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Sonia Guimarães: “O Maior Aprendizado da Minha Carreira é Jamais Desistir”

Primeira mulher negra doutora em física do Brasil, professora do ITA rompeu barreiras acadêmicas e hoje leva sua voz aos maiores centros de educação do mundo

3 min

Filha de pai tapeceiro e mãe comerciante, a doutora em física e professora do ITA Sonia Guimarães, que está na lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil, sempre se destacou em escolas públicas. A matéria favorita não demorou a aparecer: matemática. Desde cedo, demonstrou paixão por aprender e uma habilidade natural para cálculos. Na adolescência, seguiu um caminho natural e não pensou duas vezes ao se decidir pelo vestibular para engenharia civil.

No entanto, foi necessário se empenhar em diversos turnos, uma vez que precisava trabalhar para conseguir bancar os custos de um cursinho. E foi nesse ambiente que um professor sugeriu algo para ela que não estava nos planos iniciais: buscar cursos menos concorridos. O conselho a levou para a física.

Sonia Guimarães ingressou na Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo. Graduou-se em ciências em 1979 e, logo depois, iniciou um mestrado em física aplicada na mesma universidade. Em 1986, fez as malas e atravessou o Atlântico para começar uma nova etapa de vida na Inglaterra.

Ali, cursou doutorado em materiais eletrônicos no University of Manchester Institute of Science and Technology. Em 1989, Sonia se tornou a primeira mulher negra doutora em física do Brasil e, em 1993, ingressou como professora no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), sendo a primeira mulher negra a lecionar na instituição.

Ao longo de sua carreira, Sonia se destacou em pesquisas sobre semicondutores e desenvolvimento de sensores de calor. Em 2023, ela recebeu a Medalha Santos Dumont de Honra ao Mérito. “O maior aprendizado da minha carreira é jamais desistir. Alcancei vários objetivos como pesquisadora e professora e, apesar disso, nunca chegarei ao posto mais alto no instituto em que estou, o de professora titular. Isso reflete os desafios que enfrento por ser quem sou no ambiente em que estou inserida. No entanto, isso não me fez desistir nem deixar de acreditar – muito pelo contrário.”

Sonia explica que suas habilidades extrapolaram o ambiente do ensino. “Hoje, minha carreira ultrapassou o espaço de sala de aula. Venho direcionando para isso há alguns anos. Entendi que não era uma voz solitária, mas pioneira. Tenho percorrido o país e o exterior para falar sobre diversidade e inclusão, além de somar esforços para abrir mais espaços para mulheres e pessoas negras. Tenho participado ativamente de discussões e decisões em espaços de poder, como nos debates que antecederam o G20, além de eventos em Harvard, MIT, Columbia University, Illinois University e no Centro Lemann, onde dei palestras e me reuni com professores e estudantes do Brasil e dos EUA para debater esses assuntos”, lembra a acadêmica.

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