A inspiração de Eliane Dias na criação da Boogie Week

Semana da Cultura Preta, realizada em São Paulo, dá foco à inovação que vem da ancestralidade.

Luiz Gustavo Pacete
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Eliane Dias, sobre ancestralidade: “não é só pelo resgate do que os negros já geraram em termos de tecnologia e inovação, mas também pelo respeito que temos pelos nossos griôs” (Crédito: Bruno di Torino)

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Com oito anos de atuação no show business e um trabalho de pesquisa mapeando festivais de música e inovação pelo mundo, Eliane Dias, CEO da produtora Boogie Naipe, concretizou, no último final de semana, um projeto que vinha sendo gerado desde 2014. A realização da primeira Boogie Week, ou Semana da Cultura Preta, em quatro dias, unindo shows, debates e experiências, reuniu também, em um mesmo festival, elementos típicos da relação que os negros brasileiros possuem com sua ancestralidade, bem como a conexão que ela gera do ponto de vista de arte e inovação.

Pelo mundo, Eliane não sentiu essa intimidade que só existe no Brasil. Ao visitar o Afropunk Joanesburgo, por exemplo, e acompanhar um line-up curado por Jay Z, viu os artistas atuando de forma muito menos próxima do que por aqui. “Essa proximidade é a força do carinho que presenciamos somente no Brasil. Quando falamos de ancestralidade, também há um ponto importante, não só pelo resgate do que os negros já geraram em termos de tecnologia e inovação, mas também pelo respeito que temos pelos nossos griôs, ou seja, aqueles que carregam nossa memória.”

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A executiva conta que, antes da pandemia, foi procurada para o agenciamento de artistas mais experientes lá fora, e, mais uma vez, comprovou que o valor dado à ancestralidade também é algo muito típico do Brasil. “A realização da Boogie Week, o apoio de patrocinadores como Neon, YouTube e Budweiser, reforçam que as marcas também estão evoluindo em entender nossa gente como potência e inovação, e não apenas olhando para a luta. Nos expressamos por meio do poder de compra e por nossa veia cultural. Quando olhamos a discussão sobre ESG, por exemplo, também fica muito claro o quanto que essa potência criativa também diz respeito ao mundo corporativo.”

“Foram mais de 78 pessoas trabalhando para colocar esse festival de pé, mesmo ainda em um contexto de pandemia onde muitas adaptações foram necessárias. O olhar na composição dessa equipe, sendo metade de homens e metade de mulheres, bem como nossa parceria com a Terra Preta em outra frente, também mostra o compromisso e o desafio de vivermos aquilo pelo qual lutamos”, afirma Eliane. A Boogie Naipe, produtora fundada por Eliane Dias, o rapper Mano Brown, Vanessa Dias e Adriano em 2012, consolidou o trabalho digital dos Racionais. Em 2020, anunciou um novo selo musical, o Labbel Records, focado no Trap, entre várias outras iniciativas.

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