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Maria Gal Conta Como Foi Viver Carolina Maria de Jesus em Filme Premiado em Cannes

Atriz e produtora emagreceu 18 quilos e mergulhou na vida da escritora para protagonizar a cinebiografia inspirada em “Quarto de Despejo”, reconhecida no Festival de Cinema antes mesmo da estreia

4 min

Em um processo de imersão para viver Carolina Maria de Jesus no cinema, Maria Gal emagreceu 18 quilos, trabalhou com preparadores de elenco do Brasil e dos Estados Unidos e percorreu as ruas de São Paulo em uma tentativa de mergulhar na vida da escritora. “Foi extremamente profundo, intenso e transformador, tanto artística quanto emocionalmente”, diz a atriz e produtora da cinebiografia, que deve estrear em 2027, à Forbes Brasil. percorreu as ruas de São Paulo para se aproximar da experiência vivida pela escritora.

Baseado no livro “Quarto de Despejo”, o filme “Carolina Maria de Jesus” acaba de ser premiado no Festival de Cannes, na França. “Tem um significado muito profundo para toda a equipe”, afirma Gal. “Mostra que essa história já está atravessando fronteiras e despertando a conexão internacional antes mesmo do lançamento oficial.” Dirigido por Jeferson De, o longa também tem produção de Clélia Bessa e reúne Sara Silveira, Cris Arenas e Rosane Svartman como produtoras associadas e parceiras criativas.

Ainda em fase de finalização, foi selecionado para o Goes to Cannes, do Marché du Film, que destaca projetos em desenvolvimento e aposta em novos talentos do cinema mundial.

Entre os cinco filmes brasileiros apresentados nesta edição, a produção recebeu o prêmio da A.H. Media Production, que concede 10 mil euros aos produtores. “É um olhar do mercado internacional para a potência das histórias brasileiras e para o impacto global que elas podem gerar através da emoção, da arte e da relevância social.”

Maria Gal em Cannes
DivulgaçãoMaria Gal em Cannes

Quem foi Carolina Maria de Jesus

O filme retrata a trajetória de uma das vozes mais importantes da literatura brasileira. Nascida em Sacramento, Minas Gerais, em 1947, ela se mudou para São Paulo em busca de melhores condições de vida e passou a viver na Favela do Canindé.

Mãe solo de três filhos, sustentou a família trabalhando como catadora de papel e empregada doméstica. Apesar de ter apenas dois anos de educação formal, Carolina registrava em diários a fome, a violência e o cotidiano da favela. Esses escritos deram origem a “Quarto de Despejo”, sua primeira obra, lançada em 1960, que se tornou um marco da literatura brasileira. “Carolina escreveu sobre o Brasil, mas falava sobre humanidade, fome, dignidade, maternidade, sobrevivência e sonho, temas universais que atravessam culturas, idiomas e fronteiras”, diz Gal.

Traduzido para 16 idiomas e com cerca de 3 milhões de exemplares vendidos, o livro projetou a escritora internacionalmente. Multiartista, também produziu contos, crônicas, letras de música, peças teatrais e trabalhos têxteis. Morreu em 1977, aos 62 anos.

“Carolina amava profundamente o Brasil e talvez por isso escrevesse de forma tão potente e tão corajosa. Porque desejava que o nosso país pudesse ser melhor, mais justo e mais humano para todos.”

Maria Gal

O processo artístico de Maria Gal

Maria Gal conheceu a obra de Carolina Maria de Jesus em um sebo, em São Paulo, onde se deparou pela primeira vez com “Quarto de Despejo”. “Descobri uma mulher muito à frente do seu tempo, com uma lucidez, uma força e uma consciência social absolutamente impressionantes.”

A atriz já fez um espetáculo inspirado na obra de Carolina, e agora protagoniza a cinebiografia. “Um projeto desenvolvido ao longo de vários anos e que transformou profundamente minha vida como mulher, artista e empreendedora.”

Gal enxerga em Carolina não só uma escritora, mas também uma empreendedora. “Não apenas pela maneira como sustentava sozinha seus três filhos, mas também porque empreendia sua própria arte e sua própria narrativa. Enviava seus diários para editoras nacionais e internacionais movida pela esperança e pela convicção de que sua voz precisava alcançar o mundo.”

Produtora e protagonista do longa, conta ter sentido o peso da responsabilidade de interpretar uma figura da dimensão de Carolina. “Me preparei com coaches nacionais e internacionais. Passei fome fazendo jejum intermitente. Foi uma experiência profundamente impactante e humana.”

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