Na terça-feira (21), a conservadora Sanae Takaichi foi eleita como primeira-ministra do Japão. Antes de se tornar a primeira mulher a alcançar o cargo mais alto da política japonesa, a aliada do ex-premiê Shinzo Abe e admiradora da britânica Margaret Thatcher viveu uma fase muito distante dos gabinetes e da diplomacia.
Formada em administração de empresas na Universidade de Kobe, Takaichi costumava ir às aulas de moto e participou de uma banda de heavy metal durante os anos de graduação. Como baterista, tocava covers de Black Sabbath e Deep Purple.
Mesmo décadas depois, a atual primeira-ministra não abandonou completamente o hábito. Em casa, mantém uma bateria eletrônica e costuma tocar com fones de ouvido para não incomodar os vizinhos. Em entrevistas à imprensa japonesa, contou que recorre à música quando está irritada — e que a canção “Burn”, do Deep Purple, é sua preferida nesses momentos.
Filha de uma mãe policial e um pai funcionário de montadora, a primeira-ministra nasceu em 1961 e cresceu na cidade de Nara, no centro do Japão.
Takaichi se aproximou da política após conhecer o ex-premiê Shintaro Abe, pai de Shinzo Abe, de quem se tornaria uma das principais aliadas. Conhecida por seu perfil conservador e nacionalista, ela defende o fortalecimento militar do Japão e políticas econômicas voltadas à inovação e competitividade.
O que esperar da liderança de Sanae Takaichi no Japão
Espera-se que Takaichi retorne ao estímulo governamental no estilo de Abe ao tentar impulsionar uma economia sobrecarregada por um crescimento lento e preços em alta. Embora sua vitória marque um momento crucial para um país em que os homens ainda exercem uma influência esmagadora, ela nomeou apenas duas mulheres para seu gabinete, muito menos do que havia prometido.
É provável que Takaichi também dê início a um movimento acentuado para a direita em questões como imigração e defesa, o que a torna a mais recente líder em sintonia com a mudança mais ampla para a direita na política global.