Aventureira, escritora e contadora de histórias, Monet Izabeth viajou por todo o mundo em busca de significado e propósito, tanto em jornadas solo quanto em viagens em grupo que ela própria organiza. Ela se desafia — e também desafia outras pessoas — a enxergar além da zona de conforto, a explorar o que é possível.
“Eu também escrevo sobre o terreno emocional e psicológico que acompanha ir longe, física e mentalmente”, diz Izabeth em entrevista à Forbes. “Minha formação não é em esportes de elite ou montanhismo; é em curiosidade, persistência e aprendizado na prática. Com o tempo, essas experiências me levaram a desafios maiores — especialmente aqueles que exigem autossuficiência e um profundo confronto interior.”
Antártida, o continente branco
Muitos exploradores modernos viajam à Antártida para vivenciar suas paisagens geladas únicas e quase de outro mundo. Seja tentando alcançar o topo ou quebrar recordes ao escalar o Monte Vinson, a montanha mais alta do continente, ou se desafiando por semanas a esquiar longas distâncias em um dos ambientes mais extremos e inóspitos do planeta, a Antártida tem seu fascínio.
Izabeth quis viajar para a Antártida e o Polo Sul após ler sobre Preet Chandi, primeira mulher não branca a fazer uma expedição solo pela região, em 2022. “Ler sobre a conquista dela despertou algo profundo em mim. Tentei tirar isso da cabeça porque, bem, é assustador demais. Já ouvi dizer que a Antártida é o lugar mais implacável da Terra”, lembra. “Ainda assim, não conseguia parar de pensar: e se? Em algum momento, percebi que a única coisa que me impedia era o medo de fracassar. E isso simplesmente não é um motivo suficiente para mim.”

Treinamento e preparação
Com foco em resistência e força, Izabeth puxou pneus pesados, desenvolveu a força da parte superior do corpo, trabalhou a resistência e treinou em ambientes frios sempre que possível.
Além disso, ela deu atenção especial ao preparo mental, que envolveu aprender a manter a calma sob pressão, especialmente quando as coisas não saem como planejado, e a lidar com o tédio e o desconforto — desafios mentais consideráveis, sobretudo nos dias atuais. “Nutrição, recuperação e consistência foram muito mais importantes do que treinos heroicos”, afirma. “Como parte da minha preparação, atravessei a camada de gelo da Groenlândia com a Polar Explorers e fiz expedições solo em Minnesota e na Noruega.”
Logística e segurança na Antártida
Quando se sentiu pronta, Izabeth viajou à Antártida pela primeira vez, com histórias de exploradores do passado ecoando em sua mente. “Fui apresentada ao mundo da literatura polar enquanto estudava no Barnard College, e os relatos de sobrevivência dos primeiros exploradores na Antártida despertaram meu interesse pela aventura”, conta. “A Antártida é um dos poucos lugares no mundo onde você pode ficar dois meses completamente sozinho, sem ver uma única pessoa.”
Izabeth organizou os voos e garantiu suporte de segurança em caso de emergência. “Uma agência cuidou do transporte de ida e volta, da coordenação climática e do suporte emergencial”, conta. “Mas, a partir do momento em que fui deixada no ponto de partida, eu estava completamente sozinha — sem reabastecimento, sem assistência, sem qualquer apoio físico. Me comunicava com a equipe todas as noites para informar minha localização e a distância percorrida. Se algo desse errado, eles seriam responsáveis pelo meu resgate.”

A grande aventura começa
Em 23 de novembro de 2025, Izabeth embarcou em um avião e foi deixada na borda da Antártida. “Quando vi o avião decolar e me deixar sozinha no gelo, esperei sentir ansiedade e medo, mas isso não aconteceu”, relata. “O vento era feroz, levantando neve e me desequilibrando. Não tive tempo para sentir medo; meu treinamento entrou em ação imediatamente e eu sabia que precisava me movimentar o quanto antes para me manter aquecida.”
Os ventos incessantes continuaram fortes, inclusive na primeira noite, ao montar o acampamento. “Nunca tinha montado minha barraca sozinha com ventos tão intensos. Precisei de toda a minha força para impedir que ela voasse das minhas mãos”, conta. “Acho que aquele primeiro dia teve os ventos mais fortes de toda a expedição. O lado positivo é que depois disso eu tinha confiança de que conseguiria montar minha barraca em qualquer condição.”
Dia após dia, Izabeth seguiu em frente, reunindo determinação e resiliência. “É uma expedição muito longa, e cada dia é duro”, diz. “Quando você tem um dia ruim no dia 20, precisa superá-lo sabendo que ainda tem mais de 30 dias difíceis pela frente. Meu corpo fez o trabalho, mas minha mente precisava ser igualmente forte para que eu não desistisse.”

Lições e desafios
“Você pode fazer coisas incríveis se der um passo de cada vez”, afirma. “Não sou uma atleta profissional. Sou uma pessoa comum que decidiu tentar fazer algo extraordinário.”
O que significa ser a primeira mulher americana a esquiar sozinha e sem apoio até o Polo Sul? “É significativo não pelo título em si, mas pelo que ele representa: expandir a narrativa sobre quem pertence a ambientes extremos.”
Izabeth esquiou cerca de 1.100 quilômetros, completamente sozinha e sem apoio, carregando toda a sua comida e combustível, ao longo de 57 dias. “Ser a primeira mulher americana a fazer isso é sobre visibilidade e possibilidade. Fui inspirada e incentivada por mulheres que fizeram isso antes de mim, e quero ser mais um elo nessa corrente de inspiração para outras pessoas — não apenas rumo ao Polo Sul, mas em direção a qualquer grande sonho.”
*Wendy Altschuler é colaboradora da Forbes USA e escreve sobre viagens e aventuras.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com