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“Preciso Pensar no Futuro”, Diz Rebeca Andrade sobre Carreira na Ginástica

No Rio Innovation Week, maior medalhista olímpica do Brasil fala sobre despedida do solo, próximos passos, conquistas e legado no esporte

6 min

Aos 26 anos, Rebeca Andrade já é a maior medalhista olímpica do Brasil. São seis medalhas ao todo, mas a ginasta garante que ainda há espaço para mais. “Ver tudo o que eu construí com a minha equipe é maravilhoso”, disse durante um painel no Rio Innovation Week, que acontece esta semana no Rio de Janeiro. “Sempre soube do meu potencial.”

Natural de Guarulhos (SP), Rebeca começou no esporte aos quatro anos em um projeto social. São mais de duas décadas de dedicação, marcadas por títulos, vitórias e algumas lesões. “Preciso pensar no futuro porque uma hora vou parar de treinar”, diz, anunciando que não deve mais competir no solo, modalidade que exige muito fisicamente. “Conheço muito o meu corpo.”

Foram cinco cirurgias, sendo três delas no mesmo joelho por rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA). “A cada cirurgia, fiquei oito meses fora do ginásio.”

O solo foi palco de alguns de seus momentos mais marcantes. Ao som de Baile de Favela, ela conquistou fãs no mundo todo. Na Olimpíada de Paris, se despediu da prova com um ouro, depois de apresentar uma coreografia embalada por Beyoncé e Anitta.

No pódio, foi reverenciada pelas americanas Simone Biles e Jordan Chiles. “Me senti muito orgulhosa. Elas sentiram que era um momento importante para mim, mas era para todas nós”, disse, destacando a “grandiosidade” de ver três mulheres negras dividindo aquele espaço.

A relação com Biles é de admiração mútua. Em Tóquio, após deixar a competição, a americana torceu por Rebeca da arquibancada. “Não somos amigas próximas, mas torcemos muito uma pela outra. Ela me representa. É uma referência para mim e para todo mundo.”

Resiliência e evolução de Rebeca Andrade

As lesões foram o capítulo mais difícil da carreira de Rebeca. Em 2013, a atleta começou acompanhamento psicológico, algo que considera fundamental para sua maturidade dentro e fora das competições. “Hoje, estou mais preparada para lidar com as situações, e não só no esporte.” Também começou a cursar uma faculdade de psicologia, mas trancou para se dedicar aos treinos.

Quem assiste Rebeca Andrade competindo pode reparar que a atleta não se deixa levar pela pressão. Apesar de ser uma das favoritas a ganhar medalhas pelo Brasil, ela sabe que a cabeça muitas vezes fala mais alto que o corpo, mesmo na ginástica. “Todo mundo tem expectativas, mas eu não controlo isso. Só tenho controle sobre mim, então meu foco tem que estar em mim.”

“Minha psicóloga foi essencial”, diz. “Me olho no espelho e consigo ver a Rebeca para além dos resultados.”

Este ano, ela reduziu a intensidade dos treinos para cuidar mais da saúde física e mental. O foco agora é o Mundial de Ginástica, em outubro, na Indonésia, e a competição do próximo ano, que vale vaga para a Olimpíada de Los Angeles.

Do sonho ao pódio

Essa trajetória até o topo não foi simples nem linear. Rebeca saiu de casa aos 10 anos para seguir carreira no esporte. “A maior dificuldade sempre foi financeira porque de resto eu sempre tive tudo.”

“O esporte chegou como uma surpresa, uma das maiores da minha vida.”
Rebeca Andrade

Sem romantizar a trajetória, Rebeca diz que persistiu no seu sonho mesmo sem saber se daria certo. A ginasta sempre teve o apoio da mãe, Rosa, que trabalhou como empregada doméstica, e dos sete irmãos. “Tenho um pouco de cada irmão, mas a força e a garra é da minha mãe.” O mais velho comprou uma bicicleta usada para levar a irmã para os treinos. Antes disso, foi uma tia que percebeu o talento da sobrinha e a levou para o ginásio.

Hoje, capitã da equipe brasileira, Rebeca ocupa um lugar de liderança e de acolhimento com as outras atletas. “Tenho total entendimento que a minha voz tem esse poder”, diz. Para o futuro, está preocupada com as próximas gerações. “Quero que as meninas tenham mais oportunidades do que eu tive, e vou lutar por isso.”

Apesar de já ter recebido convites para documentar sua trajetória – aos moldes do que a Netflix fez com Simone Biles em uma série documental –, mas prefere esperar. “Gostaria de terminar a minha carreira e ter um ponto final antes de contar a minha história.”

Em entrevista à Forbes, Rebeca Andrade fala sobre disciplina, saúde mental e futuro

Como mantém o foco?

Treino, treino e muito treino. E objetivos. O atleta de alto rendimento precisa ter muita disciplina para atingir suas metas, precisa estar preparado, e isso só é possível se dedicando, mantendo o foco sempre.

Sempre foi disciplinada? Como fez a disciplina ser tão parte de sua vida?

Sempre. Desde bem novinha eu já sabia bem o que eu queria. Tinha na minha cabeça o sonho de ser ginasta e, com o apoio da minha família e de muitas pessoas, eu consegui. Quando a gente quer muito alguma coisa, precisa se entregar, se dedicar, abrir mão de muitas coisas, fazer escolhas e respeitar regras. E isso só é possível com disciplina.

Como cuida da cabeça?

Sou muito tranquila. Levo a minha vida do jeito mais leve que posso. Faço acompanhamento com uma psicóloga desde os 13 anos e isso foi fundamental para que eu chegasse onde cheguei e como cheguei, me entendendo e me conhecendo melhor, alcançando uma maturidade que me ajuda bastante nos momentos mais difíceis e nas competições. Conheço bem meu corpo, minha mente, e isso é importante na minha rotina.

O que mais gosta de fazer quando não está treinando?

Dormir… Dormir, estar com minha família, meus amigos, meus cachorros. Gosto de ficar em casa, viajar quando posso.

O que ainda quer conquistar?

Quero estar saudável e bem para poder competir no meu melhor nível. É nisso que eu penso. Claro que as conquistas são legais, são importantes, é maravilhoso, e fico muito feliz com cada resultado expressivo que temos. E que possamos ter ainda mais e mais alegrias.

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