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Construção Civil Mantém Alta em Vendas e Empregos, Apesar de Juros Recordes no Financiamento

Vendas de imóveis superam lançamentos no médio e alto padrão em uma janela de 12 meses

4 min

O setor de construção civil segue gerando empregos e mantém volume de vendas acima dos lançamentos no segmento de médio e alto padrão, enquanto a poupança tem o maior resgate líquido desde janeiro e custos de construção voltam a acelerar puxados pela mão de obra. Em simultâneo, os custos de financiamento chegam a um patamar recorde no ano.

Os dados constam no relatório setorial do BB-BI, braço de investimentos do Banco do Brasil, divulgado nesta terça-feira (15).

“Após leituras recentes do INCC-M indicarem pressão adicional sobre os materiais em função dos desdobramentos geopolíticos que impactaram os preços do petróleo globalmente, o índice mostrou desaceleração da pressão dos materiais, embora os custos de mão de obra continuem sustentando o índice cheio em patamares constantemente superiores à inflação ao consumidor”, diz o relatório, assinado pelo analista Felipe Mesquita.

“Ao mesmo tempo, as taxas médias de juros praticadas para o financiamento imobiliário atingiram os níveis mais elevados registrados no ano, tanto para o público PF como PJ, conforme levantamento mensal do Banco Central”, completa.

Segundo levantamento do Banco Central, a taxa média de juros para financiamento imobiliário de pessoa física, considerando todas as operações, chegou a 11,3% ao ano em julho, alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,8 ponto percentual no ano.

Quando o cálculo considera apenas as operações com taxas de mercado, a taxa pessoa física ficou em 14,3% ao ano, estável no mês e com queda de 0,6 ponto percentual na comparação anual.

Já a taxa pessoa jurídica subiu para 12,6% ao ano, alta de 0,4 ponto percentual tanto no mês quanto no ano.

A inadimplência também avançou. A taxa média entre tomadores pessoa física chegou a 1,3%, alta de 0,1 ponto percentual no mês. Entre pessoas jurídicas, a taxa foi a 1,2%, alta de 0,2 ponto percentual no mês.

Ainda assim, o volume acumulado de vendas de novas unidades residenciais de médio e alto padrão nos últimos 12 meses segue acima do volume de lançamentos ao longo de todo o ano de 2026. O estoque destinado a esse público encontra-se quase 10% abaixo do mesmo período do ano anterior.

Confiança da construção recua em agosto

O Índice de Confiança da Construção (ICST), medido pela FGV Ibre, caiu para 91,7 pontos em julho, queda de 0,6 ponto percentual sobre o mês anterior. Na comparação com agosto de 2025, o índice ficou estável.

O Nível de Utilização da Capacidade da Construção interrompeu três leituras seguidas em queda e subiu para 78,8%, alta de 2,7 pontos percentuais no mês e de 0,6 ponto percentual no ano — o maior patamar desde outubro de 2025, quando chegou a 80%.

Na sondagem da indústria da construção realizada pela CNI, o Nível de Atividade avançou para 47,3 pontos em julho, alta de 0,1 ponto na comparação mensal, mas queda de 2,2 pontos frente ao mesmo mês de 2025.

As Expectativas de atividade para os próximos seis meses, que no mês anterior haviam ficado abaixo da linha neutra de 50 pontos pela primeira vez desde dezembro de 2023, subiram para 50,6 pontos, alta de 1,4 ponto no mês.

MCMV domina lançamentos e vendas; estoque do médio e alto padrão cai quase 10%

Segundo o relatório mais recente da Abrainc, com dados de companhias associadas até maio de 2026, o mercado lançou 191,4 mil unidades residenciais nos últimos 12 meses, volume 10,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

O segmento econômico, atendido majoritariamente pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), respondeu por 85,4% desses lançamentos.

As vendas somaram 198,5 mil unidades em 12 meses, alta de 3,3% na base anual. No segmento de médio e alto padrão (MAP), mais sensível ao patamar de juros, o volume de vendas ficou 11,8% acima do volume de lançamentos na janela de 12 meses.

Como resultado, o estoque de unidades desse segmento caiu 9,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Construção gera mais de 10% dos empregos líquidos do país

Os dados do Caged referentes a julho mostram criação líquida de 58,6 mil postos de trabalho no Brasil. Desse total, 12,7 mil vagas vieram do setor de construção, equivalentes a 21,7% do saldo nacional do mês.

Na janela de 12 meses, a construção civil respondeu por 10,65% dos empregos formais gerados no país — a maior participação do setor desde abril de 2024.

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