em um cenário macroeconômico que apresenta sinais de inflação mais elevada e maior endividamento das famílias”, diz o BTG Pactual.
“Embora os indicadores amplos do varejo não estejam particularmente fortes, os shoppings listados continuam superando o setor como um todo, sustentados por portfólios de alta qualidade voltados ao consumidor de alta renda, menos exposto aos ventos contrários macroeconômicos”, completa.
Performance das ações na bolsa de valores em 12 meses
- JHSF (JHSF3): +106%
- Multiplan (MULT3): +2%
- Iguatemi (IGTI11): +7,1%
- Allos (ALSO3): +22%
- Syn Propriedades e Meios (SYNE3): -3,9%
Com isso, os analistas seguem com “uma visão construtiva sobre os operadores de shoppings listados”, de olho no que os analistas consideram um “controle disciplinado dos custos de ocupação dos lojistas”.
Além disso, o BTG destaca os níveis historicamente baixos de vacância e “métricas operacionais consistentemente sólidas”.
Shoppings dominantes continuam capturando crescimento real de aluguel
Em se tratando de inflação, o IGP-DI de maio avançou 0,9% ante o mês de abril e 2,5% ante igual etapa do ano anterior.
Além disso, os números mostram as seguintes altas na base anual:
- IPA-DI – 1,5%
- IPC-DI – 4,1%
- INCC-DI – 6,7%
A visão da casa é que o IGP-M e o IGP-DI tiveram impacto da escalada dos conflitos no Oriente Médio, embora com alguma desaceleração na margem.
“Para os operadores de shoppings listados, a maioria dos contratos de locação é indexada à inflação pelo IGP, o que implica que as receitas de aluguel tendem a acompanhar o desempenho do índice”, analisa o BTG.
“Apesar da aceleração em abril, o índice permanece pressionado, próximo do breakeven. Ainda assim, os shoppings dominantes continuam capturando crescimento real de aluguel, e a demanda se mantém resiliente apesar dos ventos contrários macroeconômicos — o que reforça nossa preferência por operadores com portfólios de ativos premium de alta qualidade”, conclui.