A advogada sul-africana Navi Pillay conquistou o prêmio Nobel da Paz na última sexta-feira (9). A ex-juíza do TPI (Tribunal Penal Internacional) foi responsável por supervisionar um relatório da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.
A jurista foi uma das duas únicas mulheres entre os 10 laureados de 2026 nas seis categorias (Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura, Paz e Ciências Econômicas). A escritora canadense Anne Carson levou o prêmio de Literatura neste ano.
Mulheres na história do Nobel
Historicamente, as mulheres são minoria entre os laureados com o Nobel, que reconhece pessoas e organizações que transformaram o mundo por meio da ciência, da arte e da promoção da paz. De 1901 a 2026, o Prêmio Nobel foi concedido a mulheres 70 vezes.
Apenas Marie Curie foi homenageada duas vezes — em Física (1903) e Química (1911) —, o que significa que 69 mulheres distintas já receberam o Nobel ao longo de mais de um século.
Até 2026, as seis categorias do prêmio reconheceram 1.036 pessoas e organizações (o Prêmio de Economia foi adicionado mais tarde, em 1968). Considerando apenas indivíduos, foram 1000 laureados, dos quais apenas 7% são mulheres.
O Nobel da Paz segue como a categoria com maior presença feminina, com 21 mulheres laureadas ao longo da história, ante 92 homens.
A seguir, conheça todas as mulheres vencedoras do Nobel da Paz:
Navi Pillay (2026)
A jurista internacional foi premiada por suas contribuições para o fortalecimento das instituições de direito internacional, da justiça e da responsabilidade institucional ao redor do mundo.
Maria Corina Machado (2025)

Líder política venezuelana, ela venceu o Nobel da Paz pelos seus esforços para promover a democracia diante do autoritarismo em seu país, liderando uma mobilização nacional por transparência e liberdade eleitoral.
Narges Mohammadi (2023)

Jornalista e ativista, Mohammadi foi premiada por sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e por seus esforços para promover os direitos humanos e a liberdade para todas as pessoas.
Maria Ressa (2021)

A jornalista filipina venceu o Nobel da Paz pelos seus esforços para preservar a liberdade de expressão em seu país, documentando abusos de poder e campanhas de desinformação do governo nas redes sociais.
Nadia Murad (2018)

A ativista iraquiana foi premiada por sua atuação na luta contra a violência sexual usada como tática e arma de guerra em conflitos armados.
Malala Yousafzai (2014)

Aos 17 anos, a ativista paquistanesa venceu o Nobel da Paz por sua luta pelo direito fundamental de todas as meninas e mulheres à educação.
Tawakkol Karman, Leymah Gbowee e Ellen Johnson Sirleaf (2011)

A iemenita Karman e as liberianas Gbowee e Sirleaf foram premiadas conjuntamente pela luta não-violenta em prol da segurança das mulheres e por seus direitos de participar plenamente da construção e consolidação da paz.
Wangari Maathai (2004)

Bióloga, ambientalista e ativista política queniana, Maathai venceu o Nobel da Paz pela sua contribuição pioneira para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz no continente africano.
Shirin Ebadi (2003)

A advogada iraniana foi premiada pelos seus esforços pela democracia e pelos direitos humanos, com foco nos direitos das mulheres e das crianças iranianas.
Jody Williams (1997)

Professora americana, Williams venceu o Nobel da Paz pelo seu trabalho na promoção da proibição e eliminação das minas terrestres, atuação realizada conjuntamente com a Campanha Internacional para o Banimento das Minas Terrestres.
Rigoberta Menchú Tum (1992)

A líder indígena da Guatemala foi premiada pelo seu trabalho em prol da justiça social e da reconciliação etnocultural baseada no respeito aos direitos dos povos indígenas.
Aung San Suu Kyi (1991)

Líder política de Mianmar, ela venceu o prêmio pela sua luta não-violenta pela democracia e pelos direitos humanos frente à ditadura militar em seu país.
Alva Myrdal (1982)

A socióloga e diplomata sueca foi premiada pelo seu envolvimento ativo e pioneiro em campanhas globais pelo desarmamento e seu trabalho nas negociações das Nações Unidas.
Madre Teresa (1979)

Símbolo global de compaixão, a freira e missionária católica venceu o Nobel da Paz pelo seu trabalho humanitário e dedicação à assistência das populações mais pobres na Índia.
Betty Williams e Mairead Corrigan (1976)

As ativistas pacifistas norte-irlandesas venceram o prêmio por cofundarem o Movimento das Pessoas da Paz e mobilizarem a sociedade para pôr fim à violência sectária na Irlanda do Norte.
Emily Greene Balch (1946)

Economista e socióloga americana, Balch foi premiada pelo seu trabalho pela causa da paz mundial e por seu papel fundamental na Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade.
Jane Addams (1931)

A socióloga americana venceu o prêmio pelo seu ativismo pacifista internacional e seu papel como fundadora da Liga Internacional de Mulheres pela Paz e Liberdade.
Bertha von Suttner (1905)

Autora do influente romance pacifista “Die Waffen nieder” (“Abaixo as Armas”), a escritora e ativista austríaca foi premiada por sua liderança central no movimento pacifista internacional.