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As Surpreendentes Cidades Pequenas Onde os Americanos Estão Encontrando Emprego

Com a desaceleração das contratações, ranking do LinkedIn mostra que o crescimento do emprego e a chegada de novos talentos estão se deslocando para além dos tradicionais polos econômicos

6 min

Conseguir um emprego no mercado atual não é uma tarefa fácil. Os Estados Unidos criaram apenas 57 mil vagas de trabalho em junho — bem abaixo das expectativas —, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,2% e a participação da força de trabalho recuou para 61,5%.

Os números indicam um mercado de trabalho em desaceleração, no qual cada vez menos americanos estão dispostos a procurar emprego.

Nesse cenário, dados do LinkedIn mostram que quase 80% dos profissionais se sentem despreparados para enfrentar a busca por emprego em 2026, e essa insegurança está influenciando a escolha de onde os americanos pretendem construir suas carreiras.

Durante anos, a história do crescimento do emprego nos Estados Unidos esteve quase inteiramente concentrada no Sul — Austin, Charlotte, Nashville e algumas outras regiões metropolitanas do Sun Belt absorveram grande parte da atenção nacional. Isso está claramente mudando.

O novo ranking Cities on the Rise, do LinkedIn, que identifica as 25 regiões metropolitanas pequenas e médias dos EUA com a combinação mais forte de crescimento do emprego e migração de entrada, mostra que esse movimento está se espalhando por partes do país que raramente aparecem nesse tipo de lista: pequenas cidades do Rust Belt, capitais estaduais e cidades universitárias muito distantes dos tradicionais polos de tecnologia e finanças.

Um dos atrativos de algumas dessas localidades são os custos de moradia mais razoáveis.

O LinkedIn elaborou o ranking com base em dois fatores: a velocidade com que as contratações e as ofertas de emprego estão crescendo em uma região metropolitana em relação ao seu tamanho e se há mais usuários da plataforma se mudando para a região do que deixando o local.

Para se qualificar, uma região metropolitana precisava estar entre as 50% melhores de todas as áreas dos EUA em crescimento de contratações, empregos e migração, além de apresentar migração líquida positiva no último ano.

É importante destacar que o LinkedIn excluiu qualquer região metropolitana com mais de 2,5 milhões de usuários na plataforma — uma escolha deliberada que deixa de fora gigantes como Nova York, Los Angeles e Chicago e abre espaço para as cidades médias e pequenas que, de fato, estão registrando o crescimento mais acelerado.

As 10 principais regiões metropolitanas da lista são:

  • Augusta, Geórgia
  • Richmond, Virgínia
  • Reno, Nevada
  • Sarasota, Flórida
  • Harrisburg, Pensilvânia
  • Charleston, Carolina do Sul
  • Pensacola, Flórida
  • Austin, Texas
  • Portland, Maine
  • Tulsa, Oklahoma

Em conjunto, a lista sugere algo maior do que apenas um grupo de cidades que se destacam: o crescimento do emprego nos Estados Unidos está se fragmentando e deixando de se concentrar nas poucas regiões metropolitanas que dominaram o debate na última década, migrando para um conjunto muito mais amplo e menos previsível de localidades.

O que chama a atenção imediatamente é o quanto essas cidades têm pouco em comum. Augusta liderou a lista impulsionada pelo crescimento relacionado às suas raízes nos setores de defesa e segurança cibernética — a cidade abriga o U.S. Army Cyber Command, no Fort Gordon.

O avanço de Richmond, por sua vez, está cada vez mais relacionado à infraestrutura de internet; quatro cabos submarinos de fibra óptica chegam à região, atraindo investimentos em data centers de empresas como a Meta.

A capital da Pensilvânia, Harrisburg, entrou no top 5 com uma renda familiar média de apenas US$ 48.100 (aproximadamente R$ 245.310), a menor entre todas as cidades da lista.

O dado mostra que custos mais baixos e deslocamentos mais curtos até o trabalho podem, em alguns casos, pesar mais do que o potencial de renda na atração de novos moradores.

Harrisburg oferece uma sólida base de empregos nos setores de saúde e educação. Além disso, o preço médio anunciado de uma casa é de apenas US$ 406 mil (aproximadamente R$ 2,07 milhões). Segundo a National Association of Realtors, o preço médio de venda de uma residência usada em junho foi de US$ 440.600 (aproximadamente R$ 2,25 milhões).

Outra surpresa é Portland, no Maine, conhecida nacionalmente por sua cena gastronômica e pelos famosos sanduíches de lagosta. A cidade entrou no top 10 impulsionada pelo rápido crescimento do setor de ciências da vida, apoiado por novos investimentos, como o Maine Life Sciences Incubator.

Mais abaixo na lista, as surpresas continuam. Fort Wayne, em Indiana, oferece uma proporção maior de oportunidades de trabalho remoto (27,2%) do que Austin, o atual principal polo tecnológico do país. Essa tendência é impulsionada por um campus de data centers do Google avaliado em US$ 2 bilhões (aproximadamente R$ 10,2 bilhões), instalado sobre uma base econômica já consolidada nos setores aeroespacial e de fabricação de equipamentos de defesa da cidade.

Myrtle Beach, há muito associada ao turismo e ao golfe, tornou-se a região metropolitana dos EUA que mais cresce entre os aposentados, com os idosos representando atualmente quase um quarto de sua população. Já Fox Cities, em Wisconsin — uma região metropolitana que poucas pessoas fora do Meio-Oeste americano conseguiriam localizar no mapa — entrou na lista graças à revitalização de sua área central e a uma economia sustentada pelos setores de saúde e manufatura.

O LinkedIn também classificou separadamente as maiores regiões metropolitanas do país, fora do ranking Cities on the Rise. Juntas, essas 10 regiões representam uma parcela significativa do que a maioria dos americanos ainda imagina quando pensa no “mercado de trabalho das grandes cidades”.

São Francisco, considerada uma cidade em decadência após a pandemia de Covid-19, ficou em primeiro lugar, impulsionada pelo boom da inteligência artificial.

Minneapolis, sede de empresas dos setores de varejo e saúde, ficou em segundo. Nova York, com sua forte presença nos mercados financeiro e de mídia, ficou em terceiro. Seattle apareceu em quarto, enquanto Chicago ficou em quinto. A cidade do Sun Belt mais bem colocada? Dallas, na sexta posição.

Mas os dados contam cada vez mais uma história de perda de ritmo justamente nas localidades que definiram o sucesso profissional na última década — e é exatamente essa lacuna que o ranking Cities on the Rise, do LinkedIn, está captando. Para conferir a classificação completa das 25 cidades em ascensão — incluindo dados sobre contratações, principais empregadores e custos de vida de cada região metropolitana —, consulte a análise original do LinkedIn.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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