Quando assumiu como CEO da Ânima Educação, em julho de 2024, Paula Harraca entrou para o seleto grupo de mulheres à frente de companhias listadas na B3. Além de ser a primeira mulher no cargo, a executiva argentina é a primeira de fora do grupo de sócios-fundadores. “Por onde passei, fui a primeira – e garanti que não seria a última”, conta ela, que está na lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil.
Foi assim na ArcelorMittal, onde construiu uma carreira de 20 anos, de trainee a C-Level. Quando entrou na multinacional de aço em Rosário, sua cidade natal, era a única entre 500 homens. Foi a primeira diretora – ao sair, já eram quatro. Após atuar em seis países, estava a um passo de virar presidente quando decidiu sair. “Podia ser CEO, mas existia uma grande diferença entre a minha potência e essa cadeira na indústria de base.”
Hoje, aos 44 anos, lidera um ecossistema educacional com mais de 350 mil estudantes em 18 instituições de ensino superior, além de marcas como HSM, Le Cordon Bleu e SingularityU, e mais de 700 polos educacionais pelo Brasil. “Minha mãe foi professora universitária durante 50 anos. A única e melhor herança que eu tive na vida foi a educação”, garante a executiva, que se mudou com suas duas filhas (8 e 11 anos) de Belo Horizonte para São Paulo no início deste ano.
Desde 2019, a executiva estava no conselho consultivo da Una, onde começou a história da Ânima. Em maio de 2023, Paula foi convidada pelos fundadores a participar do processo para se tornar CEO e, no final do ano, passou a fazer parte do conselho de administração.
A nova CEO dá início ao que chama de “terceira onda da Ânima”, que registrou lucro líquido ajustado de R$ 49 milhões no terceiro trimestre de 2024, totalizando R$ 178,2 milhões nos primeiros nove meses do ano. “Vamos dobrar a Ânima, e não apenas no sentido de receita – vamos multiplicar o impacto.”
Nos primeiros 30 dias no cargo, dedicou-se a ouvir – clientes, funcionários, educadores e o comitê executivo. Só então traçou uma nova estratégia: “Inauguramos um desenho ambidestro com três avenidas de crescimento”. O foco continua sendo o ensino presencial, mas a executiva aposta em novas modalidades e formatos, especialmente no mercado B2B, na educação executiva e em soluções customizadas.
Sob sua gestão, a companhia vai lançar a primeira universidade do país com foco na creator economy, mercado avaliado em US$ 250 bilhões e que pode chegar a US$ 480 bilhões em 2027, segundo o Goldman Sachs. “Estamos trazendo uma proposta educacional para um setor desestruturado”, afirma, citando o investimento de R$ 40 milhões no projeto, que terá campus em São Paulo.
Mais até do que pelos números, Paula, que foi goleira de hóquei sobre grama por 10 anos, é motivada pelo impacto que pode gerar nessa posição. “Não é o cargo que me move, e sim o poder transformador da educação na vida das pessoas.”
Reportagem original publicada na edição 127 da Forbes, lançada em fevereiro de 2025.